No Dia Internacional da Mulher, nós professoras temos muito a denunciar e muito pelo que lutar. Nos sentimos representadas pelo lema deste ano dos movimentos que se uniram para promover uma grande manifestação estadual em São Paulo: Mulheres contra Bolsonaro, por nossas vidas, democracia e direitos, Justiça para Marielle, Cláudias e Dandaras.

Sim, é disso que se trata. Bolsonaro personifica o machismo, a misoginia e a discriminação de gênero no poder. Em São Paulo, Doria não fica atrás. Ele ofende as professoras – que são mais de 80% do magistério – quando diz que ficamos em casa tomando suco de laranja. Ele nos discrimina quando estabelece na reforma da previdência que teremos que trabalhar mais sete anos para nos aposentarmos, um acréscimo de tempo maior do que para os homens.

Nós, professoras, nos sentimos exploradas e discriminadas quando o Estado não reconhece que trabalhamos em dupla ou tripla jornada, porque somos também mães e em grande parte das vezes as responsáveis por cuidar da casa. A falta de uma organização justa de nossa jornada na rede estadual de ensino e os baixos salários, nos fazem trabalhar em duas, três, quatro e até seis escolas! Essa condição também atinge professores que, no entanto, não possuem as mesmas especificidades decorrentes do papel ainda reservado às mulheres na nossa sociedade.

Quando homenageamos Marielle Franco em nossa VII Conferência Estadual de Educação e no XXVI Congresso, que se realizaram simultaneamente em fevereiro, estávamos, na realidade, homenageando também todas a mulheres que lutam e resistem. E as professoras tem lutado, e muito.

Nas mobilizações contra a reforma da previdência, as mulheres foram protagonistas. Desde novembro, nas paralisações e na ocupação da Assembleia Legislativa, as professoras e também outras trabalhadoras dos serviços públicos foram incansáveis, ocupando as galerias, conversando com os deputados, denunciando o caráter predatório dos projetos do governador João Doria. Lutamos e saímos de cabeça erguida, porque sabemos que cumprimos o nosso papel.

Também foi importante o protagonismo das mulheres dentro do plenária. Nós, deputadas dos partidos de oposição (PT, PCdoB, PSOL), não apenas trabalhamos de forma incansável junto aos demais deputados, como também nos articulamos com os servidores que estiveram presentes na Casa. E foi fundamental o momento em que ocupamos a cadeira do presidente da Alesp, em 4 de dezembro, para impedir a votação da PEC 18 naquela data e amplificar a denúncia do cruel ataque perpetrado pelo governador Doria contra os servidores e os serviços públicos.

Hoje as mulheres brasileiras ocupam seus espaços sem pedir licença a ninguém. Mas há ainda um longo caminha a percorrer. Milhares de mulheres ainda são mortas pelo simples fato de serem mulheres. Ainda são agredidas e violentadas. Nos espaços profissionais e sociais ainda são discriminadas, nem sempre de forma sutil. No meio profissional, embora tenhamos avançado muito, ainda há interdições para as mulheres, ainda são vistas como incapazes em determinados setores, embora demonstrem o tempo todo sua competência e capacidade de liderança.

Portanto, nesse dia 8 de março quero me dirigir às professoras, mas também a todas as mulheres. Àquelas que cuidam amorosamente de suas famílias e nem sempre veem reconhecida seu trabalho e sua dedicação. As que lutam pela terra por esse estado afora. As que lideram sindicatos e movimentos. As mulheres que enfrentam a brutalidade do Estado e das milícias para defender suas comunidades e denunciar os crimes praticados supostamente em nome da lei, arriscando a própria vida. Todas aquelas que defendem o direito básico e essencial de serem donas de si mesmas e que desafiam o machismo e patriarcado.

Neste 8 de março seremos, mais que nunca, mulheres guerreiras e determinadas nas ruas de São Paulo e do Brasil.

Parabéns mulher e conte sempre com o meu empenho na luta diária voltada à construção de uma sociedade de iguais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

doze + dois =