Marcela Zinsly: “Vejo a rede social como um canal de TV”

Marcela é uma das principais digital sellers da cidade | Foto: Claudinho Coradini

Marcela Zinsly é uma das duas piracicabanas que, em 2020, participou do mais badalado reality gastronômico do país, o Masterchef Brasil, que inclusive conta com um chef apresentador de Piracicaba, Henrique Fogaça. Ela não venceu, mas trouxe daquela concorrida cozinha uma experiência única de vida, que aliás, tem tudo a ver com sua carreira de digital seller, ou influenciadora digital, apesar de Marcela refutar o rótulo de influencer.

Nasceu em Piracicaba, mas o sotaque paulistano não engana: passou a infância e começo da adolescência pelas bandas da capital, em Santo André. Voltou para cá aos 16 nos com a mãe e irmã, após o falecimento do pai. E por aqui ela pavimentou sua vida adulta e profissional, com duas graduações na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba): Administração e Publicidade e Propaganda.

Marcela tem expressivos 1 milhão de seguidores na rede social TikTok e foi lá que ela preparou uma receita ao vivo, em outubro, no mesmo dia em que sua participação no Masterchef foi ao ar. Era um mac and cheese (ou macarrão com queiijo), o prefiro da sua filha e a receita que a levou à TV.

O vídeo, para a surpresa da publicitária, viralizou. “Youtubers começaram a reproduzir o prato a partir do meu vídeo e hoje esta postagem tem 5 milhões de visualizações”.

Marcela ressalta o desafio que foi encarar os jurados, câmeras e equipe de produção de TV. “Entramos com um sentimento e saímos com outro. Os jurados são muito focados e exigentes. Sempre gostei do Erick Jacquin. É durão, mas superconcentrado e ele se emociona diversas vezes ao longo do programa”.

Marcela, você é hoje uma ativa influencer digital, que atua em diversos setores. Como foi migrar para o meio digital?

Sempre trabalhei com vendas, desde os 13 anos de idade trabalho com comércio, naquela época era permito menor de idade trabalhar, e foi a melhor coisa da vida. Fiz faculdade de Administração e de Publicidade e Propaganda, porque sempre amei trabalhar com comunicação. A única diferença que vejo hoje é que invés de fazer venda em loja física, faço vendas digitais. Mostro os produtos aos clientes de uma forma personificada, da minha forma, divertida, mas não é diferente de quando trabalhava em loja. Hoje só é online, e percebo que atuo muito mais na minha área, como publicitária, do que antes como vendedora. Faço muito essa parte da comunicação.

O quanto da publicidade você aplica nos trabalhos de influenciadora?

Aplico 100% do meu trabalho de influenciadora na publicidade. Na verdade, não gosto muito de usar a palavra influenciadora, acho um pouco pejorativa. Prefiro me denominar como uma vendedora digital. Falo até digital seller, um termo que criei, entre aspas, para me identificar. Por consequência, falo um pouco da minha vida, entre outras coisas, mas percebo que hoje a publicidade é 100% praticada no meu trabalho.

Aliás, mais do que um termo em alta, é uma nova profissão e com um altivo filão de mercado?

É uma profissão, sim, só que infelizmente poucos estão profissionalizados, com CNPJ, e até pelo que os clientes me falam. Mas entendo que agora o mercado vai começar a ficar cada vez mais sério, tem que ficar. Tem que emitir nota fiscal, fazer contrato de trabalho com o cliente, ter uma agência por trás de você (eu sou uma profissional agenciada), ter um script, um roteiro de trabalho; faço agenda de atendimento. Tenho um padrão, tento deixar o mais profissional possível. E escuto isso de clientes, que falam da diferença deste profissionalismo. Hoje vejo como uma vantagem, mas deveria ser uma regra. Todo mundo ser mais profissional e que acabaria com aquela coisa de que “todo mundo pega o celular e sai pela rua”. Não, tem planejamento, faço análise de tráfico, entendo que dia é melhor para o cliente divulgar algo. Por isso não gosto de me denominar influenciadora, porque me dá a sensação de algo somente de lifestyle. Mostro muito do meu lado Marcela, mas faço tudo de forma muito técnica.

Para quem ainda não está familiarizado, conte um pouco da rotina de digital seller.

Basicamente a rotina de uma mãe, uma mulher que trabalha fora de casa. Tenho a agenda sempre ponta da semana, entre gravações com clientes, deveres de casa e filhos, mais agendamentos, gerenciamento de outras redes sociais, edição de vídeo etc. É, mais ou menos, das 8 às 20h, de semana. Aos fins de semana e às noites deixo para o “desabafo”, conversar com clientes e seguidores. A pessoa que me contrata espera que eu tenho um carinho com os seguidores. Praticamente 12h de trabalho por dia e de sábado até 16h. Procuro sempre fazer uma aproximação do cliente com minha vida. É sempre legal poder gravar algo que meu filho ou meu marido participe, como parte da minha rotina. Tenho como pressuposto fazer propaganda de coisas que são parte da minha vida, que utilizo ou vou utilizar.


