Médico aprendeu a conviver com o Parkinson há 12 anos

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Mestre em cirurgia e traumatologia usa humor e conhecimento para encarar a doença. (Foto: Divulgação)

Na data em que se comemora o Dia Nacional do Parkinsoniano, 04 de abril, a Santa Casa de Piracicaba rende homenagem ao mestre em cirurgia e traumatologia buco maxilo faciais Pérsio Azenha Faber, 76, membro do Corpo Clínico da Irmandade.

Ele enfrenta a Doença de Parkinson há doze anos, tendo o conhecimento e o bom humor como bases para lidar da melhor maneira possível com os desconfortos que ela pode provocar. “Fica muito difícil se realinhar diante dos sintomas e da profusão de sentimentos decorrentes da doença, sem compreender como ela afeta nosso organismo”, disse Pérsio Faber.

Isso porque a Doença de Parkinson é crônica, degenerativa, de ordem neurológica e ainda pouco conhecida. É incomum antes dos 50 anos, tornando-se mais frequente entre 85 e 89 anos, quando atinge o sistema nervoso central e limita a produção de dopamina provocando como primeiros sintomas a lentidão dos movimentos, diminuição do tamanho das letras ao escrever e tremores nas extremidades das mãos, muitas vezes percebidos apenas por amigos e familiares.

Mas nem sempre os tremores são o primeiro sintoma. O paciente pode começar a ter dificuldade de abotoar uma camisa, calçar o sapato ou levar o garfo à boca. A doença também causa lentidão para as atividades, rigidez muscular, redução da quantidade de movimentos, distúrbios da fala, dificuldade para engolir, depressão, dores e tontura, além de distúrbios do sono, respiratórios e urinários.

Pérsio conta que a doença começou a se instalar devagarinho a partir de 2008, quando ele tinha 63 anos e atuava como cirurgião e chefe do Departamento de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Faciais da Santa Casa de Piracicaba, onde implantou o Ambulatório Odontológico em 2000, ao lado de uma equipe de especialistas no atendimento das urgências de Piracicaba e região pelo SUS- Sistema Único de Saúde/SUS.

Ele esteve à frente também da implantação de um dos primeiros cursos de especialização em cirurgia e traumatologia buco maxilo faciais do país, oferecido desde o ano 2000 por intermédio da Santa Casa e da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas).

“Quase nem percebi. Quando me dei conta comecei a apresentar sinais de micrografia, que é quando a letra diminui de tamanho à medida que você escreve; e isso limitou a minha escrita”, conta o cirurgião, que há quatro anos lançou o livro “Rir é a melhor receita” junto à Associação Brasil Parkinson Núcleo Piracicaba (Colibri) com a proposta de ajudar a desmistificar a doença.

“Somos todos formadores de opinião e temos o compromisso de transmitir conhecimentos que agreguem e tornem o outro mais independente e feliz”, disse Pérsio ao justificar o empenho em divulgar a Doença de Parkinson, seus sintomas e tratamento.

Ainda não há cura, mas é possível retardar a evolução do Parkinson

De acordo com o neurologista Lucas Naves de Resende, do Centro de Especialidades do Plano Santa Casa Saúde, a Doença de Parkinson surge por causa da degeneração das células que produzem dopamina no cérebro. “Sem receber essa substância, o organismo para de funcionar como deveria e os movimentos vão se tornando cada vez mais lentos e limitados”, disse.

Em 15% dos casos há história de casos semelhante entre familiares, mas o principal fator de risco é a idade. “Quanto mais a pessoa vive, maior a chance de desenvolver a doença”, explica o neurologista, lembrando que cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. Só no Brasil, mais de 200 mil pessoas sofrem com o problema.

Da Redação

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