Merendeira relata assinaturas falsas da Nutriplus à CPI da Merenda

Informações coletadas darão outros rumos à investigação

A empresa não entregava na escola que ela trabalhava, os itens que constavam no documento fiscal

A CPI (Comissão Parlamentar de inquérito) da Câmara de Vereadores de Piracicaba ouviu ontem uma merendeira empregada no sistema público de ensino durante a gestão passada, de Barjas Negri (PSDB). Os apontamentos da depoente incluíram nota fiscal fria, falsificação de assinaturas e terceirização de funcionários no período em que a Nutriplus era fornecedora de alimentos nas escolas da cidade. As informações são da assessoria de imprensa do Legislativo. A empresa, sediada em Salto (SP), foi procurada, por telefone, pela reportagem do Jornal de Piracicaba durante a tarde de ontem, mas ninguém foi encontrado para comentar a situação da Nutriplus em Piracicaba.

Diferente da CPI da Pandemia, que acontece no Senado Federal, as sessões em Piracicaba são fechadas ao público e à imprensa. A identidade da depoente de ontem foi mantida sob sigilo. Responsável pelo recebimento dos produtos na escola em que trabalhava, a merendeira passou a notar com frequência que a entrega discriminada na nota fiscal não condizia com a efetuada. Então, ela passou a anotar, no mesmo documento, os itens não entregues. Como percebeu que a informação não surtiu efeito, passou a assinar as notas juntamente com a direção escolar. A partir daí houve uma divergência com o profissional responsável pela entrega e pessoa foi demitida algum tempo depois, informou a merendeira à CPI.

Outro fato chamou a atenção da Câmara: tanto a depoente quanto uma auxiliar de cozinha informaram à supervisão da Nutriplus que não reconheceram suas assinaturas em notas fiscais originais. Conforme relatos, a merendeira mantinha o cuidado de xerocar as notas que assinavam e, para ela, “o caso foi abafado pela direção da empresa”. Questionada se a prefeitura sabia o que estava acontecendo, a depoente disse acreditar que sim, porque sempre relatava às fiscais ou responsáveis esses problemas. Disse, inclusive, ter sido punida e ameaçada de demissão por ter feito os relatados. de forma fiel os problemas a uma supervisora. A empresa não teria gostado de sua atitude. Outro ponto foi a qualidade da merenda. Havia uma variação: quando a alimentação era composta por arroz, feijão, salada e uma mistura, o consumo era maior entre os alunos; quando era macarrão, o consumo tinha uma redução. A própria cozinheira de escola assumiu que nem ela conseguia se alimentar. Quanto aos direitos trabalhistas e condição de emprego, a depoente informou que trabalhou na função por nove anos e que até o momento, estão pendentes do recebimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), verbas rescisórias e outros direitos, no valor de R$ 30 mil.

PRÓXIMOS PASSOS Uma nova reunião acontece hoje (5), quando será definida uma agenda para os próximos dias. Por ora, os fatos relatados pela merendeira da Nutriplus devem apontar novos caminhos para a investigação.

Cristiane Bonin

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