Médico alerta para carência de tratamento contra câncer

Fernando Medina lembra que centro cirúrgico permanece fechado e defende vacinação em massa. (Foto: Divulgação)

A carência no tratamento do câncer durante a pandemia preocupa o médico oncologista Fernando Medina, responsável pelo Cecan da Santa Casa. “Nós estamos com o centro cirúrgico fechado, os respiradores estão sendo usados para tratar casos de Covid-19”, alertou, ao participar, nesta sexta-feira (26), da live no perfil do Instagram do programa Parlamento Aberto, desenvolvido pela Câmara Municipal de Piracicaba.

Ele lembra que, em virtude da pandemia, houve uma queda no número de pacientes oncológicos e, por conta do centro cirúrgico estar fechado, os procedimentos que só para câncer de mama chegavam a ser “três ou quatro” por semana, estão suspensos. O especialista também se preocupa com o “represamento de diagnóstico”, já que a doença é progressiva e tem maior chance de cura quando diagnosticada de forma precoce.

Para ele, a grande solução para que a sociedade retome um ritmo mais normalizado de convivência é a vacina. “Acho que nós temos que vacinar, e temos um setor fantástico de saúde no Brasil que é o Sistema Único de Saúde”, defendeu.

No caso do câncer de intestino, quando o diagnóstico é ainda no órgão, a chance de cura chega a 91%, porém, essa probabilidade vai diminuindo na medida em que se espalha nas regiões mais próximas e cai a 15% quando se pega órgãos como o fígado, “que é muito mais complicado de se tratar”, aponta Medina.

“Tem tratamento, tem solução e são (os cânceres de intestino) muito mais curáveis que outros tumores malignos de uma maneira geral”, disse, ao informar que a incidência de casos entre homens e mulheres é parecida.

Medina reforça que a prevenção é importante, tanto a partir dos chamados “exames de rastreamento” até a colonoscopia, “que, a despeito de ser um exame extremamente invasivo, é fundamental para o diagnóstico e, muitas vezes, para tratamento de lesões pré- -malignas”, esclarece.

Mas a prevenção também é resultado do estilo de vida. Pessoas obesas e com mais de 55 anos fazem parte do grupo de risco para o câncer de intestino. Existe uma população com predisposição genética, os casos hereditários e que pode atingir pessoas mais jovens entre 28 e 30 anos, e pacientes que tenham doenças inflamatórias intestinais.

“No Cecan temos um conceito que nos acompanha há mais de 25 anos que é o de quem procura, cura”, disse, lembrando que os pacientes com predisposição devem fazer a colonoscopia de maneira anual ou de acordo com a indicação médica.

Também é possível prevenir a partir da alimentação, além de realizar atividades físicas periódicas. Medina ressaltou que alguns dos “vilões” são os alimentos processados como presunto, linguiça e salsicha e o alto consumo de carnes vermelhas. Já os alimentos “protetores” são legumes como cenoura, mandioquinha e repolho, além de frutas, principalmente as amarelas e vermelhas, como goiaba e mamão, uma vez que são alimentos ricos em fibras que ajudam a mucosa intestinal. Embora o câncer de intestino grosso ser o terceiro de maior incidência no País, com cerca de 36,3 mil novos casos por ano, conforme dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), ainda carece de mais campanhas de conscientização.

Da Redação

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