Movimento Luto pela Educação faz passeata por ‘Justiça a Mari Ferrer’

Participantes foram do Mercado Municipal à Praça José Bonifácio contra decisão que inocentou acusado de estupro em Santa Catarina | Foto: Claudinho Coradini/JP

O Movimento Luto pela Educação realizou uma passeata na noite desta quinta-feira (5) para pedir justiça pela influenciadora digital Mariana Ferrer, 23. Os participantes se encontraram em frente ao Mercado Municipal e foram até a Praça José Bonifácio, onde conversaram sobre o caso e assuntos correlatos.
O caso repercutiu nas redes sociais na terça-feira (3) após reportagem do veículo The Intercept Brasil apresentar vídeo do julgamento, de 9 de setembro, no qual o réu – acusado de ter estuprado a influenciadora em 2018 – foi inocentado.


Na decisão do juiz Rudson Marcos, que acatou tese do promotor Tiago Carriço de Oliveira do MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina), consta que o réu, empresário André Camargo Aranha, não teria como saber, durante o ato sexual, que a Mariana não estava em condições de consentir e, por isso, não teve a intenção de estuprar.

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A partir da reportagem, o termo “estupro culposo” – que não consta na decisão, porém remete ao argumento do promotor, repercutiu nas redes sociais por indignar os internautas. Além disso, são alvos de críticas os insultos proferidos pelo advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, contra a jovem. Rosa Filho mostrou fotos de Mariana, que não têm ligação com o caso, para questionar sua conduta na noite que, segundo a jovem, ocorreu o crime.

Foto: Claudinho Coradini/JP


“O [protesto] é porque no Brasil, em sua maioria, temos que ir às ruas para referendar uma justiça que infelizmente não é para todos, portanto, muitas vezes temos uma lei que nos respalde, contudo, sem efetividade da garantia de direitos na prática, por isso vamos pra rua clamar por essa justiça”, informa o Movimento.

Para o Movimento, a manifestação se torna necessária também para que o caso não seja um precedente para “impunidade ao agressor e punição das vítimas”. “O Brasil já é um país negligente quando falamos em crimes sexuais, diante dessa premissa de ‘estupro culposo’, a situação ficará pior. Mesmo porque sabemos que o estupro não é apenas físico, mas emocional, não trata-se apenas do ato em si, mas do controle do homem sobre a mulher”, comenta o Movimento.


Os participantes levaram luzes e lanternas durante a passeata, que simbolizaram “a busca por solução a essas atrocidades que ocorrem em nosso país”, complementa o Movimento.

Andressa Mota

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