Motoristas de aplicativos denunciam repasses menores e suprimidos

Motoristas de aplicativos em Piracicaba podem fazer manifestação | Foto: Divulgação

A praticidade de aplicativos de transporte é uma marca revelante na mobilidade urbana. Trouxe, por meio do universo digital e conectado, novas possibilidades para quem necessita se deslocar com rapidez e conforto em veículo de terceiros. O processo inclusive trouxe termos inéditos ao vocabulário – ‘pedir um uber’ é, hoje, quase ou já tão corriqueiro como ‘pedir um táxi’.

No entanto, a popularidade destes ‘apps’ não é mais a mesma de quando se tornaram acessíveis a uma parcela significativa da sociedade, na segunda metade da década passada. Há alguns anos, os motoristas que trabalham por meio destes aplicativos, como Uber, 99Taxis, e até em um piracicabano, o PiraGo!, se mobilizam por melhores condições de prestação de serviço – leia-se repasses mais justos e viáveis para fazer corridas.

Em Piracicaba, a insatisfação cresce a cada medida dos aplicativos, que, segundo os motoristas, são abusivas e estrangulam o trabalhador. De acordo com Almir Rodrigo de Oliveira, diretor de comunicação da Amap (Associação dos Motoristas de Aplicativos de Piracicaba), a cidade hoje conta com cerca de 2.500 trabalhadores ativos, “mais alguns que rodam esporadicamente”, como ele aponta.

E em nome da categoria, Rodrigo avisa que já se mobilizam para uma possível manifestação contra reduções no repasse que a Uber promoveu, segundo o diretor, “em questão de duas semanas”. “O valor pelo quilômetro rodado passou de R$ 1,10 para R$ 0,82”. Ele reclama que o ganho do motorista é bastante atrelado ao valor do combustível. “E só em janeiro tivemos três ajustes, assim quase pagamos para trabalhar”.

Outra reclamação da categoria é sobre a retirada, sem avisar e sem explicar, de um valor repassado pela corrida do ponto em que o motorista aceita a corrida até o ponto em que está o cliente. “Muitos, então, selecionam quais corridas acham que serão rentáveis aceitar ou é melhor cancelar, mas somente para não ter prejuízo, agora sem este repasse”, conta Rodrigo.

Esta é a provável razão pela qual alguns usuários de apps, principalmente Uber, reclamam de sucessivos cancelamentos de viagem, algo corriqueiro nas últimas semanas. Aconteceu com a supervisora de vendas Gisele Mendes. “Pedi um Uber e foram três cancelamentos seguidos. Uma motorista inclusive já no meio do caminho. Demorei 10 minutos para conseguir uma corrida, que seria do Centro ao Bairro Alto”.

O Jornal de Piracicaba questionou a Uber sobre todas estas reclamações, mas não obteve respostas até o fechamento da edição.

Erick Tedesco | [email protected]

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