Meninas têm a saúde mais afetada

Foto: Charles Parler/Pixels

Estudos revelam que as meninas com sobrepeso podem vir a sofrer mais problemas de saúde que meninos

Não é novidade que a obesidade é um problema sério que a humanidade vem passando, alguns especialistas denominam esse problema como “pandemia silenciosa”, pois por mais que seja visível os problemas de ser obeso e todas as comorbidades que essa situação trará, muitas pessoas ignoram sua situação atual, contudo não deveriam, principalmente as crianças, em razão que o processo da perca de peso e melhoramento da condição física se dificultará na vida ao passar dos anos.

E não pense que são poucas as pessoas atingidas por essa pandemia, de acordo o com a OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2016, mais de 340 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam com sobrepeso ou obesos.

Ter uma criança em tal situação de saúde é ruim, mas ela sendo uma menina pode ter quadro ainda mais preocupante.

Na semana passada, a Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) publicou uma notícia escrita por Karina Ninni, sobre um estudo recente feito com 92 adolescentes, em que os resultados sugerem que as meninas são mais propensas do que os meninos a desenvolver alterações metabólicas associadas à obesidade, entre elas hipertensão e dislipidemia – como é chamada a elevação dos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue.

Segundo os autores, os dados revelam com meninas sem sobrepeso . A conclusão é que as garotas do primeiro grupo têm mais predisposição a sofrer de doenças cardiovasculares na vida adulta. “Observamos que as meninas são muito mais propensas às alterações típicas da obesidade, como hipertensão e dislipidemia. Elas apresentaram níveis aumentados de triglicerídeos e LDL, o chamado colesterol ‘ruim’, enquanto o HDL, o colesterol ‘bom’, foi menor em comparação às meninas eutróficas [sem sobrepeso]”, revela a bióloga Estefania Simoes, primeira autora do trabalho.

Em quanto isso o perfil lipídico dos meninos obesos não apresentou diferenças significativas quando comparado com o dos meninos saudáveis, segundo os cientistas.

Embora a questão venha ocupando cientistas e grupos de pesquisa há algum tempo, a ocorrência da obesidade na adolescência sob o ponto de vista das diferenças entre os sexos ainda é um tema pouco explorado e por isso não se sabe ao certo por que o fator de ser uma menina facilita problemas cardíacos no futuro. “Até onde sabemos, trata-se do primeiro estudo com essa abordagem multifatorial”, comentou a pesquisadora.

De acordo com Estefania, esses novos dados relativos às diferenças observadas entre meninos e meninas no padrão de hormônio, citocinas (substâncias expelidas das células) e neuropeptídeos (substências químicas liberadas pelas células) apontam a necessidade de tratamentos diferentes dos padrões gerais. “Por mais que se queira fazer um tratamento único, no que diz respeito a fármacos ou suplementação alimentar, o que os dados mostram é que talvez não se deva tratar do mesmo modo meninos e meninas, mesmo que eles tenham o mesmo peso e idade. Porque o organismo vai reagir de maneira diferente.”

LINK

Caso queira ler o artigo ‘Sex-Dependent Dyslipidemia and Neuro-Humoral Alterations Leading to Further Cardiovascular Risk in Juvenile Obesity’ o link é: www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2020.613301/full.
Vale ressaltar que a pesquisa está publicada na língua inglesa.

Larissa Anunciato

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