Lockdown em Piracicaba esteve em pauta, diz secretário de Saúde

Mesmo com o comércio “fechado” é grande a quantidade de pessoas na região central (Foto: Amanda Vieira/JP)

Piracicaba registrou ontem 198 novos casos de covid-19 e cinco mortes pela doença causada pelo novo coronavírus. Agora, as estatísticas municipais apontam 7.520 infectados e 191 mortes. O secretário de Saúde, Pedro Mello, admitiu ontem que a prefeitura chegou a discutir a possibilidade de decretar o lockdown (isolamento total) quando a cidade estava na fase vermelha do Plano São Paulo de enfrentamento da covid-19.

Segundo o médico, com a situação atual e avaliação do Governo do Estado, a cidade caminha para a fase 3 (amarela), e que “supostamente Piracicaba nãoe stá pensando neste momento em locdkdown”.

Mello disse que a cidade enfrenta um problema com o reconhecimento, pelo Ministério Público, de 22 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) instalados na UPA (Unidade de Pronto Atenimento) do Piracicamirim, o que aumenta a capacidade de atendimento do município. O secretário disse que foi solicitado o reconhecimento pelo Governo Federal e uma nova portaria do ministério deve resolver a questão.

COVID-19 NO ESTADO

O Estado de São Paulo registrou ontem 22.389 óbitos e 514.197 casos confirmados do novo coronavírus.

Entre o total de casos diagnosticados de covid-19, 344.501 pessoas estão recuperadas, sendo que 66.667 foram internadas e tiveram alta hospitalar.

As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 63,6% na Grande São Paulo e 65,5% no Estado. O número de pacientes internados é de 12.605, sendo 7.391 em enfermaria e 5.214 em unidades de terapia intensiva, conforme dados das 10h30 de hoje.

Ontem, dos 645 municípios paulistas, houve pelo menos uma pessoa infectada em 639 cidades, sendo 466 com um ou mais óbitos.

DOAÇÕES
O Governo do Estado anunciou nesta quarta-feira a arrecadação de R$ 96 milhões em doações privadas para a construção de uma fábrica para produção exclusiva da vacina contra o coronavírus. A meta é alcançar R$ 130 milhões para dobrar a atual capacidade do Instituto Butantan, que é de 120 milhões de doses por ano contra o agente da covid-19.

“O trabalho de pesquisadores brasileiros, coordenado pelo Instituto Butantan, se tornou uma esperança não apenas para São Paulo, mas também para o Brasil e, vale acrescentar, igualmente os países latino-americanos”, disse o governador João Doria.

A potencial vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac está em etapa final de testes clínicos no Brasil por meio de parceria com o Governo de São Paulo. “O Butantan participa do desenvolvimento da vacina. A vacina foi desenvolvida pela Sinovac e o Butantan é o responsável por essa fase, é quem financia e controla o estudo”, disse o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

A testagem coordenada pelo Butantan envolve 9 mil profissionais de saúde que se apresentaram como voluntários a 12 centros de pesquisa médica e científica de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. A conclusão é estimada para o final de outubro ou início de novembro.

FÁBRICA EM 10 MESES

Caso a última etapa de testes comprove a eficácia da vacina, o acordo entre Sinovac e Butantan prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante no Brasil. Assim, o Governo de São Paulo iniciou uma campanha de doações para construir a nova fábrica do Butantan em um prazo estimado de dez meses.

O objetivo é garantir a posição do Brasil como produtor e distribuidor da vacina na América do Sul tão logo a testagem indique o sucesso da imunização em humanos. Nesta quarta, o Comitê Empresarial Econômico coordenado pelo Governo de São Paulo confirmou três novas doações no valor total de R$ 16 milhões para erguer a nova fábrica.

A campanha vai prosseguir até o final de agosto para que os R$ 34 milhões restantes sejam arrecadados com apoio de empresas e grupos filantrópicos privados. As doações serão transferidas integralmente à Fundação Butantan e verificadas por empresas de consultoria de atuação global para reforçar a transparência da iniciativa.

Beto Silva