Maria Teresa, a Teka: exemplo de persistência no esporte

Mesmo aos 61 anos, Maria teresa Ferreira continua ligada ao atletismo CRÉDITO: Selam

“Ainda que eu pudesse, não mudaria uma vírgula do que fiz”. Aos 61 anos, a sorridente Maria Teresa Ferreira, ou apenas Teka, como é chamada frequentemente, é voz autorizada para falar de esportes. Seja no atletismo, onde colecionou inúmeros títulos de ordem estadual, nacional e internacional, ou na beira da pista, contribuindo na formação esportiva de crianças e adolescentes em Piracicaba. Atleta de ponta, Teka viveu o auge da carreira na década de 1970, quando ganhou o mundo calçando sapatilhas. Vice-campeã mundial de cadetes na França, a piracicabana iniciou a trajetória influenciada por outra referência na modalidade: Aparecida de Fátima Adão.

“O meu interesse pelo atletismo surgiu quando eu tinha 14 anos. Lembro que estava passeando pela rua Treze de Maio e encontrei a Fátima Adão. Ela me parou e fez um convite para treinar. Eu já a conheci de nome, mas não tínhamos contato algum. Recordo que senti uma alegria muito grande em meu peito quando recebi o convite. Fui para a pista, comecei os treinamentos e, com três meses de prática, fui convocada pela primeira vez para a seleção paulista”, contou. Os resultados meteóricos, entretanto, não mudaram as prioridades na cabeça da menina. “Sempre fui uma moleca: meu negócio era brincar na rua”, recordou.

Os primeiros títulos estadual e nacional, ambos como infantil, vieram em 1974. A piracicabana tinha 15 anos de idade e disputava a prova dos 600 m. No ano seguinte, sob o olhar do técnico Ídico Pellegrinotti, o Deco, Teka passou a competir nos 400 m rasos. “Foi aí que tudo se transformou”, disse. Em 1976, Maria Teresa Ferreira formou uma equipe histórica ao lado de Aparecida de Fátima Adão, Marlene de Lima e Denise Schiavinatto (e depois Conceição Geremias). “O ano da minha vida foi 1976. Consegui um estágio de aperfeiçoamento por dois meses em Mainz, na Alemanha. Quando voltei, estava muito mais forte fisicamente”, falou.

Com duas conquistas nacionais e um título sul-americano na bagagem, Teka ‘voou’ em 1976. A piracicabana foi campeã paulista no revezamento 4×400 m, prova que também venceu no Campeonato Brasileiro, no Troféu Brasil e no Sul-Americano, disputado na Venezuela. A maior façanha, contudo, viria no Mundial de Cadetes, em Orleans, na França. A atleta foi vice-campeã na prova dos 400 m rasos. “Foi uma alegria muito grande, mas eu ainda era uma menina, não sabia onde estava. O que eu queria era brincar, ficar mais perto dos meus irmãos. Somos oito: seis meninas e dois rapazes. Uma família maravilhosa e todos passaram pelo atletismo”, afirmou Teka, que é irmã de Mazé Ferreira, campeã sul-americana e dona de 100 medalhas em Jogos Regionais e Abertos.

As temporadas seguintes também foram de êxito. Em 1977, o revezamento piracicabano atingiu a histórica marca de 3min47s9 no Campeonato Paulista, que teve sede no Ibirapuera, em São Paulo. “A sintonia entre nós era enorme, corríamos por amor ao esporte. O Deco (treinador) era o nosso ídolo. Tudo o que ele falava, nós fazíamos. E sempre deu certo. Montamos uma equipe fantástica em Piracicaba. Foram anos maravilhosos”, disse Teka. Em 1978, mais uma conquista histórica: o título Ibero-Americano, em Guadalajara. A hegemonia estadual e nacional se manteve até o início da década de 1980. Teka, porém, encerrou a carreira precocemente aos 30 anos. “Casei e tive dois filhos. Na verdade, antes de parar eu corri grávida (risos)”, contou, com o sorriso característico. “Meus dois meninos nasceram dentro da pista. Eu sabia que estava grávida do meu primeiro filho, o Rodrigo, mas não falei para ninguém.

LEIA MAIS:

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite o seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

3 × quatro =