Morre, aos 75 anos, Mendes Thame, ex-prefeito de Piracicaba e ex-deputado federal por sete mandatos

Foto: Divulgação

Antonio Carlos Mendes Thame foi um dos fundadores do PSDB e autor do 1º projeto que criou a MEI

Morreu na manhã de ontem (28), aos 75 anos, o ex-prefeito de Piracicaba e ex-deputado federal, Antonio Carlos de Mendes Thame. Ele era casado com Nancy Ferruzzi Thame, ex-vereadora (2017-2020) e atual secretária da Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba), com a qual teve uma filha, Sofia. Mendes Thame deixa ainda uma neta, irmãos e demais familiares e amigos. O município decretou luto oficial de três dias.

“Perco um grande companheiro de vida, marido e professor. A população perde uma pessoa com um amor imenso por Piracicaba. Mudanças, que muitas vezes as pessoas nem percebem, se deve a vida dele, dedicada a boa política”, lamenta Nancy, em entrevista ao JP.

Ele foi internado na manhã desta quinta-feira (28) no Hospital Unimed Piracicaba após ter passado mal. Ele teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. O velório ocorreu às 15h de ontem, no Salão Nobre Helly de Campos Melges, localizado na Câmara de Vereadores de Piracicaba, recepcionado pela guarda de honra da Guarda Civil Municipal. O sepultamento ocorre hoje (29), às 9h30, no Cemitério da Saudade, em jazigo da família.

Franklim Thame, irmão de Mendes Thame, disse ao JP que “Antonio foi a vida toda íntegro, cuidadoso em todas as atitudes. Sempre lembrarei dele como meu melhor amigo”.

Antônio Carlos Mendes Thame nasceu em Piracicaba no dia 13 de junho de 1946, filho dos finados José Abdalla Thame e de Carolina Mendes Thame. Tem formação em engenharia agronômica na Esalq /USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, curso que concluiu em 1969. Em 1967, iniciou bacharel em direito na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e graduou-se em 1971. Nesse mesmo ano, começou sua pós-graduação em economia na Universidade Rural de Piracicaba, e a concluiu em 1976.

Thame foi professor do departamento de economia e sociologia da Universidade Rural de Piracicaba, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Universidade de São Paulo), da Faculdade de Serviço Social de Piracicaba e do CLQ (Colégio Luiz de Queiroz), além de assessor da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Após passar pelo PP ( Partido Popular), liderado nacionalmente por Tancredo Neves, e pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), concorreu, nas eleições de novembro de 1986, a uma cadeira de deputado federal constituinte na legenda do PFL (Partido da Frente Liberal). Eleito, assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte, quando se iniciaram os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Integrou, como membro titular, a Comissão de Sistematização e, como suplente, a Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente, da Comissão da Ordem Social.

Nas principais votações da Constituinte pronunciou-se favoravelmente ao mandato de segurança coletivo, à estabilidade no emprego, ao aviso prévio proporcional, à unicidade sindical, à soberania popular, ao voto aos 16 anos, à nacionalização do subsolo e à anistia aos micro e pequenos empresários e votou contra a pena de morte, a limitação do direito da propriedade privada, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o presidencialismo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a proibição do comércio de sangue, o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade produtiva.

Após a promulgação da nova Carta, em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários na Câmara dos Deputados.

Filiado desde 1989 ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), formado por dissidentes do PMDB, participou como membro titular da Comissão de Serviço Público, da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação e da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social, entre outras.

Em outubro de 1990 concorreu à reeleição, na qual assumiu novo mandato em fevereiro do ano seguinte. Durante essa legislatura, foi vice-líder do PSDB na Câmara e coordenador do Grupo Parlamentar Pró-Segurança, Medicina e Higiene do Trabalho.

Em 1992 foi relator da Subcomissão do Ministério da Saúde da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha vitoriosa de Fernando Collor de Melo à presidência da República em 1989 e acusado de envolvimento num amplo esquema de corrupção no interior do governo, que contaria, inclusive, com o envolvimento do próprio presidente da República.

Como resultado desse processo, em 29 de setembro a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment do presidente Collor de Melo, com o voto favorável de Mendes Thame.

Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Candidato vitorioso na disputa pela prefeitura de Piracicaba, na legenda do PSDB, no pleito de outubro de 1992, Mendes Thame renunciou ao mandato na Câmara em 31 de dezembro desse ano, sendo substituído por Luís Máximo. Foi empossado no cargo executivo municipal em 1º de janeiro do ano seguinte.

Como prefeito de Piracicaba, entre os anos de 1993 a 1996, Thame foi responsável pelo asfaltamento e iluminação de diversos bairros; implantação das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento); descentralização dos terminais de ônibus que foram levados para os bairros; expressivos investimentos em saneamento básico e outras ações, como a implantação dos Clubins, que ofereciam atividades para crianças no contraturno escolar.

Encerrou o mandato de prefeito em dezembro de 1996 e conseguiu eleger o seu sucessor, o correligionário Humberto de Campos. Ainda nesse mês disputou a presidência da APM (Associação Paulista de Municípios), sendo derrotado pelo prefeito de Osasco, Celso Giglio, do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

No pleito de outubro de 1998, Mendes Thame candidatou-se a uma cadeira na Câmara, pelo PSDB, obtendo uma suplência. Em julho exerceu o mandato de deputado federal por poucos dias, licenciando-se para assumiu a Secretaria de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do estado de São Paulo na gestão de Mário Covas. Deixou essa função em janeiro de 2001, retornou à Câmara e foi efetivado deputado federal. Licenciou-se novamente do mandato e voltou ao cargo de secretário, cargo em que permaneceu até 24 de janeiro de 2002 quando reassumiu o mandato na Câmara dos Deputados. Em outubro desse ano, reelegeu-se deputado federal, tomou posse do novo mandato em fevereiro de 2007 e tornou-se vice-líder do PSDB.

Nas eleições de 2006 conquistou, pela quinta vez, uma cadeira na Câmara dos Deputados. Iniciou novo mandato em fevereiro de 2007. É autor Complementar 128/2008, que criou o MEI (Microempreendedor Individual).

Nas legislaturas 1999-2003, 2003-2007 e 2007-2011, participou das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Constituição e Justiça e de Cidadania; Constituição e Justiça e de Redação; Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias; Finanças e Tributação; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Relações Exteriores e de Defesa Nacional; Saúde, Previdência e Assistência Social; Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; Serviço Público; Trabalho, Administração e Serviço Público; Trabalho.

Foi ainda um dos representantes do Congresso Nacional nas Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas em Nairobi (2006), Bali (2007) e Poznan (2008).

Laís Seguin
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