Morre maestro Benito Juarez, ex-regente da Sinfônica de Campinas

Benito Juarez foi o fundador do Coral da USP (Foto: Arquivo)

Ex-regente da Sinfônica de Campinas por 25 anos (de 1975 a 2000) e fundador do Coral da USP (Universidade de São Paulo), o influente maestro Benito Juarez faleceu ontem, aos 86 anos. A morte do maestro foi confirmada pelo filho, André Juarez, em postagem numa rede social. “Comunico o falecimento do meu amado pai, o maestro Benito Juarez. Descanse em paz, Baxoca. Vou honrar seu nome sempre”. A causa da morte não foi divulgada.

Juarez é nome conhecido em todo o Brasil por ter sido um dos responsáveis por levar o grupo de Campinas ao reconhecimento nacional e internacional. Sob sua regência, a Sinfônica participou dos comícios do movimento Diretas Já, em 1984. Também fundou o Departamento de Música e o Coral da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), além de ter sido um dos idealizadores do curso de Música Popular Brasileira (MPB) na universidade.

Para Jamil Maluf, maestro da OSP (Orquestra Sinfônica de Piracicaba), Benito Juarez trabalhou para a popularização da música erudita no Brasil. “De uma maneira singular. Ele ainda colocou a Sinfônica de Campinas no radar, o grupo ganhou prestígio enquanto esteve lá. Enfim, uma figura ligado à disseminação da música”.

Luis Fernando Fischer Dutra, maestro da Orquestra de Cordas Maestro Benedito Dutra, tem lembranças de Juarez enquanto plateia e ressalta que foi um músico que marcou época na região. “Assistia sempre a Sinfônica de Campinas quando era bolsista do Festival de Inverno de Campos de Jordão, no final da década de 1980. Graças ao carisma que o maestro Benito Juarez tinha, era o concerto que mais atraia público no auditório Claudio Santoro”.

As apresentações da Sinfônica sob regência de Juarez estavam sempre lotadas, aponta Dutra. “Realmente lotado: poltronas, escadarias e corredores. Isso porque o Benito era um maestro muito corajoso e ousado para a época. Quando muitas orquestras tocavam somente o repertório tradicional, ele incluía nas programações os mais diversos estilos”.

Samuel Lima, spalla da OSP e chefe de naipes dos segundos violinos e solista 1 da Sinfônica de Campinas, é outro músico de Piracicaba que guarda lembranças do legado de Juarez. “Um grande profissional, não conheço um maestro que tinha um carisma como Benito em relação ao público. Fazia concertos onde orquestras antes não iam, para grandes públicos, com repertório popular e muito bem escrito”.

Erick Tedesco