MCCP utiliza a sátira para levar informação e despertar a atenção

O agente de Polícia Judicial, Walter Brandi Koch Rodrigues, 40 anos, é membro do PSL (Partido Social Liberal) em Piracicaba, onde lidera o MCCP (Movimento Contra Corrupção de Piracicaba). Koch é santista, filho do casal Hildegard Koch e José Carlos Rodrigues. Casado com a dona de casa Raquel Rodrigues, ele é pai de Sara (9), Artur (8) e Eduardo (2).

Nas últimas semanas, Koch passou a ser visto como o inimigo número um da Câmara Municipal de Piracicaba. A postura crítica e posts (alguns atribuídos equivocamente ao movimento, como garante), renderam uma moção de repúdio da Casa de Leis.

Neste Persona, ele fala de sua atividade profissional, dedicação ao movimento contra corrupção e avalia o trabalho dos parlamentares e do prefeito Luciano Almeida (DEM).

O senhor é agente de Polícia Judicial, qual a função e atuação dessa polícia em Piracicaba?

A PJ (Polícia Judicial) é uma instituição policial do Poder Judiciário, à qual, de acordo com a Resolução CNJ n° 344/2020, compete assegurar a boa ordem dos trabalhos do tribunal, proteger a integridade dos seus bens e serviços, bem como garantir a incolumidade dos magistrados, servidores, advogados, partes e demais frequentadores das dependências físicas dos tribunais em todo o território nacional. Também atua na segurança e escolta de juízes ameaçados e expostos a alguma situação de risco decorrente do exercício de sua função. Essa pergunta é importante, pois a maioria da população não conhece a Polícia Judicial e a imagem desta reportagem unida e essa resposta será útil para informar os leitores.

Quando foi criado o Movimento Contra Corrupção em Piracicaba e como o senhor avalia a atuação do movimento na cidade?

O MCCP Movimento de Combate a Corrupção em Piracicaba – se inicia em 2018 após a vitória do atual presidente da República e os desdobramentos da Operação Lava Jato. Ver políticos corruptos indo para a prisão nos deu coragem e força para iniciar o trabalho do movimento. Em carreira solo, minha primeira denúncia ao Ministério Público foi a respeito da iluminação da Praça de Pesagem Rodovia Luiz de Queiroz. Observei que lá nem antes ou depois, jamais houve pesagem no período noturno, ensejando no mínimo, mau uso do dinheiro público. A atuação do MCCP é ativa e muito combativa. Utilizamos muito da sátira para levar a informação, despertando a atenção e interesse da população. Já identificamos compra de colchões em loja que não vendia colchões, empresas impedidas de licitar com contratos ativos e até conseguimos retirar um secretário municipal de Educação, fazendo cumprir a Lei da Ficha Limpa Municipal. O MCCP tem amadurecido e vem ganhando cada vez mais o respeito e confiança da população, que em troca, nos repassam informações e denúncias. Infelizmente sou o único a mostrar o rosto para população, para preservar os demais integrantes de perseguições e ameaças. Temos ativas no MCCP, 25 pessoas e utilizamos de codinomes para falar de alguns integrantes, sendo dois deles conhecidos como “Diácono” e o “Bispo”, liderando ao meu lado. Ao “Diácono”, todo o meu respeito e admiração ao excelente trabalho e pelos vídeos maravilhosos que ele produz. Muito obrigado.

O movimento está ligado a partidos políticos? Quais?

O MCCP não tem ligação com partido político algum. Temos entre os integrantes filiados em partidos de esquerda e direita e não filiados em partido algum. O “Diácono” e o “Bispo” por exemplo, não possuem filiação partidária, eu sou filiado ao PSL.

Recentemente a Câmara Municipal aprovou uma moção de repúdio contra o senhor, por manifestações e críticas ao trabalho do Legislativo. Como o senhor avalia essa atitude?

Esta moção de repúdio é ilegal e mentirosa. Não respeitou o regimento interno da casa, ao não ser submetida à Comissão Permanente de Legislação, Justiça e Redação, para análise e imputaram a mim e ao MCCP duas imagens não produzidas por nós, tornando assim, este documento nulo e criminoso. Com relação as demais publicações, sustento cada uma delas e afirmo que respeitaram os limites legais. Além das imagens, o texto da moção está recheado de mentiras, como por exemplo a acusação de organizar no dia 20 de setembro uma manifestação em frente à Câmara, sendo este fato, inverídico pois fui como convidado. Avaliamos essa moção como tentativa clara de intimação e perseguição por medo das verdades que trazemos a tona diariamente. O desespero desses vereadores é tão grande que tentam atingir o meu trabalho encaminhando documentos falsos na tentativa de fazer com que eu perca meu trabalho. As minhas ações junto ao MCCP em nada se confundem com o meu trabalho, onde costumeiramente sou elogiado pelo que faço.

Qual sua avaliação quanto ao trabalho da atual Câmara Municipal?

A atual composição camarária inicia o mandato com uma mudança inconstitucional na Lei Orgânica do Município, faz uso da máquina pública para atacar opositor e se até o momento seguimos com problemas advindos da gestão anterior. Mesmo após ter sido obrigada pelo Ministério Público a extinguir cargos comissionados, a Câmara resolveu criar novos cargos comissionados. Fizemos uma representação junto a PGE e esta foi acolhida. Além de tudo isso, diversas mentiras são ditas durante a sessão que são desmentidas por nós. A parte mais grave é quando a população é envergonhada e humilhada, como no caso do cidadão que foi usar a Tribuna e lhe foi imposto o uso da máscara e neste mesmo dia, outros três vereadores não usaram, entre eles o presidente da casa.

Na sequência, o senhor protocolou uma representação contra a Casa no Ministério Público do Estado de São Paulo. O que o senhor pede na representação?

Peço que sejam investigados os atos ilícitos cometidos e o descumprimento do Regimento Interno.

O senhor citou, em sua denúncia ao Ministério Público, uma frase da escritora russa Ayn Rand. Poderia comentar o quanto sua filosofia o influenciou e se os governantes deveriam lê-la?

Tenho que confessar que a citação da escritora, foi sugestão do Diácono. Li e de imediato acolhi a sugestão. A origem judia da escritora me remete aos meus antepassados de origem alemã e a parte que diz “quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. Este trecho mostra com clareza a realidade da nossa nação.

Beto Silva
[email protected]

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