“Caminante, son tus huellas el camino y nada más; caminante, no hay camino, se hace camino al andar. Al andar se hace camino y al volver la vista atrás se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante no hay camino sino estelas en la mar…”

Dia destes, Miguel, em romaria, na rota que conduz a Nossa Senhora, pude-te encontrar vivenciando a fé e cantando em louvor a esta Senhora de tantos nomes. Maria Vitória foi quem, trazendo-me um suave toque de amor na tarde que se abria, te apresentou a mim. Significativo este encontro nosso de que por certo não sabes. Assisti ao vídeo uma, duas, três, inúmeras vezes, meio sem entender como uma criança poderia estar ali seguindo os passos da Santa, encantado com passadas firmes e escondida esperança.

No instante do Ângelus, a Senhora fez-me refletir sobre a verdade da vida e me chamou, mesmo estando em casa, para dar minhas mãos às tuas e alcançar o grupo que avançava na região do Paraíba.

Não é a primeira vez, Miguel, que me faz isso. Já me convidou a que buscasse, com outros tantos peregrinos, a azinheira onde fez-se ver por três crianças, em Portugal. O trajeto é curto, mas significativo. A ambiência prepara para o encontro. E, ao chegar, algo mais garante Sua espiritual presença no lugar.

Fui teu par nesta andança, Miguel, seguindo o que me foi sugerido por Esta Mulher vestida de sol. Pus-me na caminhada, ao lado dela, e a par dos seguidores. Entre tantos, Maria Vitória, quem me leva consigo no coração e na prece. De pronto, me veio à memória um poema de Carlos Drummond a seu neto, Luís Maurício, quando, no seu nascimento, visitou a Argentina, onde sua filha vivia. Fui bom amigo do poeta e pude estar com ele até quase sua despedida. Apartar-se de quem se ama, Miguel, dói fundo, não imaginas quanto! E o poeta, desde os meus dezoito anos, soube ser comigo tanto quanto só bons amigos sabem.

Não é a primeira vez, Miguel, que Ela me apronta destas. Já me convidou a que buscasse, com outros tantos peregrinos, a azinheira em flor, em Fátima, Portugal. A ambiência me preparou para o encontro. E, ao chegar, algo mais garantiu a espiritualidade do lugar.

Volto a ti. Pude ver que em tuas mãos a bengala te dá o traçado da caminhada. Sem entender bem, senti – e sentir é, de tudo, o que de melhor Deus oferece ao homem. Não necessitas de nada e ninguém para mostrar o mundo, porque o vês, como ensina o poeta, de teu reino mais profundo.

Diante disso, escrever o quê? Como? diante da grandeza do feito, do teu jeito nobre de saber a vida e o mundo. Com este apoio – e não falo aqui da bengala que carregas, Miguel – falo do amparo da mãe com suas asas de anjo e da mão firme do pai dando-te segurança e garantia de trajeto perfeito.

E eu aqui, apequenado com meus cinco sentidos tratei de descobrir como e escrevi a seus pais sem revelar minha história que, de pronto me apresentaram Bento, Jorge e você, dando-me a idade de cada um, sem que imaginasse que os tinha em foto a todos os cinco ao lado da senhora Lu Alckmin e de Maria Vitória, fazendo juntos a trilha da bem-aventurança, em busca da Senhora Nossa, à frente, dando Luz e vida ao caminho.

Com teu gesto grandioso, me renovaste a esperança, Miguel! Deste-me parte da força contida em teu nome. Deste brilho novo a cada um dos meus sentidos e ofereceste a necessária emoção de que não posso nem quero afastar-me.

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