Anomalia presente também em pessoas com sintomas leves (Foto: Pixabay)

Por ser uma doença muito recente, a cada nova complicação dos pacientes da covid-19, a comunidade médica precisa estar atenta para direcionar o tratamento. Entre as diversas possibilidades de complicações, o modo como o novo coronavírus afeta o coração tem chamado a atenção dos especialistas. Nesse cenário, os cardiologistas entram em ação. Pesquisa feita na Alemanha pela revista Jama Cardiology – publicada no final de julho – mostra que 80% dos pacientes estudados apresentaram inflamação no músculo cardíaco após dois meses da cura da covid-19.


Embora as complicações cardíacas durante o tratamento apareçam principalmente em pacientes graves, a pesquisa não levou em consideração apenas esses casos, conforme informou a cardiologista Juliana Previtalli, coordenadora do Cecardio (Centro de Estudos em Cardiologia) da Santa Casa de Piracicaba.

“2/3 desses pacientes que eles avaliaram não tinham sido hospitalizados, pacientes que tiveram o diagnóstico e fizeram o tratamento em casa. E 1/3 dos pacientes que entrou nesse estudo estiveram internados no hospital. É um dado muito interessante. 80% desses pacientes estudados mostraram – num exame chamado ressonância magnética – que tinham inflamação no músculo cardíaco dois meses da alta hospitalar ou da cura que ele teve em casa”, explica a cardiologista. “Isso é um dado muito expressivo porque essa alteração do músculo cardíaco pode evoluir cronicamente com alteração até numa insuficiência cardíaca, que é uma doença muito mais grave, crônica”, avalia Juliana.

Segundo a cardiologista do HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana), Luciane Gottschall, “as manifestações cardiovasculares relacionadas à covid-19 tem chamado atenção, momento em que a participação do médico cardiologista torna-se fundamental”, comenta. Isso porque, de acordo com a médica, os pacientes graves têm apresentado injúria miocárdica, infarto agudo do miocárdio, miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e arritmias, “principalmente nas pessoas com doenças crônicas e [com] cardiopatias previamente conhecidas”, explica Luciane.

Além do acompanhamento dos casos mais graves, o papel do cardiologista no tratamento dos pacientes da covid-19, para o cardiologista e diretor administrativo da Unimed Piracicaba, Walter Alonso Checoli, está vinculado ao “reconhecimento precoce das complicações cardíacas, detectando as arritmias e sinais de injúria ou isquemia miocárdica, auxiliando no manejo imediato destas condições”, afirma.

Já na recuperação, é aconselhado que os pacientes que tiveram complicações no quadro da covid-19 façam acompanhamento cardíaco também. “Pacientes com quadros mais graves que necessitaram, por exemplo, de internação hospitalar, devem procurar o seu cardiologista logo após a alta para reavaliar possíveis complicações do vírus e estes se beneficiam de seguimento mais próximo para compensação do coração quando indicado”, lembra Checoli.

Visto a possibilidade de complicações cardíacas pela covid-19, Luciane pontua ainda a necessidade de incluir os cuidados com o coração na prevenção da nova doença. “Hábitos saudáveis de vida, uso correto de medicações e proteção contra o vírus são essenciais para evitar tais complicações, além de manter acompanhamento médico regular”, comenta.

Andressa Mota

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