Minha rotina nas 24 horas do dia é o enfrentamento à pandemia

Desde o dia 1º janeiro, Filemon lidera as ações de enfrentamento da pandemia de covid-19 em Piracicaba. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O biomédico piracicabano Filemon de Lima Silvano, 43 anos, é filho do casal Miriam Fátima de Lima e Valmir Silvano. Casado com a também biomédica e bióloga Aline Damiani, ele é pai de Ana Sofia, dez, e Eloá, de seis anos.

Antes de aceitar o convite do prefeito Luciano Almeida (DEM) para a Secretaria de Saúde de Piracicaba, Filemon ocupou o mesmo cargo em Rio das Pedras, onde também foi presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Ele também foi gestor de SADT (Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico) no Hospital Unimed Piracicaba, coordenador de estágio supervisionado da Faculdade União das Américas, em Foz Iguaçu (PR), professor universitário de análises clínicas, controle de qualidade, parasitologia, bioquímica clínica, patologia médica, banco de sangue.

Filemon também foi presidente da ABBM-PR (Associação Brasileira de Biomedicina do Paraná) e delegado do CRBM-1 Conselho Regional de Biomedicina 1a. Região. 

Desde o dia 1º janeiro, Filemon lidera as ações de enfrentamento da pandemia de covid-19 em Piracicaba. Nessa entrevista ao Persona, Fielemon fala da difícil decisãod e assumir o cargo, da resposnabilidade do Poder Público em administrara a pandmeia de covid-19 e destacou a importância dos profissionais de saúde que, Segundo ele, têm se desdobrando no atendimento á população.

Com a agenda apertada com as ações à frente da Secretaria de Saúde, Filemon concedeu entrevista por email, devido a necessidade de distanciamento imposta pela pandemia.

O senhor assumiu a Secretaria de Saúde de Piracicaba já com as demandas da pandemia de covid-19.  Esse desafio chegou a pesar em sua decisão de aceitar o convite para o cargo? 

Foi uma decisão muito difícil, de grande responsabilidade, uma vez que  a pandemia está sendo o principal foco do mundo, bloqueando muitas de outras ações importantes para a saúde. Além disso, toda a população está com muito medo de ficar doente, gerando um quadro depressivo generalizado.  Como está a situação da doença hoje em Piracicaba?

A situação está bastante complicada, pois todo o Estado entrou em colapso devido à falta de leitos de UTI e enfermaria, além da falta de equipamentos médicos, insumos, medicamentos e principalmente profissionais para trabalhar na pandemia. Saliento ainda que o município já tinha um déficit grande de profissionais da saúde antes mesmo da pandemia. 

Qual é o principal desafio das autoridades de saúde no enfrentamento da pandemia? 

São vários enfrentamentos. O primeiro está relacionado à vacinação. As doses estão chegando de forma muito lenta e em quantidade insuficiente para cada faixa etária, fazendo com que não consigamos vacinar todo o grupo. Além disso, antes de terminar determinado grupo, o Estado já abre para outro grupo, mesmo sem ter enviado a totalidade das vacinas para o grupo anterior. Assim, temos um acúmulo de pessoas para serem vacinadas e não temos a vacina. Outra dificuldade é a compra direta da vacina para nosso município, devido a burocratização dos órgãos competentes. Saliento ainda a falta de leitos de UTI e Enfermaria para a população de Piracicaba. Não podemos deixar de mencionar ainda a falta de medicamentos e insumos no mercado, junto com uma alta astronômica dos preços, o que dificulta muito nosso enfrentamento da doença. 

De um lado, a necessidade de preservar vidas, administrar vagas nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e planejar a imunização por meio da vacina, de outro, a preocupação em manter a economia, receber críticas do setor produtivo e empresário sob argumento da manutenção da produção e empregos. Como o poder público municipal tem administrado essa situação? 

Primeiramente com muito diálogo e orientação, pois estamos em um momento extremamente delicado. A necessidade do distanciamento social e normatização de horários do comércio ainda são muito importantes e prioritários. Estamos trabalhando para achar a melhor solução para que consigamos controlar a pandemia sem “quebrar” os comerciantes e empresários da região que dependem direta e indiretamente do nosso município. 

A sociedade pode contribuir para minimizar os efeitos da pandemia? De que forma? 

Pode e deve contribuir, primeiro procurando fontes seguras de informações para sanar suas dúvidas e não dar ênfase em fake news. Outra conduta é manter o distanciamento social, usar a máscara corretamente e principalmente evitar aglomerações nesse momento. 

Nesta quarta-feira (data do envio dessas questões) a cidade registrava quase 600 mortos e mais de 37 mil infectados pelo coronavírus, o senhor avalia que esses números ainda podem aumentar muito? Até quando?

Não temos como avaliar até quando irá aumentar, a maior preocupação é conseguirmos atender toda a população que necessite de atendimento e internação quando necessário. 

Qual sua expectativa para a imunização da população? Este ano será possível vacinar todos com as duas doses necessárias?

Enquanto dependermos do Estado para receber as vacinas não temos como prever. Montamos uma estrutura no município para conseguir vacinar cerca de 25 a 30 mil pessoas por semana, mas dependemos do recebimento das vacinas e de quando irão chegar. 

Um ano de pandemia e o Brasil chega ao 4º ministro da saúde. O senhor acredita que essa instabilidade institucional traz reflexos para o enfrentamento da pandemia de covid-19? 

Considero preocupante, uma vez que isto pode propiciar muitas mudanças no enfrentamento da pandemia. A decisão do Governo Federal de demitir o ministro faz com que não haja continuidade no planejamento.

Em sua opinião, as medidas adotadas pelo Governo do Estado de São Paulo têm sido acertivas no enfrentamento da pandemia? Por que? 

Algumas sim e outras não. Está claro que o Governo do Estado e o Governo Federal não estão alinhados em relação ao enfrentamento dessa pandemia, causando uma enorme confusão na população. Isso demonstra total falta de respeito aos prefeitos e secretarias de saúde que ficam à mercê de decisões que são tomadas ou impostas às cidades. Acredito que cada cidade conhece muito bem sua realidade e sabe melhor que ninguém o que é melhor para ela. Hoje não podemos discordar dessa orientação sob pena de recebermos processo por desobediência e improbidade administrativa. Como explicar isso a uma população que está sofrendo há mais de um ano, esperando para retomar a sua vida normal? 

A pandemia de covid-19 toma hoje toda a agenda do secretário de saúde?   Quais outros desafios o senhor tem enfrentado à frente da Secretaria de Saúde de Piracicaba?

Sim, vivo 24 horas por dia para combater essa pandemia e ainda tenho que organizar estratégias de como tratar de outras doenças que continuam ocorrendo, como AVC, infarto, acidente de trânsito, cirurgias emergenciais e agora a dengue, que tem registrado um aumento grande no número de casos em relação ao ano passado. Toda nossa equipe de saúde está esgotadíssima pois, com o déficit de funcionários eles estão realizando horas e horas extras para ajudar no combate à pandemia e outras doenças. São verdadeiros guerreiros que quase nunca são reconhecidos e valorizados. Esses profissionais deveriam receber um prêmio de reconhecimento pela dedicação e amor à saúde.

Beto Silva
[email protected]

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