Assistência ao pré-natal nunca pode ser negligenciada (Foto: Pixabay)

Um recente levantamento do jornal Folha de S. Paulo afirmou que, no Brasil, pelo menos 201 mulheres morreram nos últimos meses durante a gestação ou no pós-parto após diagnóstico de covid-19. É um recorde negativo – o país é o único que chegou nesse indicador. Em Piracicaba, Santa Casa de Misericórdia, Unimed Piracicaba e HFC (Hospitais dos Fornecedores de Cana) não registraram óbito deste grupo, mas ao menos 39 grávidas na cidade foram positivadas pela doença do novo coronavírus.

A Santa Casa prestou atendimento para 12 gestantes positivadas, segundo dados fornecidos pelaa assessoria de imprensa. “Todas ficaram internadas e seis delas tiveram o bebê na maternidade do hospital”, informa em nota. Na Unimed Piracicaba mais 27 gestantes com covid-19 precisaram de atendimento. “Quatro foram internadas e uma delas passou por cuidados intensivos e permanece sob cuidados médicos”, afirma a comunicação do hospital. O HFC não forneceu este dado até o fechamento desta edição.

Com explica a ginecologista e obstetra Milena Elisa Goes Dias Silva, alguns fatores tornam este grupo mais vulnerável no Brasil do que no resto do mundo. “O diagnóstico tardio atrasa a assistência ao binômio mãe e feto e traz um impacto negativo no desfecho da doença. Isso pode ocorrer devido às modificações fisiológicas próprias da gestação que se sobrepõem aos sinais e sintomas da covid, dificultando o diagnóstico. E por se tratar de uma doença nova, com muitas características variáveis em relação aos sintomas e com poucos estudos que comprovem eficácia no tratamento na população geral e específico da gestante.

Milena, durante plantão na maternidade da Santa Casa, realizou o primeiro parto de gestante com covid-19 no hospital. No entendimento da médica, o atendimento às mulheres grávidas em maternidades e a assistência ao pré-natal nunca pode ser negligenciado. “Essa paciente precisa continuar com o acompanhamento de pré-natal regularmente, as consultas não deverão em hipótese alguma serem postergadas para quando o risco de transmissão diminuir ou quando o teste tornar-se negativo”. Além disso, ela destaca, grávidas sempre têm prioridades em leitos de UTI.

Outro fator que implica neste levantamento negativo no Brasil, aponta Milena, é a condição precária em que vive parte da população. “Agravada pela crise econômica no atual cenário de pandemia, piorou a qualidade de vida de muitas grávidas e suas famílias, com alimentação mais restritiva, difícil acesso a medicações, além de outros fatores”.

Erick Tedesco

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

9 + 4 =