Musicaterapia acalma os pets

Música clássica é alternativa para diminuir o estresse dos animais

A relação do ser humano com a música sempre foi íntima e, com os pets cada vez mais inseridos ao cotidiano das pessoas também é, hoje, algo inerente ao dia a dia dos bichinhos. Seja utilizada pelos tutores para acalmá-los ou então para que a audição aguçada deles não seja afetada por fortes barulhos externos, como fogos de artifício ou buzinas estridentes, a música é um artifício importante para o bem-estar animal.

A enfermeira Thati Gonçalves, moradora do Barro Alto, é tutora de dois cães da “raça do amor”, como ela se refere a Bento Gonçalves, um cãozinho de quase três anos, e Margot Gonçalves, de quatro anos e meio. Morar perto do estádio Barão da Serra Negra, em dia de jogos do XV de Piracicaba, demandou uma providência pontual para que seus pets não sentissem desconforto com barulho dos eventuais fogos de artifício ou a algazarra mais eufórica da torcida.




“Quando tem queima de fogos, em dia de final de campeonatos, Natal ou Ano Novo, eles ficam assustados, por isso já ligo música, geralmente clássica, para que o barulho passe despercebido”, conta Thati.


Tati adotou a música em dias de jogos do XV, Natal e Ano-Novo

O Bento, conta a enfermeira, foi resgatado de maus-tratos ainda filhote. “É uma eterna criança. É obediente e supercarinhoso”. Já Margot, brinca a tutora, “é do tipo não me rele, não me toque, mal humorada e de personalidade. O negócio dela é sombra e água fresca. Pobre metida a rica”, se diverte.

Amora, uma cadela sem raça definida, foi adotada em 2019 por um casal que respira música. Nathália Ferreira e Filipe Barcelos são produtores musicais e, claro, são movidos pelo som do rock. “Foi resgatada das ruas, tinha tudo para ser surtada”, ri a tutora.

No entanto, é uma cachorrinha que, acostumada com música desde pequena, fica no espectro tranquilo quando tem som alto ou estouros ríspidos fora do apartamento. “Não tem medo de barulho porque é acostumada desde pequena. Mas sei que nossos vizinhos, para acalmar seus pets em dias agitados, colocam em um canal da TV paga com imagens e sons próprios para os bichos”, ela completa.

Os depoimentos de Thati e Nathália sobre a relação dos pets com a música são legitimados pelo conhecimento técnico da veterinária Júlia de Lima Flórios. “A musicoterapia é uma alternativa para diminuir o estresse de cães e gatos que vivem em ambientes com muitos estímulos, como é o caso de alguns abrigos de animais. Nesses casos, a música clássica é relaxante, como as músicas de yoga e meditação, contribuem de forma positiva, pois aumentam os níveis de endorfina e serotonina, que são os hormônios do prazer e relaxamento”.

Segundo a veterinária, a música pode, sim, auxiliar o cão em momentos de medo. “A música deve ser inserida gradualmente, em volume baixo, até que ele se acostume. Geralmente, as músicas clássicas e relaxantes são as mais indicadas para diminuição do estresse”, afirma Júlia.

A prática do casal Nathália e Filipe, de acordo com a veterinária, é correta. “É legal ouvir música com seu pet, isso fará com ele tenha uma ‘memória’ guardada, e essas músicas compartilhadas pode, eventualmente, auxiliá-lo em um momento de solidão, seja na ausência do dia a dia, ou de períodos mais longos, como viagens”, enfatiza Júlia. No entanto, ela alerta que os animais de estimação não devem permanecer muito tempo sozinhos, e caso precise se ausentar por um período mais longo, o ideal é deixá-lo sob cuidado de uma pet sitter ou hotéis para pets.

Erick Tedesco

CRÉDITOS: Amanda Vieira/JP