Melissa Maximino Pastor: Combate ao tráfico de drogas e a corrupção

Melissa Maximino Pastor tem uma personalidade forte e está a frente do tempo. Desde o início de seu curso de Direito, na Universidade Mackenzie sempre se interessou pela área criminal. Em 2004 soube que estava aberto um concurso para a Polícia Federal, que é um dos mais procurados da área. Ela foi aprovada no primeiro e único concurso que prestou na vida.

Para se ter uma ideia, no curso de 2018 da Polícia Federal tiveram 17.816 inscritos para 150 vagas—concorrência de 118,7 por vaga.




Desde o início de sua carreira como delegada de uma das instituições mais respeitadas do País, Melissa manteve o pulso firme e não se intimidou no universo de trabalho, que ainda é predominantemente masculino.

Tem experiência em operações importantes contra o tráfico internacional de drogas. Também atuou em importantes operações contra corrupção, crimes financeiros, desvio de recursos públicos. Entre as ações estão o ‘Tendão de Aquiles’, que foi primeiro caso de prisão preventiva pelo crime de insider trading no País (uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado de ações). A investigação incriminou Joesley e Wesley Batista por meio das empresas JBS e FB Participações, por uso de informações privilegiadas e manipulação de mercado.

A delegada participou ainda da Operação Boca Livre, que apurou grandes empresas patrocinadoras de projetos culturais aprovados por meio de um grupo especializado em apresentação e aprovação de projetos junto ao Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, totalizando desvio de cerca de R$ 25 milhões. Segundo a PF, a operação desarticulou uma associação criminosa voltada para a prática de estelionato contra a União, que atuou por quase duas décadas junto ao Ministério da Cultura e foi investigada por fraudes como superfaturamento, apresentação de notas fiscais fictícias, projetos duplicados e, por fim, as contrapartidas ilícitas realizadas às patrocinadoras, que agora são objeto da segunda fase da operação.

Ainda como operação de destaque, Melissa também atuou na “Prato Feito”, que investigou 30 prefeituras do interior. A investigação constatou que os alunos dos respectivos municípios recebiam merenda de qualidade inferior, devido ao cartel de empresas que atuava há, pelo menos, 20 anos no desvio de dinheiro público. De acordo com a PF, os recursos eram desviados do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), do governo federal. No total, a estimativa é que 65 contratos suspeitos tenham envolvido mais de R$ 1,6 bilhão.

Outro destaque na carreira da delegada foi a sua participação na Operação “Salvo Conduto” contra a lavagem de dinheiro, que teria o envolvimento do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mang, conhecido como Teodorin – que seria inclusive proprietário de uma cobertura duplex de mais de 1.000 metros quadrados localizada nos Jardins, área nobre de São Paulo. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Hortolândia, Jundiaí e Distrito Federal, todos expedidos a pedido da Polícia Federal.

De acordo com a PF, a Justiça Federal também bloqueou seis carros de Teodoro Obiang – uma Lamborghini, uma Maserati, um Porsche, uma Mercedes-Benz, um Ford Fusion e uma Hyundai Santa Fé.

Após suas participações em operações de destaques internacionais, em fevereiro de 2020, Melissa foi chamada para um novo desafio na carreira. Foi convidada a assumir a chefia da Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba, que conta com a circunscrição de 29 municípios, com população total de 2 milhões de habitantes. Recentemente, a nova chefe da delegacia participou de uma reunião com vereadores da cidade, e antecipou que um de seus primeiros objetivos é a melhoria das instalações da unidade. Em razão do número elevado de atendimentos prestados no prédio situado no São Dimas (cujo aluguel, de R$ 16 mil, é pago pela Prefeitura) e dos problemas estruturais que o imóvel apresenta, uma das possibilidades que estão sendo avaliadas é a busca por uma nova sede em Piracicaba.

Desde a sua nova função na carreira, adotou a cidade como seu novo lar. Acolhida pelos servidores piracicabanos, a delegada gostou das características da cidade, bem diferente do trânsito que enfrentava em São Paulo.

Mesmo com uma vasta experiência em suas funções, assim como a maioria dos brasileiros também teve que se reinventar nesta época de pandemia do novo coronavírus, que mudou a rotina de todos. Com a Polícia Federal não foi diferente. A instituição também tem adotado uma nova rotina. Houve redução de atendimento ao público e suspensão de diligências que impliquem em contato humano. As demais atividades prosseguem, com a equipe de prontidão em sobreaviso.

