Moradores do Serrote reclamam de falta água, energia e iluminação pública

Moradores correm atrás para resolverem as pendências durante a pandemia (Foto: Amanda Vieira/JP)

Moradores do Convívio do Serrote têm sofrido com diversos problemas nos últimos meses. Além da pandemia da covid-19, as aproximadamente 250 famílias enfrentam a falta de água e de energia, além da falta de iluminação pública, deixando a região perigosa durante a noite.

A técnica de enfermagem Aline Pessoa, uma das moradoras, reclama que as famílias não têm a própria água e energia, que precisam pagar uma taxa a mais para a Associação de Moradores do local para ter tal benefício. “Para ter a energia, você é obrigada a pagar a associação para ela fazer a medição lá. Não tem nenhum comprovante de quanto a pessoa gastou, eles fazem um cálculo e estipulam um valor para você, além dos R$ 40 mensais”.

A moradora ressaltou que apenas uma das moradoras possui água e energia própria e que ela vende esses serviços para os moradores. “Os relógios e hidrômetros que são vendidos para nós são os mesmos da CPFL e do Semae”, respectivamente.

Em relação a água, Aline disse que além de ter que pagar a taxa, a falta dela é recorrente. “Como alternativa muitos moradores armazenam água em tambores, além de reutilizarem a água da chuva. Quando chega no final, a água acaba propiciando o aparecimento de mosquitos da dengue e de outras doenças”, explicou a técnica em enfermagem, que também criticou a iluminação.

“Não temos (iluminação pública), a noite é um perigo, totalmente escuro. Como uma região em que vivem 250 moradores não tem iluminação? Alguns colocam luzes do lado de fora para iluminar, mas tem pontos em que não é possível, ficando um perigo constante para os moradores”, ressaltando que em razão de ser em uma área rural e ter um fraco sinal de celular fica mais perigoso ainda.

Sobre a falta de energia, a moradora Rosimeire Levandoscki também reclama de ter que pagar essa taxa para uma vizinha e, portanto, já procurou a CPFL três vezes para ter a própria luz, mas sempre foi recusada pelos mais diversos motivos. “No começo da construção juntei os documentos necessários para fazer o pedido de instalação de rede de energia elétrica e fui até a CPFL com os documentos. Porém ainda faltavam alguns e voltei novamente com toda documentação que me foi pedida. Após 30 dias não obtive resposta e voltei lá para ver que meu pedido foi negado porque o terreno não estava em meu nome e que precisava de uma matrícula atualizada”, explicou Rosimeire, que voltou ao cartório com a matrícula para realizar um novo pedido. “A CPFL negou meu pedido novamente, questionei a decisão, já que tinha pago pelo terreno e a eles me disseram que precisava da autorização da prefeitura”, completou.

Após a sugestão da CPFL, Rosimeire procurou a Semob (Serviço Municipal de Obras), que disse que não se opunha, mas também que não se responsabilizaria pelo serviço. “Me pediram na primeira fez para colocar os postes com o cabo de energia, mas que até hoje aguardo a autorização”, detalhou.

Em resposta à reportagem, a prefeitura informou que trata-se de um loteamento irregular, cabendo ao loteador providenciar a regularização do loteamento e a execução de todos os melhoramentos previstos em legislação, como iluminação, asfalto, água, esgoto, entre outros serviços.

O Semae disse que a ligação de água da administradora do local foi realizada em 2008, a qual atendia a legislação na época. Porém houve parcelamento irregular do solo ao longo dos anos. Em relação a solicitação de Aline, realizada no último dia 23, sendo necessária a verificação de regularidade, o processo consta em análise.

Em nota, a CPFL Paulista disse que a solicitação de ligação de energia foi cancelada, em agosto de 2019, por ausência da Certidão de Matrícula atualizada do imóvel, em nome da moradora, documento imprescindível para a aprovação da ligação. Na ocasião, a companhia informou a solicitante por meio de carta enviada para o endereço cadastrado.

Mauro Adamoli