Movimento negro cobra urgência na apuração de caso de racismo na Saúde

Prefeitura informou que andamento processo administrativo disciplinar foi prejudicado pela pandemia | Foto: Claudinho Coradini/JP

O movimento negro de Piracicaba pede urgência na apuração de denúncia de racismo contra duas servidoras da Saúde no PAD (Programa de Assistência Domiciliar) do Piracicamirim. Uma coordenadora do programa é acusada de perseguição e ofensas rotineiras, conforme reportagem publicada em 27 de fevereiro de 2020 pelo Jornal de Piracicaba, a partir de denúncia do Conepir (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba).


Em protesto, integrantes do Coletivo Resistir Sempre e Comunidade Negra em Movimento fixaram uma faixa em frente ao PAD. Entre os dizeres estão: “Nós pretos viemos pra resistir”; “Não ao racismo”; “Força, mulher preta”.

Em nota sobre o caso, o coletivo e a comunidade afirmam que “o processo está parado, sem que haja demonstração de interesse de solução por parte da administração pública”. Conforme publicou o JP em fevereiro do ano passado, em 2018 as funcionárias procuraram a Polícia Civil e registraram um Boletim de Ocorrência de injúria. À polícia, elas contaram que sofriam racismo desde 2015.

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A Prefeitura de Piracicaba informou que a sindicância durou de janeiro a junho de 2019 “e teve como conclusão a instauração de processo administrativo disciplinar para apurar a conduta da coordenadora”, diz em nota.


A prefeitura afirmou ainda que o andamento do processo foi prejudicado pela pandemia “e a impossibilidade de realizar oitivas”. As oitivas estão sendo reagendadas desde setembro, ainda segundo a prefeitura, para atender a demanda represada.


O coletivo e a comunidade também se preocupam com o fato das partes envolvidas no caso continuarem trabalhando no mesmo local, uma vez que a acusada é a superior. Em nota afirmam que as vítimas “estão sofrendo assédio moral e racismo subjetivo”.


O presidente da Comissão da Promoção da Igualdade Racial da OAB Piracicaba, Luciano Alves Lima, que acompanha o caso, diz que o órgão ouviu o relato das vítimas e o encaminhou para a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania. A Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena, da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, informou que o caso tramitou regularmente até março de 2020, quando as audiências foram suspensas pela pandemia. O órgão disse ainda que as denunciantes manifestaram interesse de dar prosseguimento com a mediação, “que ocorrerá assim que as atividades do Tribunal de Justiça sejam retomadas, seguindo os protocolos de segurança”.

Andressa Mota

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