Mario Dedini: Empreendedor, fundador e grande visionário

Matriz da empresa, em Piracicaba abriga museu com pertences do fundador (Foto: Igor Serra)

Grande empresário, um dos mais notáveis artífices da industrialização piracicabana no século 20, visionário, missionário, capitão de indústria. Os adjetivos com os quais era homenageado revelam um pouco do que Mario Dedini significou para Piracicaba e para a indústria de bens de capital. Um modelo de empresário e cidadão que continua a inspirar as novas gerações.

E pensar que tudo começou em uma pequena propriedade rural na cidade de Lendinara, norte da Itália, região do Vêneto onde, em 23 de setembro de 1893 nasceu Mario Dedini. Filho de Leopoldo e Amália Dedini, o menino começou a trabalhar em uma usina de cana-de- açúcar quando tinha apenas 12 anos. Foi lá que ficou sabendo que o Estado de São Paulo procurava mecânicos especializados e começou a pensar na possibilidade e vir ao Brasil e montar uma usina de açúcar.

Aos 19 anos, Mario cursou a Escola Técnica de Desenho Mecânico em sua terra natal e, diante da instabilidade econômica em seu país, decidiu, junto com o irmão Armando Cesare, tentar a sorte no Brasil. Mario deixou a Itália em 1913 e Armando, anos depois.

A primeira parada foi na Usina Amália, do Grupo Matarazzo, localizada em Santa Rosa do Viterbo (SP). Sua vocação para consertar máquinas foi descoberta pelo gerente da empresa, que o encaminhou para a Usina Santa Bárbara, em implantação, na cidade de Santa Bárbara D’Oeste.

Foi lá que encontrou o conterrâneo Adolpho Lourencini e lá começou efetivamente sua trajetória. Foi lá que conheceu a esposa Marianna Corrente, que morava em Piracicaba, na Vila Rezende, e com quem se casou em 1918. Em 1920 decidiu, junto com o irmão Armando, comprar de José Sbravatti uma modesta oficina de carpintaria e ferraria na Vila Rezende, transformada em fábrica e oficina de reparos de carroças, charretes e outros veículos, bem como reparação de peças para máquinas agrícolas, engenhocas, caldeiras e fundição.

Aí nasceu a empresa Mario Dedini & Irmão, que foi tocada pelos irmãos até 1926, quando Armando morreu vitimado por uma epidemia de tifo, que também tirou a vida de Marianna, esposa do fundador. Com três filhos pequenos, Nida (6), Ada (4) e Armando (6 meses), Mario foi buscar a mãe na Itália, para ajudar na criação das crianças.

Em 1928, a oficina fabricou a primeira moenda de cana-de-açúcar para usina e, em 1929, um conjunto completo para moagem de cana. Na década de 1930, com a modernização dos antigos engenhos, Mario ofereceu facilidades para os usineiros para a troca dos equipamentos, como o recebimento dos equipamentos antigos como parte do pagamento. Dez anos depois, já vendia usinas de fabricação própria.

Em 1932, Mario fabricou granadas e as forneceu gratuitamente aos combatentes da Revolução Constitucionalista. A partir da década de 1940, Mario Dedini contou com a ajuda, a dedicação e a competência seu genro Dovílio Ometto, na orientação e expansão dos negócios.

Relatos presentes no Dicionário de Piracicabanos, de autoria de Samuel Pfromm Netto, dão conta que a expansão da cultura de cana levou Mario Dedini a produzir alambiques de aguardente e a fundar com Waldomiro Perissinoto, em 1943, a construtora de Destilarias Dedini (Codistil), especializada na fabricação de destilarias para álcool anidro.

Nos anos 50, surgiram a Dedini Refratários (1952), a Siderúrgica Dedini (1955), a Superkaveá em 1957 (v. Capellari, Humberto). Quando Mario Dedini faleceu, em 1970, seu grupo abrangia 18 empresas e empregava mais de 12.000 funcionários.

Graças a Mario Dedini e ao Grupo que dele se originou, Piracicaba é conhecida como o berço da tecnologia sucroalcooleira no país, tendo uma participação da ordem de 60% no mercado de equipamentos para o setor sucroalcooleiro.

Mas não foi só isso. Mario Dedini é reconhecido como grande benemérito. Instalou a primeira maternidade da Santa Casa de Piracicaba, inaugurada em 1954, que ganhou o nome de sua mãe, Amália Dedini.

Sua contribuição foi decisiva para a encampação do serviço de água da cidade pela prefeitura, origem do atual Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), graças ao vultoso empréstimo que fez ao governo municipal. Doou ferro para a construção das sedes do Clube Treze de Maio e do Centro Acadêmico Luiz de Queiroz.

Construiu a Igreja da Vila Rezende, postos de puericultura e ajudou a inúmeras obras assistenciais de Piracicaba.

Seu dinamismo e arrojo foram fundamentais para o surgimento das escolas de ensino técnico em Piracicaba, caso da escola Senai, que ganhou seu nome.

Ainda vivo, recebeu os títulos de Comendador e Grande Oficial, concedidos pelo Governo da Itália, assim como a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, pelo Governo brasileiro. Uma lei municipal atribuiu-lhe em 1952 o título de Cidadão Piracicabano.

No governo Abreu Sodré, o Ginásio Estadual de Vila Rezende recebeu seu nome. Em maio de 2001, foi inaugurado um museu com seus pertences pessoais, doados pela família, em dependência da empresa.

Em 2005, a Assembleia Legislativa do Estado aprovou projeto que deu a denominação de “Rodovia do Açúcar Comendador Mario Dedini” à SP-308, no trecho entre Piracicaba e Salto (SP). Na Vila Rezende, há uma avenida com seu nome. Em 2006, o Distrito Industrial Norte (Uninorte) ganhou a denominação “Comendador Mario Dedini”.