Piracicaba conta com muitos influenciadores?

Tem, sim, mas em diversas categorias. Tem o pessoal novo e os que estão há tempos no mercado. Tem bastante gente de lifestyle. A cidade tem bons influenciadores, inclusive.

Quais são seus mercados que atualmente você atua?

Atuo em diversos setores, tanto de utilidade, para qualquer ser que respira, estou ali. Beleza, moda, que não são muitos, mas atuo. Faço sobre utilidades para casa, receitas, saúde, exercícios físicos, maternidade, dicas para casamento, além de animais, que tenho cachorro e gato. É de A a Z.


Marcela, percebe-se pelos vídeos nas redes sociais que você é uma exímia comunicadora. Antes de entrar com tudo no mundo dos influencers, pensava em atuar em programa de TV, rádio? Ou, ainda é um desejo?

Sempre gostei de me comunicar e me considero uma boa comunicadora. Já quis trabalhar com dublagem, que já fiz alguma coisa nesta área, mas adoro e trabalharia mais. Acho legal trabalhar com voz, atuar. Mas tenho um desejo, que é crescente, nestes programas estilo os que passam no canal fechado GNT, neste formato, e independente se é cozinha, de bate-papo, mas é algo que faria bem, inclusive.


Seu Instagram está com quase 85 mil seguidores! Um número expressivo, mas que certamente vai aumentando sempre. É preciso um regramento e um tempo para administrá-lo para manter e crescer, não? E imagino que devem aparecer muitas mensagens diariamente!

São 85 mil no Instagram, mas são quase 1 milhão de seguidores no TikTok! Acabei de receber o registro de ‘verificada’ naquela rede social. Demanda muito de mim, sim. O crescimento orgânico, mas as estratégias de crescimento não, isso depende de mim. Precisamos criá-las. Claro que pode ter algo que posto, acreditando que vai arrebentar, e dá boas visualizações, mas não o tanto que imaginava. E acontece também o contrário. Posto algo bobo, que não precisa de grandes planejamentos, e flui muito bem. Vejo a rede social como um canal de TV, então preciso ter planejamento no que as pessoas vão assistir. Para uma receita, por exemplo, um dia fiz uma doce, no outro salgo, tem que ser em um determinado horário, para tal público. Faz um planejamento geral de todas as redes que tenho, mas por isso que trabalho até mais de 12h.

O contato com os seguidores, então, é parte essencial do trabalho, certo?

Sou uma pessoal extremamente preocupada em responder as pessoas. Primeiro porque ninguém me contratou à toa. Vou dar um exemplo. Uma empresa do setor alimentício da cidade, me contratou para mostrar os produtos, a loja e o que tem de legal para as receitas. Como não responder o seguidor, se ele é um potencial cliente? Se a empresa me contrata, tenho que cuidar bem dos clientes, que são meus seguidores. Às vezes escapa um ou outro, mas tento sempre responder 99% das pessoas que me escrevem, seja no TikTok como no Instagram. Demanda uma energia enorme, mas faço com muito amor do muito. E o legal é que você já faz uma métrica: se tem hater, se está legal o seu trabalho, se você muda. Os comentários mostram como está sendo o seu trabalho.

Recentemente você participou do badalado reality gastronômico Masterchef Brasil. De que forma esta experiência impacta na sua vida pessoal e profissional até hoje?

Foi muito legal, adorei, uma experiência única. Percebo que não teve mudança na minha vida profissional, que já vinha em uma crescente, num volume bom de trabalho. Sempre trabalhar de forma que as pessoas confiaram no que faço, fiz por onde. Não vejo que teve muita mudança, mas nada diferente aconteceu, apenas colho frutos dos meus esforços de anos.

Conte-nos um pouco de como são os três chefs do programa. Como foi estar ali com eles, na frente e atrás das câmeras.

Pensei que teríamos mais contato com eles, que poderíamos conversar mais, mas talvez seja pelo formato da pandemia. Todo momento que as câmeras estão desligadas, eles já não estão mais perto da gente. Mas foi maravilho e eles são bacanas. O programa é ótimo e estar naquela cozinha é realmente mágico. Ficar na frente das câmeras também foi legal. Estar ali, com certeza, marcou minha vida, e a repercussão foi gostosa. É diferenciado ver os chefs comendo a sua comida. Diferente de tudo que vivi.


Por fim, conte-nos de alguns planos para 2021!

Cheia dos planos! Procuro continuar trabalhando de forma planejada e executar de forma bacana. Muita coisa que não consigo realizar no profissional eu sinto que tem a ver com o pessoal, então estou com planos neste sentido. Tenho um sentimento que entrarei ainda mais na comunicação. Colhemos o que plantamos e meu plantio sempre foi sincero, honesto e justo.

Erick Tedesco

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