Medo excessivo de contágio tem causado ‘coronafobia’, diz estudo

Foto: Alessandro Maschio/JP

Termo foi denominado após estudos realizados nos Estados Unidos com a participação de 500 pessoas

Desde o início da pandemia do coronavírus, há pouco mais de um ano, a manicure e esteticista Eli Telles, adotou todas as medidas e protocolos necessários para evitar o contágio. “Desde o início uso máscara, lavo sempre as mãos quando saio para ir ao supermercado, à farmácia e ao banco, procuro usar álcool em gel e fazer o distanciamento”, enfatiza. Por trabalhar com o público, Eli reforça ainda mais os cuidados; atende um cliente por vez para não aglomerar. Na vida social, ela garante que há um ano não se encontra com parentes e amigos. A ansiedade e o medo em ser infectada e ficar doente de covid-19 só aumentaram com as notícias de mortes de pessoas conhecidas.

Apesar de todo cuidado e de seguir à risca o protocolo, Eli foi infectada e ficou doente de covid-19. “A partir do momento que fui infectada tive que redobrar os cuidados”, revela.

É uma doença sofrida, física e mentalmente falando, se cuidem, procurem não aglomerar pra esse vírus não proliferar ainda mais”, aconselha.

Com um cenário de tantas incertezas sobre a doença e o surgimento de novas variantes, o medo de se infectar se torna mais presente nas pessoas, o que pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade em excesso.

Esse comportamento já diagnosticado em pacientes é chamado pelos estudiosos da psicologia como ‘coronafobia’.

O nome, sugerido pelos pesquisadores, se deu pela situação atual da pandemia. O termo coronafobia foi denominado após estudos realizados nos Estados Unidos com 500 pessoas, no qual foi verificado que os casos de ansiedade e depressão estavam relacionados à covid-19.

A professora coordenadora do curso de psicologia da Faculdade Anhanguera, Mariana Negri, explica que o problema pode aparecer em pessoas sem transtornos psíquicos, mas tende a surgir com maior intensidade em quem tem algum diagnóstico anterior de depressão e de ansiedade como a síndrome do pânico e transtornos obsessivos, pois essas pessoas são mais suscetíveis a determinadas situações que geram ansiedade e outros sofrimentos psíquicos.

“Além de problemas comportamentais, caracterizado como coronafobia pelos pesquisadores, as pessoas podem apresentar problemas relacionados ao sono, dificuldades de respirar, coração acelerado e palpitações, sintomas que caracterizam crises ansiosas. Por isso é de extrema importância o acompanhamento com um psicólogo e, em alguns casos, um psiquiatra, pois em muitos o comprometimento impede atividades do cotidiano, sendo assim, necessário o uso de medicamentos, que melhoram quando combinados com a psicoterapia”, aponta.

Beto Silva
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