Menor índice de letalidade da região mostra eficácia no enfrentamento da pandemia

Piracicaba tem um dos menores índices de letalidade pela Covid-19 do Estado, com 1.97, indicador inferior à média nacional que é de 2.2

Os primeiros meses do novo governo municipal, e em especial da Secretaria Municipal de Saúde, focaram essencialmente na necessidade de traçar soluções de enfrentamento da pandemia da Covid-19. Com medidas emergenciais organizadas pelo grupo de trabalho coordenado pelo biomédico Filemon Silvano, depois do impacto de alguns erros assumidos pelo próprio secretário, como a vacinação no shopping e que causou grande polêmica e filas, a pasta se organizou rapidamente, colocando Piracicaba como município de menor índice de letalidade pela doença.

O desafio inicial da gestão, segundo o secretário, foi conquistar a confiança do servidor municipal para descobrir suas necessidades e alcançar mais eficiência. Um diagnóstico apontou a defasagem no quadro de servidores em diversos setores e identificou os enfrentamentos necessários para organização da gestão da saúde municipal.

Impossibilitada de realizar concursos ou novas contratações para recompor as vagas disponíveis, devido à legislação do governo federal, o secretário afirma que foram concentrados esforços no sentido de encontrar meios para, pelo menos, manter um atendimento “digno à população”. “Um destes meios foi a contratação de serviços médicos plantonistas terceirizados e que tem atuado nas unidades de urgência e emergência, principalmente no combate à Covid-19”, explica.

A privatização dos serviços, reforça Filemon, acontece pela dificuldade de encontrar profissionais da área de saúde. “Temos funcionários com excesso de jornada de trabalho, cansaço, férias vencidas. A solução temporária que achamos foi essa, trazer mão de obra privada por determinado período, de forma emergencial, para suprir esta demanda e trazer alento aos servidores”, explica.

Os primeiros dias de governo evidenciaram a forma de enfrentamento da pandemia. Segundo o secretário, a gestão anterior não renovou o contrato com a tenda de triagem do Covid-19 e o grupo técnico optou por deixar o prédio da COT como referência para o atendimento de pacientes com suspeitas e a UPA ‘dr. Losso Netto’ no Piracicamirim direcionada exclusivamente para internação e cuidados.

Segundo o secretário, a cidade tem potencial em ampliar leitos: em dezembro de 2020, eram de 86 de UTI e 99 de enfermaria. Hoje, Piracicaba tem 160 leitos de UTI e 161 de enfermaria. Foi definido o acompanhamento dos pacientes diagnosticados pelo projeto RespirAr, aumentando a capacidade de testagem e descentralizando o atendimento da ‘dr. Losso Netto’ no Piracicamirim direcionada exclusivamente para internação e cuidados.

Segundo o secretário, a cidade tem potencial em ampliar leitos: em dezembro de 2020, eram de 86 de UTI e 99 de enfermaria. Hoje, Piracicaba tem 160 leitos de UTI e 161 de enfermaria. Foi definido o acompanhamento dos pacientes diagnosticados pelo projeto RespirAr, aumentando a ca para mais de 50 unidades de saúde da cidade. “Com este trabalho, é possível afirmar que estamos no caminho certo, pois Piracicaba tem um dos menores índices de letalidade pela Covid-19 do Estado, com 1.97, indicador inferior à média nacional que é de 2.2”, conta apontando ter sido este o acerto na gestão da pandemia.

Por outro lado, o primeiro aprendizado foi a vacinação no shopping, que expôs a falta de estrutura e tecnologia para realização do serviço. “Isso nos serviu de exemplo para criarmos nosso sistema quando surgiu a plataforma Vacinapira, que hoje é modelo para outras cidades. Conseguimos centralizar a maior parte da vacinação e agendamento no ginásio municipal que tem sido muito bem-visto pela população”, comemora.

Apesar de Piracicaba ter uma pequena parcela da população que, segundo o secretário, “não liga” ou “não acredita” na Covid-19, ele destaca que o povo piracicabano é especial e criou empatia pelo próximo. “O que pode ser visto nas diversas campanhas de arrecadação de alimentos e produtos de higiene às famílias carentes, no envolvimento o setor empresarial na doação de equipamentos”.

Para o futuro pós-pandemia, Filemon terá que administrar os efeitos da suspensão das cirurgias eletivas e diminuição dos atendimentos e exames de diagnósticos, somando a outros desafios o dia a dia da saúde pública e que, devido à pandemia, não pode receber total atenção. “Já começamos a estudar a possibilidade de centralizar o Serviço de Avaliação e Controle (SAC) e a Central de Relacionamento com os usuários SUS (Centrus) para que atendam em um único espaço agilizando o agendamento de cirurgias e retirada de exames”, afirma.

Outro ponto é a busca um novo espaço, mais amplo e organizado, para o Centro de Especialidades. “Com isso tudo alinhado e funcionando adequadamente, vamos conseguir atender a demanda reprimida que temos nas cirurgias eletivas, que hoje estão suspensas devido a pandemia. Nada é rápido, mas se feito da forma correta e séria, tem tudo para dar certo e quem ganha é a população”, finaliza.

Especial Piracicaba 254 anos

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