Maracatu do Baque Caipira faz cortejo pré-carnaval neste domingo

Baque Caipira se destaca com os elementos da cultura afro-ameríndia. (Crédito: Gabriel Albertini)

Dentro da programação oficial do Carnaval de Piracicaba, o terceiro cortejo de maracatu do grupo Baque Caipira acontece neste domingo (16), a partir das 15h, com concentração na praça Tibiriçá (rua do Rosário, 617). Sob o tema “Força dos Paiaguás”, o grupo com cerca de 120 integrantes vai descer em direção ao Largo dos Pescadores e, lá, a celebração continua, como explica a coordenadora do Baque, Natália Puke, que também integra o batuque.


O Baque Caipira é um grupo percussivo de Piracicaba que surgiu em 2013. Tem como referência o maracatu de baque virado, contudo, tem desenvolvido uma linguagem própria em relação às composições rítmicas, que destacam elementos da cultura afroameríndia e das manifestações populares da região do Vale do Rio Tietê. O cortejo, conta Natália, é uma festa democrática. “Serve, também, para reverenciar os donos da terra caipira, que no contexto do século 18, foram dizimados pelas incursões dos bandeirantes.”, ela afirma.


No desfile deste ano, a novidade é uma Corte Real maior, composta por 18 representantes da cultura da cidade. Sobre o tema, Natália ressalta que se trata, principalmente, de um resgate histórico da memória nativa de Piracicaba.


E além do aspecto cultural e histórico, o grito do Baque Caipira, inclusive no período do Carnaval, é ainda social e político. “Levamos para o cortejo uma mensagem, um tem atual e que dialoga com o atual momento do Brasil”, revela Natália.


Natália é uma das 40 pessoas do batuque do grupo. A intensidade percussiva do Baque é peça fundamental na representação do Baque Caipira enquanto coletivo independente, formado por pessoas apaixonadas pela cultura e sabedoria popular.


Ao longo dos anos, o grupo se estruturou e realizou apresentações, oficinas e do Projeto Voluntário “Baque Caipira na Escola” e ensaios abertos. Desde então, o Baque Caipira vem se constituindo como um espaço de integração, artístico, educacional e cultural na região”, destaca Natália.


Em 2018, o grupo foi contemplado pelo Proac Editais (26/2018) de Fomento às Culturas Populares e Tradicionais com o projeto “Maracatu Baque Caipira: multiplicando saberes”, que realizou oficinas que contemplaram a formação da percussão e da dança do maracatu em duas comunidades periféricas de Piracicaba.

Erick Tedesco

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