Na prevenção do suicídio, CVV atende 2.000 ligações mensais em Piracicaba

CVV-voluntária Eliane Soares é voluntária e coordenadora do CVV em Piracicaba (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

O CVV (Centro de Valorização da Vida), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, por meio de telefone (188), e-mail e chat (www.cvv.org.br.) 24 horas, recebe em Piracicaba uma média 2.000 ligações mensais, num total de 24.000 anuais. De acordo com Eliane Soares, voluntária e coordenadora em Piracicaba, o CVV realiza apoio emocional, por meio de conversa entre o voluntário e quem procura pelo serviço. “Nesta conversa, aceitamos e respeitamos a pessoa do que jeito que ela está naquele momento. Ouvimos atentamente tudo que ela nos conta, sem julgamento, crítica ou aconselhamento”, enfatiza.

O atendimento é voluntário e gratuito, 24 horas todos os dias, a todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. “Permitimos que ela expresse livremente tudo que está angustiando e até mesmo pensando num suicídio. Quando esta conversa livre de ameaças ocorre, a pessoa se sente aceita, compreendida, mais confiante e que não está sozinha”, ressalta a coordenadora.

Em 2018, o CVV assinou uma parceria com o Ministério da Saúde, como apoio nas ações de prevenção do suicídio, que levou à criação do 188, telefone sem custo de ligação, com abrangência nacional. “Em 2018 atendemos cerca de 3 milhões de ligações”, detalha Eliane.

 

SUICÍDIO

Para Silvia da Silva Filhinho, psicóloga clínica com especialização em Cinesiologia Psicológica – Integração Fisiopsíquica, pode-se dizer que o suicídio é a consequência mais trágica da depressão. Ela alerta que é preciso observar os sintomas. “Observar mudanças no comportamento e nos hábitos, ou seja, indivíduo que se apresente mais ansioso, agitado, ou deprimido; afastamento da família e amigos; comentários negativos em relação ao futuro ou constantes sobre mortes, pessoas que já morreram”, enumera.

Segundo a psicóloga, o descuido com a aparência, a perda da qualidade do sono – insônia ou hipersonia – também são mudanças bruscas que precisam ser observadas no comportamento. “A psicoterapia pode ajudar muito o paciente/cliente, que está com ideações suicidas, a conectar-se novamente com a vida. Para isto, é necessário estabelecer uma forte aliança terapêutica”, afirma.

Após estabelecer essa conexão, destaca Silvia, cabe ao profissional avaliar os riscos e reunir esforços para evitar a intenção de suicídio. “Também é importante envolver a família, estabelecendo redes de apoio, encaminhar para o médico psiquiatra, caso não esteja sendo assistido. É um momento delicado que requer muito cuidado e atenção”, avalia.

(Eliana Teixeira)