Frota da Tupi ainda não opera com todos os ônibus nas ruas (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Com a fase amarela de flexibilização das atividades econômicas, mais pessoas voltam ao trabalho e dependem do transporte coletivo. Nesse cenário, mesmo com aumento da frota, usuários enfrentam superlotação nos veículos. Além de menos horários, quem depende desse transporte preocupa-se com a falta de higienização dos carros entre uma viagem e outra em meio à pandemia.

Ao usar a linha 240 do TCE (Terminal do Cecap/Eldorado) para o TPI (Terminal do Piracicamirim) para ir trabalhar na manhã do último sábado (15), a moradora do bairro Cecap, Vanessa Vitti indignou-se com a aglomeração dentro do veículo pela qual os passageiros precisaram enfrentar e registrou a situação.

“São poucos ônibus. Horários muito espaçados entre um e outro, o que facilita a superlotação. Não só na linha do meu bairro como nos outros também. […] Eles podem alegar que dispuseram um volume maior da frota, que dependendo do bairro tem poucas pessoas que utilizam o ônibus, enfim. Sabemos disso, mas está realmente muito complicado se deslocar com a situação do jeito que está”, enfatiza. “Sábado isso ficou muito nítido. Pouco ônibus em circulação [e] muita gente para ir ao trabalho, outros para o centro”, complementa.

Vanessa lembra ainda que não vê mais, como no início da quarentena, a equipe da limpeza da empresa Tupi (Transporte Urbano Piracicaba) fazer a higienização dos veículos entre uma viagem e outra. “Não, de forma alguma! Desembarca uma turma e embarca outra direto. Não tem mais ninguém para fazer a higienização antes do embarque e desembarque”, conta.

A reportagem questionou o Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte) do por quê, mesmo na fase amarela, a frota da empresa Tupi não roda com 100% da capacidade. Em nota, a pasta afirmou que amplia a frota na medida em que há aumento no número de passageiros.

“Antes da pandemia, transportávamos em um dia útil uma média de 90.000 passageiros com 219 ônibus, sendo 199 ônibus + 10% de frota reserva. Atualmente, a média está em 36.000 passageiros por dia útil, e uma frota de 131 ônibus sendo 119 ônibus + 10% em frota reserva”, disse.

Sobre a questão da higienização, a Semuttran informou que a limpeza completa dos veículos ocorre quando chegam à garagem. “Ao longo do dia, uma equipe fica no Terminal Central higienizando os carros que param por mais de 15 minutos, dando prioridade aos veículos que passam por hospitais”, diz a nota.

O coordenador do Centro de Vigilância em Saúde (Cevisa), Moisés Taglieta, lembra de que a fase amarela flexibiliza as atividades econômicas, mas que não diminui a necessidade da manutenção do distanciamento social. “As pessoas que necessitam ir para rua ou estar em locais onde existem outras pessoas, essas precisam continuar mantendo o distanciamento de 1,5 metro – 2 metros das pessoas e utilizar máscara. O uso da máscara é coadjuvante ao distanciamento social”, reforça.

Taglieta observa ainda a necessidade do distanciamento social para evitar aglomeração nos pontos de ônibus e filas do comércio. “Não é só dentro do ônibus que as pessoas têm que tomar cuidado, é também antes de entrar no ônibus”, diz. “A orientação continua sendo a mesma: manter o máximo possível o distanciamento social e, quando não for possível ficar em casa, utilizar a máscara”, complementa.

Andressa Mota

2 COMENTÁRIOS

  1. O governo federal manda ajuda em dinheiro aos municípios e estados cada vez que um caso de contaminação ou morte por coronavírus é divulgado nas estatísticas oficiais. Se o dinheiro fosse para as famílias dos infectados e mortos, não contaminaria um. Porém, pensando no “bem” da população, o que fizeram: reduziram as linhas e horários de ônibus, assim quem depende de transporte público pode ficar tudo junto, concentrado, porque não tem carros suficientes para fazer o isolamento necessário, um banco ocupado, outro não, somente passageiros sentados, metade da lotação do veículo, entre outras coisas. Também reduziram o horário do comércio não essencial, quando podia abrir, assim havia desobediência às restrições e as lojas ficavam lotadas, ao invés de ter redução de pessoas tinha muito mais gente, ou seja, contaminação a rodo. Se o horário fosse estendido, cada grupo de pessoas atendidos em blocos de horários de três horas cada, não haveria aglomeração. Agora, vão extinguir serviços públicos que funcionam, reduzir verbas de saúde, educação, moradia, de onde puderem tirar, alegando falta de dinheiro. Então, prestem atenção nas notícias e nas eleições façam tudo o que sempre fizeram: elejam os maus governantes e administradores para que eles continuem a prejudicar o povo.

  2. A moça da limpeza entra no onibus, e passa um paninho em questão de 60 segundos, em alguns locais selecionados, para o ônibus lotar logo a seguir. Sabe se muito bem que a desinfecção de superfícies com alcool 70% e similares, depende da esfregação adequada, e que os onibus deveriam rodar com 1/3 da capacidade de lotamento. Os trabalhadores voltaram aos seus serviços e no entanto, a frota continua reduzida. Foi uma redução antes da pandemia, e outra mais grave depois. É desumano com o trabalhador. Irei fazer questão de ir ao comício do Barjas e Partido, chamar o mesmo de assassino de trabalhador por fechar os olhos a essa situação.

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