Moradores do bairro Ondinhas sofrem com camada de espuma e lodo do rio Piracicaba

Sujeira desce 24 horas por dia há mais de três meses (Foto: Amanda Vieira/JP)

Há três meses, o mau cheiro e uma espuma descem diariamente pelo rio Piracicaba. Quem sofre, são os animais marinhos e os moradores da região de Ondinhas que, além de conviverem com o um odor desagradável, ficam impossibilitados de pescar.

O aposentado Luís Aparecido Arvati tem um rancho no local e está preocupado e inconformado com a situação do rio naquela área. “A última vez que pesquei foi há mais de três meses”, disse o aposentado, ressaltando que a sujeira aparecia uma vez ou outra, mas no momento tem surgido de forma constante.

“Na verdade, todo ano essa sujeira aparecia, mas neste ano está direto, não sei o que está acontecendo. Depois que começou essa sujeira não consegui pescar mais. No meu rancho tenho um tablado em que dá para ver muito bem essa gosma e domingo (14), quando estive lá, continuava descendo e até agora ninguém fez nada”, salientou.

Sobre o mau cheiro, Luís disse que não percebe tanto em razão de não ser morador do local, mas sabe que há diversos residentes do bairro que não estão suportando o odor. “O mau cheiro está no bairro Ondinhas. Só passo por lá, mas converso com os moradores em um grupo de WhatsApp. Eles falam que o cheiro está muito forte. Neste fim de semana eu não senti, mas na semana passada, quando dormi lá, o odor estava insuportável na madrugada”, enfatizou.

O aposentado tem procurado a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para resolver o problema. Luís obteve resposta, porém não recebeu nenhum prazo e não viu nada sendo feito. “Estou procurando ajuda, primeiro é porque somos piracicabanos e gostamos do rio e, segundo, se for pescar algo no rio você não consegue, não tem condição. Uma responsável da Cetesb disse que estão vendo, mas não sei como estão fazendo. Ela disse que em razão da covid-19 as coisas estão um pouco enroladas, mesmo assim falaram para ficar tranquilo, mas não estou vendo nenhum resultado”, disse.

Em resposta a reportagem, a Cetesb disse que a Companhia tem acompanhado a presença de espuma ao longo do rio Piracicaba desde o final de maio, quando surgiram as primeiras denúncias. “Na oportunidade, chegou a ser constatado um problema de operação na Estação de Tratamento de Esgotos sanitários, denominada ETE Bela Vista, operada pela concessionária Águas do Mirante S.A. e a empresa adotou medidas corretivas, como a adição de antiespumante na saída do sistema, que é uma das medidas recomendadas”, disse a Cetesb por meio de sua assessoria de comunicação.

“A presença de espuma no rio também pode estar associada às substancias tensoativas, mais conhecidas como surfactantes, presentes em produtos de limpeza em geral, portanto, nos esgotos sanitários”, completou a Cetesb, ressaltando que continua investigando o caso e se surgirem fatos novos, relacionados à emissões de efluentes irregulares no curso do rio, informará as medidas adotadas para solucionar o problema.

Mauro Adamoli

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