Nada de novo?

Não há nada de novo no fundo do mar. Nada a ser descoberto, nenhum peixe exótico e único, que chame a atenção dos biólogos e cientistas, espantados com sua existência.

Nada de novo sob o sol. Ó, isso está escrito até nas Sagradas Escrituras e Deus sabe há quantos mil anos! Não há nada de novo sobre a Terra. Tudo sobejamente conhecido, esquadrinhado, detalhado, definido, catalogado. Onde haverá um último mistério a ser desvendado? Somente dentro dos corações talvez, pois o coração humano é um poço de segredos e de coisas irreveladas.

Não há nada de novo sob o céu. Eu queria tanto que houvesse! Desejaria tanto encontrar alguma coisa novíssima, estupenda e colossal, para ficar eternizada em nossas retinas. Algo assombroso e avassalador, que nos tirasse do sério, que nos deixasse de boca aberta, que nos fizesse parar. Ou pirar. É só mudar a vogal.

Não há nada de novo na televisão. Os programas se repetem exaustivamente, se desgastam, suas fórmulas se esvaziam. Mas, às vezes, por falta de opção, acabamos assistindo aos mesmos quadros semanais, tão previsíveis e tão óbvios. De tudo o que resta, fico com os telejornais. Saber como vai o mundo ainda me interessa. Mas salva-me sempre o Netflix. Filmes me fazem sonhar!

Nada de novo na propaganda. Poucas boas ideias. Nada de novo para cabelos. Xampu e condicionador, tudo igual. As prateleiras estão entupidas de produtos, de marcas, de embalagens sedutoras, mas, quando usamos, não é bem o que esperávamos.

Tem algo novo por aí, meu anjo? Você sabe de algo que a internet ainda não tenha trazido à luz? Ah, nós estamos precisando de coisas novas. Chega da velharia de sempre, das ideias repetidas, das mesmas ofertas e dos mesmos apelos. Que maravilha se surgisse algo de N-O-V-O e nos deixasse de queixo caído. Quero ver um sinal no céu, além dos que já tenho visto. Quero ver a Alva que precede a Aurora. Quero ver o Aviso de Deus ressoar pelos quatro cantos do mundo.

Nada de novo no front, além dos aviões de carreira. Era essa a frase? Quem já viveu meio século como eu vivi, pôde ver algumas coisas virem e irem-se, sumindo da nossa vista. Por onde anda o conjuntinho de ban-lon? A saia pregueada de tergal? A camisa “Volta ao mundo”? O perfume “Lancaster”? Cadê um LP? Um 78 rotações? E a vitrola, o toca-discos? Hi-fi? A bebida chamada “Cuba-libre”? Alguém sabe dançar o “twist”? Quanta coisa veio e se foi num rabo de foguete. Tanta coisa velha e ultrapassada, que fez furor um dia.

Ainda me encantam os boleros, os tangos, as valsas, a pintura, a poesia, aquela literatura que a gente lê com o coração aos pulos. Ainda me estremecem os poemas de amor, alguns mistérios, algumas revelações feitas no maior sigilo, para que somente quem as ouviu guarde bem.

E se alguém souber de uma bela novidade, um novo planeta descoberto, alguma flor recém-catalogada, algo das Arábias, passa um zap pra mim? Algo de extraordinário, fora do comum, me avise, por favor. Estou à espera do novo. Aquele novo tempo que fará a maravilha dos nossos olhos e do nosso coração.

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