Litro da gasolina chega a custar R$ 4,699 nos postos de Piracicaba

(Foto: Amanda Vieira/JP)

O preço do litro de gasolina nos postos de combustíveis de Piracicaba chegou a R$ 4,699 nesta semana, elevação de até R$ 0,20 em relação à semana anterior. O valor pago pelos motoristas pelo litro de óleo diesel também aumentou, chegando a R$ 3,999 em um dos postos pesquisados pelo Jornal de Piracicaba (veja lista nesta página).

Depois dessa elevação, o custo para encher com gasolina um tanque de 55 litros (caso do Gol e do Ford Ka, por exemplo), pode chegar a R$ 258,44 no município. Para quem abastece com óleo diesel, o custo para encher um tanque desse mesmo tamanho seria de R$ 219,94. Já para os caminhoneiros, que utilizam 500 litros de combustível numa viagem de mil quilômetros, o custo atual desse percurso seria de quase R$ 2 mil apenas em diesel.

Apesar da alta, ainda é possível encontrar o litro da gasolina a R$ 4,399 em um dos postos pesquisados pelo JP, diferença de R$ 0,30 por litro na comparação com os postos que cobram o maior valor. No caso do óleo diesel, o menor preço encontrado pela reportagem foi de R$ 3,599, uma economia de R$ 0,40 por litro também na comparação com o posto que cobrava o preço mais elevado.

O reajuste no preço dos combustíveis em Piracicaba foi promovido, pela maioria dos postos, na terça-feira (9), um dia após anúncio da Petrobras de reajuste no preço da gasolina e do diesel vendidos pelas refinarias às distribuidoras. Nas refinarias, o litro da gasolina foi reajustado em cerca de 8%, com aumento do preço médio em R$ 0,17 por litro, chegando a R$ 2,25. Já o óleo diesel teve alta de 6%, o que implica em mais R$ 0,13 por litro, passando a custar R$ 2,24.

Neste ano, a Petrobras já reajustou os preços da gasolina três vezes, com alta de 22%. No caso do óleo diesel, foram promovidos dois reajustes, com elevação de 10,9%. Com as novas altas, o litro da gasolina passou a custar mais caro que o do diesel às distribuidoras.

Em nota, a estatal ressaltou que os valores praticados nas refinarias são diferentes dos percebidos pelo consumidor final no varejo. “Até chegar ao consumidor, são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis pelas distribuidoras, além dos custos e margens das companhias distribuidoras e dos revendedores”, explicou a Petrobras.

De acordo com o economista Marco Antonio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, esses recentes aumentos têm como causa a elevação do preço internacional do petróleo, que tem apresentado tendência de alta desde o fi nal de 2020. “E a nova política de preços da Petrobras vem repassando para o mercado interno, em consonância com o comportamento do preço internacional”, explicou.

Segundo o pesquisador, essa alta não ficará restrita aos motoristas que já sentem a elevação nas bombas de combustíveis. O custo também deve pesar na renegociação de tarifas do transporte público e nos fretes dos mais diversos produtos. “Quase todo produto tem uma parcela do seu preço feita a partir desse repasse de custo do frete. Então, se você tem um aumento do frete, é normal que isso se transfira também ao longo da cadeia produtiva para quase todos os produtos industrializados”, afirmou.

O motorista de aplicativo Allan Rodrigo Dias, 39 anos, afirma que já tem sentido o impacto dos recentes aumentos de preços dos combustíveis. “Infelizmente esses reajustes ocorreram no começo do ano, um período que já é meio complicado, porque o movimento de passageiros no transporte por aplicativo cai. Então, a receita cai, enquanto as despesas aumentam e os boletos não param de chegar”.

O caminhoneiro Adilson Aparecido Martin, 47 anos, também reclamou da situação. “Cada dia que a gente abastece tem uma surpresa. Estou indo para Salvador, que era onde encontrava o preço mais acessível, mas agora está mais caro. Quem é dono de caminhão está sobrevivendo à míngua”, afi rmou.

Lucas Rodrigues de Morais, 32 anos, que também atua como caminhoneiro, é outro profissional que afirma estar sofrendo prejuízos com as recentes altas no valor do diesel. “O complicado é que principalmente as grandes transportadoras não repassam [essa elevação no custo do frete aos transportadores]. Sobe o óleo diesel, ela repassa para a empresa e a transportadora não repassa pra gente que faz o transporte”, afirmou. Esse motorista notou que, desde novembro, o custo por litro de óleo diesel já subiu mais de R$ 0,60 nas bombas de combustível. Essa diferença representa um custo adicional de R$ 300 para encher um tanque de 500 litros.

COM NOVA ALTA, BOTIJÃO DE GÁS CHEGA A R$ 95 PARA CONSUMIDOR

Não só os motoristas sentiram os reflexos da alta de preços anunciada pela Petrobras na última segunda-feira (8). Aqueles que precisaram de um novo botijão de gás nesta semana perceberam que cozinhar também fi – cou mais caro em Piracicaba. Conforme pesquisa realizada pelo JP na quinta-feira (11), um botijão de 13 quilos chegava a custar R$ 95 no município. O preço mais barato encontrado pela reportagem foi de R$ 85.

A alta do preço do GLP pela Petrobras foi de 5,1%, o que representa R$ 0,14 a mais por quilo. Assim, o botijão de 13 quilos passou de R$ 35,98 para R$ 37,79 nas refinarias. Este foi o segundo reajuste de 2021 do gás nas refinarias. Desde janeiro de 2020, o preço do gás de cozinha só teve queda para o consumidor final em maio, se comparado a abril do mesmo ano. Nos outros, comprar um botijão ficou mais caro em relação ao mês anterior, de acordo com o IBGE.

O dono de uma revendedora, que pediu para não ser identificado, disse que os comerciantes não conseguem segurar essa alta. “Quando eu vendo um botijão, eu preciso repor. E se eu não repassar com aumento, porque eu já comprei com aumento, eu não consigo repor o meu estoque, que é mínimo”.

Para a dona de casa Cibele de Fátima Americo, 63 anos, o preço do botijão de gás no município está “um absurdo”, principalmente para famílias como a dela, que tentam sobreviver com pouco mais de um salário mínimo. “Aqui em casa, um botijão de gás dura um mês e meio, no máximo. Quando acaba, temos que esperar o próximo pagamento ou pedir ajuda”, afirmou. Além de Cibele, outros três adultos e três crianças moram na residência. Dos adultos, apenas um está empregado, obtendo a única renda da família.

A dona de casa Adriana da Silva Heredia, 39 anos, também afi rma que está cada vez mais difícil comprar um botijão. “Somos em quatro pessoas aqui em casa, sendo uma portadora de defi ciência, e só um trabalhando atualmente. Quando não assamos pão ou bolo, o gás dura mais ou menos um mês”, lamentou.

Na casa da aposentada Maria Ângela Barbieri, 63 anos, que mora sozinha, um botijão de gás chega a durar três meses. Mesmo assim, ela lamenta o preço atual do produto. “Minha renda não é sufi ciente para arcar com todas as despesas. O gás está mais caro do que tudo que gasto em casa”, disse.

Ana Carolina Leal
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