Magic Paula: a estrela do basquete que passou Piracicaba

Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida nacionalmente e mundialmente como Magic Paula, nasceu em Oswaldo Cruz, no dia 11 de março de 1962, filha de Eberard Gonçalves da Silva e Ilda Borges Gonçalves. Magic Paula foi uma das melhores jogadoras de basquete de sua geração, seja em clubes e na Seleção Brasileira, conquistando diversos títulos, como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana (Cuba) em 1991, o título do Campeonato Mundial na Austrália em 1994 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta (Estados Unidos) em 1996.

Maria Paula passou por diversos clubes ao longo da carreira, com destaque para sua passagem pela Unimep, no qual ela permaneceu por mais tempo e protagonizou diversos títulos e campanhas de destaque, além de uma rivalidade intensa com a equipe de Sorocaba, que tinha Hortência como principal destaque. Magic Paula é a Persona do Jornal de Piracicaba nesta semana, para falar da carreira no basquete e a vida fora das quadras.

Quando foi que você começou a praticar basquete?
Minha paixão pelo esporte começou na escola e no clube que minha família era socia, que era o Clube das Bandeiras em Oswaldo Cruz, a cidade que nasci.

Como foi o começo da sua carreira?
Foi lúdico, era uma garota que gostava de esporte e vivenciei várias modalidades, mas a paixão foi mesmo pelo basquete. Mas foi aos 8 anos, quando vi pela primeira vez uma professora brincando com uma bola de basquete, que meu coração bateu mais forte. Me encantei com a dança que aquele grande globo laranja fez no ar até rodar no aro e ser abraçado pela cesta. E não tive dúvida: era aquele o esporte que queria praticar. Alguns anos depois, quando o clube da minha cidade montou o primeiro time de basquete feminino, tinha apenas 10 anos e era muito nova, pela análise do treinador.

Como foi a sua chegada a Piracicaba?
Minha chegada na cidade foi em 1980, após convite para fazer parte da equipe da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), em um projeto interessante naquele momento, unir a universidade e o esporte.

Como foi a sua passagem pela Unimep. Era muito puxado estudar e representar a faculdade em competições oficiais?
No Brasil seguimos o caminho contrário do mundo. Começa a praticar esportes, se destacar e abandona os estudos. Meus pais sempre cobraram que o basquete só iria fazer parte do meu dia a dia se caminhasse junto com estudo. Quando cheguei estudava no Colégio Piracicabano, depois que comecei a fazer a faculdade de educação física da Unimep. Apesar de estudar e jogar pela Unimep, os professores não entendiam muito bem esta parceria. Se fosse só jogar pelo clube, teria sido mais fácil, mas o problema eram as convocações para Seleção Brasileira, pois ficávamos muito tempo concentradas. Fui fazendo as matérias e claro que durou mais do que o tempo previsto para me formar.

Como foi que surgiu esse apelido? Você gostou? Se inspirava no Magic Johnson?
Este apelido surgiu quando Juarez Araujo escrevia sobre basquete na Gazeta Esportiva, assistiu um jogo meu no Ginásio do Ibirapuera e escutou um treinador que estava ao lado dele comentar que meu jogo era parecido com do Magic Johnson e começou a colocar nas matérias o Magic Paula. Gostei e fico tranquila, pois não me autodenominei. Gostava muito de ver ele jogando, muitas coisas eu tentava copiar (risos).

Fale um pouco da sua passagem na Seleção Brasileira?
Fui convocada pela primeira vez para seleção com 14 anos. Me tornei titular aos 15 anos e joguei por 22 anos na seleção. Demoramos muito para conquistar o primeiro título, poucos recursos para intercambio, mas a criatividade fez com que minha geração se tornasse uma geração vitoriosa, conquistando três títulos pan-americanos (bronze, prata e ouro), campeã mundial e medalhista de prata olímpica. Foi um sucesso total!

Como foi conquistar uma medalha olímpica por seu país? Qual é a sensação? Você guarda essa medalha até hoje?
O sonho de qualquer atleta é conquistar uma medalha olímpica. Guardo a medalha com carinho e sensação de dever cumprido.

Qual foi o jogo mais importante de sua carreira?
Pela seleção foi a semifinal do Mundial na Austrália quando vencemos a Seleção dos Estados Unidos por 110 a 107. Depois fomos campeãs derrotando a China na decisão.

E qual o seu jogo mais especial, aquele que foi o seu melhor jogo individualmente?
Aprendi muito com todas minhas conquistas e muito mais com as derrotas, seria injusto escolher um jogo, cada um foi importante naquele momento.

