Médico nega pandemia e diz que idosos não devem ficar em casa

Paciente ficou perplexo com discurso de médico sobre pandemia | Foto: Claudinho Coradini/JP

Paciente do SUS (Sistema Único de Saúde) em Piracicaba denuncia ao Jornal de Piracicaba o negacionismo de um médico da rede durante as consultas na UBS (Unidade Básica de Saúde) de Santa Terezinha, Alexandre Van Oorshot. As informações foram obtidas por meio de uma gravação entre paciente e médico.

Um homem, que pediu anonimato, durante uma consulta em meados de janeiro passado, conta que o médico minimizou a pandemia, criticou o isolamento social e sugere complô entre o governo chinês e a mídia para causar pânico na população.

Para o médico, na gravação, a pandemia da covid-19 é “o maior ‘conto do vigário’ que viu na face da Terra até hoje”. Ele também considera inviável que a doença, no caso a do novo coronavírus, seja capaz de aplacar o mundo inteiro no período de um ano.

O paciente ainda questionou sobre a catástrofe em Manaus, no Amazonas. “Seriam 300 mil caixões lá”, foi a resposta do servidor público, sugerindo que, se eventualmente a crise da covid-19 no estado do Norte do país fosse real, haveriam mais mortos.

O homem ainda alerta que o médico reproduz uma fake news sobre o caso ao dizer que “os oxigênios estavam na casa do governador [Wilson Lima]”. O que aconteceu é que a produção diária era menor do que a necessitada.

O médico continuou com teses para provar que a pandemia é uma ilusão, disse o paciente. “É sempre longe. Você morreu? Seu vizinho da frente morreu? Eu morri? Ninguém com quem você tem contato morreu”. O paciente afirma que tentou rebater as afirmações, mas o médico foi irredutível. “Pura fantasia, pandemônio de Rede Globo”, falou ao paciente.

Outro afirmação infundada do médico, conta o homem, foi dizer que, apesar de acreditar na existência do vírus, fala que “foi fabricado na China e espalhado no mundo de propósito”, segundo as palavras de Oorshot. “O médico disse que ‘como tudo que é chinês é mal feito’, falou que a pandemia não é deste tamanho e alegou, sem provas, que se os chineses não estivessem pagando a mídia para fazer escândalo, nunca na vida saberíamos da existência do vírus”.

As insatisfações dos pacientes do SUS, no entanto, não chegaram ao conhecimento da Prefeitura. Em nota, a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) ressalta que “não tem conhecimento da postura do médico citado”, mas enfatiza que “não compactua com esse tipo de comportamento e opinião”.

A pasta tampouco vai questionar diretamente o médico para pedir esclarecimentos, e esclarece que precisa de uma reclamação formal e por escrito do paciente/acompanhante, junto à Secretaria de Saúde, para que possa tomar “medidas administrativas cabíveis, com possível abertura de processo de sindicância”, informa via assessoria de imprensa.

Já o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), também em nota, afirma que “não foi acionado até o momento”, mas pondera que pode abrir sindicância para investigar o caso.

“O que essas senhoras e senhores vão fazer se escutarem esse médico? Já temos uma tentativa de negacionismo científico e discurso antivacina proliferando por redes sociais, com ampla penetração. Será um aval para a comunidade agir como se fosse, de fato, ‘apenas uma gripezinha’ isso me preocupou e me motivou a tomar essa atitude”, disse o denunciante ao JP.

Da Redação

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1 COMENTÁRIO

  1. Se a Secretaria de Saúde fosse preocupada com Piracicaba e sua população, teria uma conversa com o médico para amenizar o problema que poderia causar esse suposto comportamento do médico, que deve estar a serviço da população.

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