Maio Furta-Cor fomenta ações em prol da saúde mental materna

Rodas de conversa sobre a maternidade serão realizadas durante todo o mês

No mês das mães, uma iniciativa busca sensibilizar a sociedade em relação à saúde mental materna. A campanha Maio Furta-Cor, criada em 2021, tem o objetivo de ampliar a visibilidade e a consciência sobre o tema e fomentar discussões em torno desse assunto e dos aspectos que envolvem os crescentes índices de depressão, ansiedade, esgotamento e até suicídio após a maternidade, por meio de ações como palestras, rodas de conversa, entrevistas, marchas, danças, entre outras.

A psicóloga Rafaela Zucareli é uma das organizadoras das ações da campanha em Piracicaba e explica o que motivou o movimento.

“A pandemia escancarou a diferença nas relações de cuidado dos filhos exercidas por mães e pais, e o quanto as mulheres se sobrecarregam tendo as demandas do trabalho remunerado, doméstico, o cuidado com os filhos e tantos outros. A tripla jornada, o fechamento das escolas, redução salarial, desemprego e aumento dos índices de violência doméstica são alguns dos fatores que trazem impactos à saúde mental materna. Uma realidade que já era existente, mas que se intensificou nesse período. E se pensarmos nas mulheres negras, periféricas, mães solo, e tantas outras, em situação de vulnerabilidade social, material e afetiva, reforçamos ainda mais a necessidade de dar luz a esse tema, de lutar por comprometimento social e políticas públicas adequadas”.

Aline Meneses, também psicóloga aderiu a campanha com Rafaela porque notou a necessidade de ampliar essa discussão. “É necessário, mais uma vez, olhar para cada história de vida visando buscar causas relacionadas à depressão, ansiedade, principalmente se a mulher já apresentou esses sintomas em outros momentos de vida. Ela precisa ter espaço e possibilidades para fazer o que deseja para além da maternidade”.

Rafaela complementa “Em situações que a mulher já possui um diagnóstico em saúde mental, o acompanhamento por profissional especializado se faz necessário desde antes da gestação, para evitar o agravamento durante o pós-parto, de alguma condição existente, tendo em vista as transformações que este ciclo gera. E se ela faz uso de psicotrópicos, o psiquiatra avaliará a compatibilidade e melhor opção durante a gestação e a amamentação”.

Explicar para uma mãe que ela também deve cuidar de si e quais práticas podem ser adotadas para esse autocuidado é um dos objetivos do Maio Furta-Cor.

“É desafiador falar sobre este assunto quando há uma sociedade que em anos de sua história diz que a mãe precisa cuidar do outro, deixando de lado muitas vezes o seu próprio desejo, pois isso faz parte do “instinto materno”, diz Aline.

“Se a mãe se sente em algum grau de sofrimento ou dificuldade em lidar com as situações, é sempre possível recorrer a uma ajuda profissional. Em alguns casos, uma conversa, um acolhimento podem já auxiliar a encontrar um certo alívio”, complementa Rafaela.

Quanto as principais orientações que podem ser seguidas por mães para cuidar da saúde mental, as psicólogas indicam entender (se permitir não ser uma pessoa completa que dá conta de tudo, mas sim que precisa de apoio), compartilhar as demandas e responsabilidades, e também delegar ao outro a divisão de tarefas.

Praticar exercício físico, sair com amigos, meditar, cuidar de plantas, ler um livro, dormir, ter um momento sozinha e passear com a família, são algumas as atividades que também podem ser adotadas.

No próximo sábado (14), às 09h, as psicólogas realizarão em contro gratuito com mães para falar sobre saúde mental materna, no Parque da Rua do Porto (área de lazer). Haverá roda de conversa com diversas profissionais da área. Leitoras do JP estão convidadas a participar.

Acompanhe a programação completa em @essenciadoserpiracicaba no Instagram.

Laís Seguin
[email protected]

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

um × dois =