Mato alto coloca estação ecológica em risco de fogo

Foto: Gaema/Ministério Público/Piracicaba

Uma das áreas mais importantes do Estado está sem aceiro

A falta de aceiros na região da Estação Ecológica Barreiro Rico pode colocar em risco de incêndio toda área de preservação, inclusive o Tanquã. A região de florestas do Barreiro Rico é um grande e inestimável reduto da biodiversidade paulista: tem 80% da fauna de mamíferos de médio e grande porte existentes no Estado de São Paulo e mais de 270 espécies de aves e rica flora – inclusive, a estação é habitat do macaco muriqui, espécie em extinção. Durante o início desta semana, a operação Huracan uniu as forças do Ministério Público e Polícia Ambiental para uma vistoria no local a fim de acionar empresas, departamento público e proprietários na zona rural para que limpem faixas do terreno como forma de bloqueio para as queimadas típicas do período de estiagem.

Deflagrada em todo o Estado paulista, a operação tem por objetivo reforçar a prevenção de queimadas e incêndios florestais, e consequentemente, a minimizar os impactos no meio ambiente e na saúde pública. A ação estadual contou com o contingente de 1.200 policiais militares, promotores de Justiça e técnicos do Gaema (Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo) e 430 viaturas e drones.

O promotor de justiça do Gaema, Ivan Carneiro Castanheiro, acompanha a operação pelo Ministério Público e avalia como importante o trabalho da Huracan. “Isso porque é uma ação pró ativa e não reativa, com o objetivo de evitar as queimadas. A não-existência de aceiros potencializa o risco de queimadas na estação ecológica de proteção integral e, mesmo na área de proteção ambiental particulares, [um incêndio pode chegar a] amplitudes maiores, até o Tanquã.”

NOTIFICADOS
A urgência de faixas sem vegetação (aceiros) nos arredores do Barreiro Rico é de reponsabilidade da Elektro Distribuidora de Energia, DER (Departamento de Estradas de Rodagem), além de fazendeiros de cana-de-açúcar.

Todos eles receberão notificações da Polícia Ambiental e deverão ter prazo de 30 para corrigir o problema – uma nova operação de fiscalização está programada para checar os aceiros. Na primeira quinzena de julho, o Gaema tem reunião agenda com a Elektro e DER. A empresa de energia não respondeu aos questionamentos da reportagem do Jornal de Piracicaba. Já o DER informou que os trabalhos acontecerão em julho. “Qualquer indício de fogo, fósforo ou bituca de cigarro, que seja jogado na estrada vicinal para Anhembi pode causar um incêndio de grandes proporções, como aconteceu 2012 e em 2018. Vencendo as notificações sem providências, o MP fará a autuação. Espera-se que, nesses 30 dias, esses proprietários ajam voluntariamente”, disse o promotor do Gaema.

Cristiane Bonin
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