Mulher na política atua com olhar diferente, é mais diplomática

Foto: Divulgação

Com 30 anos de trabalho voltados à proteção dos animais, a paulistana Alessandra Bellucci, 46, agora vereadora, pretende colaborar com políticas públicas para a área em seu primeiro mandato. Ela é uma das quatro vereadoras a ocupar uma cadeira no Legislativo piracicabano pelo Republicanos. A parlamentar afirma que quer contribuir com experiências de outros lugares que conhece e ter um olhar que visa à compaixão pelo próximo. Alessandra foi eleita com 1.459 votos.

Nascida em 31 de março de 1974, em São Paulo – cidade da mãe, Telma –, ela veio para Piracicaba aos 10 anos em razão do trabalho de representante comercial do pai Onecino (já falecido), cuja família é dona de uma fábrica de meias e tecidos em Cerquilho.

Aluna do Dom Bosco Assunção até completar o ensino médio, Alessandra manifestava, desde a adolescência, o desejo de seguir carreira em medicina veterinária. Mas os planos mudaram quando estava no curso preparatório para o vestibular, no CLQ.

No meio do cursinho, ela contraiu uma meningite gravíssima, a adolescente ficou com sequelas, amnésia parcial, e teve que parar os estudos. Alessandra passou a trabalhar com o pai como representante comercial da fábrica de Cerquilho.

Ela desistiu do curso e veterinária e estudou letras na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), que o tino de vendedora se acentuou.

A vida adulta, porém, continuava a exigir a superação dos obstáculos da juventude. Ela ficou grávida duas vezes, aos 20 anos, e perdeu os bebês. Aos 43, Alessandra, que namora Reginaldo há oito anos, engravidou de Maria Luisa, hoje com três anos. “Minha médica fala até hoje que foi milagre essa gravidez.”

Alessandra mora há 25 anos numa chácara no bairro Dois Córregos, onde cuida de 40 cachorros e uma porca. Os cachorros foram acolhidos de maus-tratos, e não foi possível inseri-los em outros lares, pois ou são idosos ou têm deficiência física.

Nesta entrevista ao Persona, a cuidadora e vereadora conta como concilia as duas funções, sobre a mulher na política e projetos em defesa dos animais.

Como a senhora avalia o papel da mulher na política em Piracicaba? Há diferença entre os gêneros na atuação parlamentar?

A sensibilidade, a visão e de repente o jogo de cintura. A mulher é mais diplomática e encontra caminhos que muitas vezes os olhares masculino não encontram. Acredito que a mulher na política, consegue encontrar caminhos e destinos diferentes.

Como a senhora concilia as funções de vereadora e protetora animal?

Conciliar funções é muito difícil, eu não digo difícil na rotina do dia a dia ou as atribuições de vereadora, cuidadora de animais, cuidar da casa, ser mãe. Digo no quesito de resolver os problemas e contribuir para as políticas públicas, o que muitas vezes leva muito tempo e é muito burocrático. A parte da proteção animal, de salvar vidas é imediatista você resgata um cachorro e assim ja soluciona o problema. Essa é a grande diferença de ser política e ser protetora.

Muitas vezes nada do que você propõe é colocado em prática, na rapidez que se precisa. Então é totalmente antagônico. Salvar vidas é, e sempre foi algo que não se pode esperar ou demorar. Na política, projetos, indicações propostas não dependem de você para acontecer. Você sugere, indica, mas só o Executivo pode fazer. Esse é o grande impasse hoje pra mim. Esperar as coisas acontecerem, as vezes tão necessárias e urgentes.

Antes de ser vereadora a senhora foi empresária. Em qual setor a senhora atuou? Essa experiência contribuiu ou tem contribuído em sua função parlamentar?

Eu sempre atuei em várias áreas, já tive loja de roupa, restaurante. O empreendedorismo está na minha alma, no meu sangue. Acredito que sempre devemos buscar nos aprimorar, inovar e modificar o que está estagnado. Na política também é muito importante essa questão, estar vereadora, é poder propor mudanças, contribuir com novas ideias , propor soluções. Lembrando que a execução de tudo que posso propor não depende do vereador para acontecer, e sim de Executivo.

Como vereadora podemos, projetar, propor e aguardar as burocracias e disponibilidades para que algo se transforme.

Deixo claro que não depende do prefeito, secretário ou presidente da Câmara e sim dos protocolos e regras a serem cumpridas dentro da Legislação. Hoje consigo contribuir com projetos para nossa cidade, os reflexos de melhoria serão projetados a longo prazo.

Alguns políticos enxergam a carreira como sendo uma profissão e, portanto, visam a reeleição como principal meta. A senhora é favorável à reeleição em cargos políticos? Pretende se reeleger?

Falar sobre reeleição é bem complexo. Existem vários caminhos, estamos há seis meses trabalhando e já propomos muitas mudanças e muitas melhorias para o sistema. Algumas poderão ser executadas, a partir de já, outras a longo prazo. Muitas, trarão mudanças na vida dos animais lá na frente.

Já pensei em desistir inúmeras vezes, mas acredito que, se os projetos que estou propondo para nossa cidade forem se concretizando, estarei me realizando, mesmo que lentamente. Ainda temos três anos e meio pela frente para responder a essa questão, se eu conseguir ver que contribui para a causa animal de forma efetiva, pensarei na hipótese de continuar essa contribuição. Em relação a outros políticos que fazem da sua função uma profissão, eu só posso dizer que cada um, é cada um.

Respeito cada um deles, e acredito que cada pessoa contribui com o melhor que pode dentro dos seus princípios, possibilidades e capacidade.

Procuro me ocupar com meu trabalho, com minhas propostas de melhorias com muito estudo e pesquisa. Quero honrar os 1.459, votos que obtive. Quero que os animais se sintam representados por mim.

Beto Silva
[email protected]

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