Casada e mãe e dois filhos, ela lê diariamente a Bíblia, que adota como seu grande manual de vida. Já em seus momentos de lazer, gosta de leituras sobre temas diversos. Entre os seus preferidos estão educação de filhos, inteligência emocional, biografias e psicologia. “Terminei recentemente de ler um livro bem interessante de Sheryl Sandberg: Faça Acontecer”, indica Melissa.

Mesmo com todas as suas atribuições, Melissa dedicou parte do seu tempo para responder as perguntas do Jornal de Piracicaba e o caderno Persona. Confira um pouco sobre a personalidade e carreira de Melissa.Qual a importância da família?
Acredito que a família é o bem mais precioso que temos.

Onde nasceu?
Nasci em Presidente Venceslau, em São Paulo. Estou residindo em Piracicaba desde fevereiro deste ano.

Qual sua a formação?
Cursei Direito na Universidade Mackenzie.

Como decidiu em fazer parte da Polícia Federal? Era apaixonada pela área criminal na universidade. Em 2004, o concurso para Polícia Federal foi aberto. Foi o primeiro e único concurso que prestei.

Considera que ainda é um universo masculino?
É um universo predominantemente masculino.

Quais as ações que participou e considera que foram de destaque?
Tive o privilégio de participar de importantes operações especiais de combate ao tráfico internacional de drogas quando atuei no Aeroporto de Guarulhos e de combate à corrupção e crimes financeiros, na Delecor/SP (Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros). Recordo-me das operações dos últimos anos: Conexão Remota (tráfico).

Atuou em operações relacionadas a desvio de recursos?
Atuei nas Operações Boca Livre e Boca Livre S/A (desvio de recursos públicos da Lei Rouanet), Hefesta (desvio de recursos público do Museu do Trabalho em São Bernardo do Campo), Papel Fantasma/Encilhamento (desvio de recursos públicos), Salvo Conduto (lavagem de dinheiro envolvendo o vice-presidente da Guiné Equatorial), Prato Feito (desvio de recursos públicos destinados à merenda, uniforme e material escolar, que alcançou 30 prefeituras paulistas), Trato Feito (desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo a Administração Pública de Mauá) e Tendão de Aquiles (primeiro caso de prisão preventiva pelo crime de insider trading no país).

Como surgiu a oportunidade de chefiar a Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba?
Há um ano havia solicitado a possibilidade de trabalhar no interior. Em janeiro deste ano fui surpreendida com o convite para trabalhar em Piracicaba.

Quais são as principais atividades da Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba?
Como toda Delegacia da Polícia Federal, há as atividades de polícia judiciária (condução de investigações policiais) e de polícia administrativa. Nesta, temos os setores de emissão de passaportes, atendimento a estrangeiros, controle de produtos químicos, fiscalização de agências bancárias, empresas de vigilância e controle para aquisição e posse de arma de fogo. A Delegacia de Piracicaba abarca a circunscrição de 29 municípios.

Como a Polícia Federal tem atuado diante da atual situação de pandemia?
Em atenção às determinações de quarentena, houve redução de atendimento ao público e suspensão de diligências que impliquem em contato humano. As demais atividades prosseguem, com a equipe de prontidão em sobreaviso.

Quais são suas pretensões para o futuro?
Não tenho pretensões. Busco diariamente fazer a diferença onde estou.

Como foi recebida aqui em Piracicaba?
Fui muito bem acolhida. A equipe de servidores e colaboradores da delegacia é excelente.

Qual sua identidade com Piracicaba?
Nasci no interior e buscava há anos voltar a viver fora da Capital. Não conhecia Piracicaba e fiquei surpresa em notar que se trata de uma linda cidade do interior com toda estrutura de cidade grande, sem os problemas que enfrentamos em São Paulo, de trânsito e poluição.

O que gosta de fazer quando está de folga?
Praticar atividade física, dedicar-me à família, ler e meditar.

Gosta de ler? Quais são seus autores favoritos?
Gosto muito de ler. Leio diariamente a Bíblia, meu manual de vida e faço devocional com meditação diária. É nessa palavra que encontro forças e fé diária para minha caminhada. Também leio livros diversos, sobre educação de filhos, inteligência emocional, biografias e psicologia (Paul Ekman). Atualmente estou lendo “Mindset – a nova psicologia do sucesso”. Terminei recentemente de ler um livro bem interessante de Sheryl Sandberg, “Faça Acontecer”.

Cristiani Azanha