Moradores de comunidades ainda vivem sem saneamento básico em Piracicaba

Foto: Alessandro Maschio/JP

Desde 2012 foram investidos R$472 mi para universalização do sistema de esgotamento urbano no município

Há três anos o servente de pedreiro Gildo Brito, 50 anos, divide com a mulher, dois filhos, a nora e duas netas bebês os dois cômodos de um barraco, na comunidade Esperança, em Piracicaba. A moradia, construída em uma área de ocupação não tem água encanada, luz nem saneamento básico. O esgoto produzido pelo pequeno banheiro usado pelos moradores é depositado em uma fossa próxima aos cômodos. Esse recurso, no entanto, é usado pelo restante da população da comunidade Esperança.
De acordo com os dados da concessionária Mirante – empresa responsável pelo tratamento de esgoto em Piracicaba – 100% do esgoto coletado na cidade é tratado. São 39 milhões de metros cúbicos de detritos tratados por ano. Segundo a concessionária, desde 2012, quando foi iniciado o contrato PPP (parceria público privado) com o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), foram investidos já investiu, aproximadamente, R$472 milhões para universalização do sistema de esgotamento sanitário urbano em Piracicaba.

Neste 19 de novembro, Dia Mundial do Banheiro, o Semae foi questionado sobre quantos imóveis não contam com saneamento básico em Piracicaba e também qual o percentual de coleta dos detritos produzidos.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, no Brasil são 1,6 milhão de residências sem acesso ao banheiro, ou seja, estima-se mais de 5 milhões de pessoas. Além disso, o cenário do saneamento básico no país ainda é muito ruim com cerca de 35 milhões de pessoas sem água potável, mesmo em meio à pandemia da covid-19, e quase 100 milhões sem coleta dos esgotos. Somente 49% dos esgotos gerados no país são tratados, o que equivale a jogar todos os dias na natureza uma média de 5,3 mil piscinas olímpicas de esgotos sem tratamento.

O dossiê Saneamento 2021, do IAS (Instituto Água e Saneamento), que destaca os desafios para as etapas de regionalização do saneamento básico, traz uma análise profunda dos acontecimentos no cenário político nacional acerca do saneamento, levando em conta a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento. No caso do Estado de São Paulo, o IAS sinaliza a falta de participação dos municípios na construção da proposta (que não contempla proximidade entre municípios, compartilhamento de infraestruturas, bacias hidrográficas, entre outros), e o grande número de questionamentos feitos nas audiências públicas que não foram considerados na lei.

No caso de Piracicaba, segundo o IAS, a cidade apresenta bons exemplos de taxas de atendimento: 100% da população da cidade tem acesso aos serviços de abastecimento de água e 100% tem acesso aos serviços de esgotamento sanitário. O IAS coloca, neste sentido, a questão de como inserir a cidade no plano de regionalização – principalmente diante das problemáticas apontadas pelo relatório -, uma vez que este já tem o atendimento de saneamento próprio regido por autarquia municipal.

Beto Silva
[email protected]

LEIA MAIS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, entre com seu comentário!
Por favor, entre com seu nome

20 − 17 =