Morre Francisco Cerignoni, defensor da inclusão das pessoas com deficiência

Conhecido como Chico Pirata, piracicabano morreu na madrugada desta quinta-feira | Foto: Reprodução/Instagram

Publicado em 10 de dezembro às 9h55

Atualizado em 10 de dezembro às 14h19 e às 21h30

O Brasil perdeu um personagem essencial na luta pela inclusão da pessoa com deficiência. O piracicabano Francisco Nuncio Cerignoni morreu na madrugada desta quinta-feira (10) no HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana), onde foi internado às pressas com insuficiência respiratória devido a uma síndrome pós-poliomielite. Engenheiro agrônomo formado pela Esalq/USP e com vasta atuação política, ele estava presidente do CEAPcD (Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência). Sua contribuição para o movimento é imensurável e deixa saudade e ensinamentos para os familiares, companheiros de luta e amigos.


Devido à pandemia, conforme explica o filho André Francisco Cerignoni, na quarta-feira (9), quando foi internado com insuficiência respiratória, os médicos pediram exame para covid-19. Como o resultado não foi emitido antes de sua morte, o velório e enterro foram reservados para familiares e seguiram os protocolos sanitários. Ele foi enterrado no Cemitério da Saudade ontem, às 17h, aos 71 anos.

Conhecido pelo apelido Chico Pirata, que ganhou dos amigos da Esalq, deixa a esposa Maria Cristina, com quem foi casado por 42 anos, os filhos André, Daniel, e Felipe, além das três noras, quatro netos e um bisneto. “Uma pessoa íntegra, honesta de um raciocínio singular, um exemplo. Ele foi um articulador, um defensor da classe mais excluída. A vida inteira fez esse trabalho de defender quem precisava ser defendido”, lembra André.

Boa parte da participação política de Chico Pirata foi como secretário e assessor do ex-prefeito e ex-deputado federal João Herrmann Neto, já falecido. “É difícil ver alguma pessoa hoje que tenha a mesma motivação que ele tinha para a causa”, comenta Gustavo Herrmann, diretor Koppert Brasil e filho de João Herrmann Neto.

Da mesma turma de Chico Pirata na Esalq, Antonio Roque Dechen, professor sênior da universidade, lembra que o amigo continuará sendo referência. “Um exemplo para todos os seus amigos, em especial para os colegas da turma de dezembro de 1973 da Esalq”, conta.


Na cidade, Chico também foi presidente do Comdef (Conselho Municipal de Defesa da Pessoa com Deficiência). O atual presidente, Wander Viana Santos, lembra que o companheiro fazia questão de compartilhar todo o conhecimento que tinha em prol do movimento. “Deixa o legado de toda luta, ensino e de tudo que atuou na cidade, no estado, no Brasil e fora do Brasil”.
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, a Câmara dos Vereadores de Piracicaba e o CEAPcD emitiram nota de pesar pela passagem de Chico Pirata. Ele também é lembrado no Memorial da Inclusão, museu do Governo do Estado.

“Acredito que o maior papel dele foi o de militante à frente da luta por uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva. […] A luta da pessoa com deficiência não será a mesma sem ele, mas certamente será melhor porque tivemos a ele como mentor”, afirma Letícia Peres Farias Françoso, secretária executiva do CEAPcD.


Eliete Nunes, ex-secretária municipal de assistência e desenvolvimento social e amiga de Chico, lembra que ele participou ativamente da lei brasileira de inclusão. “É uma das pessoas que mais fará falta para o nosso país nesse momento em que passamos pela dificuldade de toda essa pandemia e crise”.

Andressa Mota

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