Qual foi o título que lhe faltou?
Ainda falta chegar ao Hall da Fama, o Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, que é um hall da fama construído em homenagem a James Naismith, inventor do basquetebol. É localizado em Springfield, no estado norte-americano de Massachusetts,

Você foi um dos ícones do basquetebol nos anos 80, ao lado da Hortência: Como era essa rivalidade? Atrapalhava quando vocês se encontravam na Seleção Brasileira?
Atrapalhou a Seleção por muitos anos, mas cresci demais com esta rivalidade. Esta concorrência nos fez crescer individualmente. Aprendemos que juntas seriamos mais fortes na Seleção e foi então com a ajuda de uma nova geração de boas jogadoras que começamos a conquistar os títulos

Qual foi o seu melhor momento em clubes?
Foi em Piracicaba, jogando pelo time da Cesp/Unimep

Qual clube ou campeonato você gostaria de ter jogado/disputado e porquê?
Mesmo tendo disputado o Campeonato Mundial seis vezes (brasileira com mais participações) gostaria de ter ido em outras Olimpíadas, pois joguei somente em Barcelona-ESP e Atlanta-EUA.

Como você vê o basquete atualmente, tanto o masculino quanto o feminino?
O basquete masculino tem uma liga muito estruturada e com muitos clubes. Já o feminino carece de maior atenção e de um trabalho para que possa voltar ao que já foi.

As portas da NBA e WNBA vem se abrindo cada vez mais com atletas estrangeiros? Como isso pode influenciar as novas gerações?
Ainda é muito forte a visibilidade da NBA no brasil, com jogadores brasileiros atuando no melhor basquete do mundo. No feminino precisamos ter mais jogadoras brasileiras jogando a WNBA. Neste ano tivemos apenas a Damiris Dantas, do Minnesota Lynx, mas que fez um excelente campeonato e ganhou a confiança dos americanos. Temos que ter outras jogadoras atuando na WNBA.

Como você vê a cobertura da mídia em relação ao basquete?
Culturalmente a preferência pelo esporte masculino ainda é muito forte. Acho que as mulheres estão conquistando seu espaço devagar e precisamos ter um campeonato com todas as nossas melhores jogadoras, com boas jogadoras estrangeiras e maior visibilidade.

Quando surgiu o IPM (Instituto Passe de Mágica)?
Tive essa iniciativa, por acreditar na importância do esporte para a formação pessoal e social do ser humano e por ter a consciência da oportunidade que poderia proporcionar àqueles que se encontram à margem da sociedade. A proposta é utilizar o esporte como uma ponte para a transformação pessoal, despertando consciência cidadã, disciplina, sociabilidade e respeito ao próximo.

Qual a importância do IPM em sua vida?
Nestes 16 anos de atividade com o Instituto, foram muitos aprendizados, preparamos o caminho de muitas crianças e jovens e tenho certeza que contribuímos juntos com uma visão melhor de mundo. Tatuando valores que aprenderam por meio do esporte lúdico. A importância do IPM em minha vida sempre foi oportunizar que estas crianças e jovens pudessem conhecer o esporte que me ensinou o jogo da vida.

O que você gosta de fazer em seu tempo livre?
Sou muito caseira e me considero uma pessoa normal e até bicho do mato (risos). Gosto de assistir series, cinema, leitura, nadar, fazer ginástica, jogar tênis, estar com amigos, estar com minha família e uma boa conversa tomando um vinho.

Você se reencontra com jogadoras com quem atuou em clubes, na seleção e até rivais?
Isso acontece muito pouco, pois cada uma mora em uma cidade e cada uma seguiu seu próprio caminho.

TÍTULOS E CAMPANHAS DE DESTAQUE
Os títulos e principais campanhas de Magic Paula pela Seleção Brasileira são: Jogos Olímpicos – 7º lugar em Barcelona (Espanha – 1992) e medalha de prata em Atlanta (EUA – 1996); Torneio Pré-Olímpico – 15º lugar (Bulgária – 1980), 15º lugar (Cuba – 1984), 10º lugar (Malásia e Singapura – 1988) e 3º lugar (Espanha – 1992); Campeonato Mundial – 9º lugar (Coréia – 1979), 5º lugar (Brasil – 1983), 11º lugar (URSS – 1986), 10º lugar (Malásia – 1990), campeã (Austrália – 1994), 4º lugar (Alemanha – 1998); Copa América – Pré-Mundial – vice-campeã (Brasil – 1989), vice-campeã (Brasil – 1993), campeã (Brasil – 1997) – Jogos Pan-Americanos – medalha de bronze em Caracas (Venezuela – 1983), medalha de prata em Indianápolis (EUA – 1987), medalha de ouro em Havana (Cuba – 1991); Campeonato Sul-Americano – vice-campeã (Peru – 1977), campeã (Bolívia – 1978), campeã (Peru – 1981), campeã (Brasil – 1986), campeã (Chile – 1989) e campeã (Colômbia – 1991).

Por clubes, as principais conquistas de Magic Paula foram: Campeonato Mundial – campeã (1993), vice-campeã (1991, 1994 e 1995); Campeonato Pan-Americano – bicampeã de clubes (1994 e 1995); Liga Espanhola – vice-campeã (1989); Taça Brasil – tetracampeã (1986,1987, 1991 e 1995); Campeonato Paulista – octacampeã (1981, 1984, 1985, 1986, 1992, 1993, 1994 e 1996).

Mauro Adamoli

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