Medidas protetivas tem aumento de 30% na quarentena, segundo MP

Mulheres ainda tem medo de denunciar agressor, adverte o Projeto Heroica (Amanda Vieira/JP)

A quarentena que vigora por causa da pandemia provocada pelo coronavírus (covid-19) tem provocado aumento dos casos de violência contra a mulher, de acordo com o CAOCrim (Núcleo de Gênero e do Centro de Apoio Operacional Criminal) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). A estimativa foi o aumento de 30% no número das medidas protetivas decretadas em caráter de urgência. Em março deste ano, foram 2.500 medidas protetivas, ante 1.934 no mês anterior.

De acordo com o MP, houve reflexo da profusão de casos de violência doméstica em virtude do maior número de horas que as mulheres têm ficado expostas a seus companheiros.

A presidente do Projeto Heroica e da Comissão da Mulher Advogada da Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba, Simone Seghese de Toledo, disse que ainda não tem o número dos registros em Piracicaba. “Por conta da quarentena, tivemos que retirar a equipe que estava trabalhando na pesquisa destinada a levantamento de dados da Delegacia de Defesa da Mulher. Mas estivemos estudando essa situação de violência e agressividade que tem sido propagada pela mídia relacionando como um dos efeitos da quarentena”, afirmou Simone.

A advogada considerou que historicamente, todas as crises fomentam a agressividade, aumentam a marginalidade e a criminalidade, das crises econômicas às catástrofes naturais como tsunamis e terremotos onde pessoas são vistas saqueando lojas e supermercados.
“Para podermos entender como isso acontece, as razões e as relações reais ou imaginárias de uma piora no comportamento do ser humano ao estar confinado compulsoriamente”, completou Simone.

Segundo ela, outra luta que está sendo enfrentada é sobre o receio da vítima na hora de fazer a denúncia.

“Estamos estudando o caminho das notificações ainda, mas, com certeza, temos um enorme preconceito ligado a esse tema, as mulheres têm vergonha de estarem nessa situação, as vezes não comentam nem com a família. Então, o nosso trabalho é até de ajudar que a agredida entenda que o que passa não é mero aborrecimento e que pode custar-lhe a vida”, enfatizou a defensora.

WEBNÁRIO

Pensando em divulgar mais questões relacionadas à comunidade, o Projeto Heroica e Comissão da Mulher Advogada prepararam um webnário que será realizado nesta sexta-feira (17), às 19h, sobre o tema com o psicólogo Sérgio de Oliveira.

Serão tratados temas relacionados as novas formas para lidar com nosso sofrimento, medos e angústias. Como lidamos com as expectativas quebradas.
Os interessados podem inscrever-se pelos contatos da Comissão da Mulher da OAB ([email protected] ou 98444.8380) ou do Projeto Heroica ([email protected] ou 98330.0480) data em que receberão o link de participação na sala de aula.

Cristiani Azanha

[email protected]

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