“Não é só viver muito tempo. É ter saúde para conseguir desfrutar de uma vida ativa e feliz”

Foto: Amanda Vieira/JP

Arraso traz orientações e alguns segredos da longevidade com a médica geriatra Mariana Kairalla Andreazzi

A maior busca do ser humano, com certeza, é chegar à velhice feliz, com saúde e dinheiro. É possível obter a última alternativa com trabalho e, digamos, um pouco de sorte. Porém, no caso das duas primeiras, o alcance desses dois pilares está totalmente ligado ao estilo de vida que levamos: quem come e dorme mal, é rabugento e negativo, não se diverte e não tem hábitos saudáveis de forma geral dificilmente chegará à terceira idade com vigor.

Com a colaboração da médica geriatra que também atua na Santa Casa de Piracicaba, Mariana Kairalla Andreazzi, a Arraso traz hoje uma série de orientações importantes a quem busca uma vida longeva e saudável. Especializada em cuidados paliativos e com ampla experiência em Saúde do Idoso, Mariana é taxativa: “a questão não é só viver muito tempo, mas ter saúde para conseguir desfrutar de uma vida ativa e feliz”.

As notícias são boas quando o assunto é longevidade. Segundo a médica, a esperança de vida do brasileiro aumentou 31,1 anos, desde 1940, conforme informações do IBGE. A expectativa de vida dos homens passou de 72,8 anos em 2018 para 73,1 anos em 2019 e a das mulheres foi de 79,9 anos para 80,1 anos. “Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos. Em 1940, uma pessoa ao completar 50 anos, por exemplo, tinha uma expectativa de viver mais 19,1 anos. Já em 2019, a esperança de vida para uma pessoa nessa faixa etária seria de 30,8 anos. Atualmente vive-se, em média, quase 12 anos mais”, explica. E ainda: as mulheres vivem mais que os homens em todos os países do mundo. “Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que as mulheres vivem pelo menos 1,4 ano a mais que os homens, embora existam regiões em que essa diferença supere 3 anos. Em alguns países da América Latina, essa diferença é ainda maior. No Brasil, segundo o IBGE, a expectativa de vida das mulheres é de 79,9 anos — já a dos homens é de 72,8 anos”, cita Mariana.

Hoje, segundo ela, as principais doenças que acometem os idosos são hipertensão arterial, AVC, diabetes, osteoporose, doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson), doença pulmonar e câncer. E algumas das formas de se evitar enfermidades é boa alimentação e prática de atividade física. “A alimentação balanceada é um dos pilares para uma rotina não só mais saudável, mas também para uma vida longeva. A combinação apropriada de vitaminas, proteínas, gorduras, carboidratos, fibras e sais minerais traz diversos benefícios. O mais importante é ter equilíbrio na alimentação”, recomenda.

Já a prática regular de atividade física, cita Mariana, evita o excesso de peso e a obesidade, previne o aparecimento de doenças, reduz a tensão arterial, melhora a autoestima e contribui para a concentração e o bem-estar físico e psicológico. “Segundo a OMS, o ideal são 150 minutos semanais de atividade leve a moderada ou 75 minutos de treino intenso, no entanto, os parâmetros variam de acordo com a faixa etária. Para as pessoas com mais de 65 anos, recomenda-se exercícios como locomoção, jogos e esportes em geral, além das tarefas domésticas. O objetivo, nesses casos, é melhorar a saúde dos ossos e a função cardiorrespiratória e muscular, além de reduzir o risco de doenças não transmissíveis, depressão e declínio cognitivo”, orienta.

Mariana traz também uma informação importante aos amantes de vinho: “Uma, até duas, taças de vinho tinto por dia pode sim fazer muito bem à saúde. Rica em agentes antioxidantes, a bebida ajuda a fortalecer o organismo, prevenindo diversas doenças, principalmente relacionadas ao coração. Mas, como se trata de um produto alcoólico, é necessário muito equilíbrio no consumo. Sempre com orientação médica”.

Outro ponto importante defendido por Mariana é que, além da saúde física, os idosos devem cuidar da saúde mental. A questão é: como ter uma vida feliz? “Todo mundo quer ser feliz e, para isso, as pessoas passam a vida procurando e experimentando diferentes caminhos que possam levar à felicidade. O problema é que a maioria das pessoas acredita que a felicidade é uma consequência do sucesso na vida pessoal ou profissional, quando, na verdade, o sucesso é que é uma consequência de uma vida feliz. É possível aprender a ser feliz? Sim, sigam essas dicas: praticar exercícios regularmente, estar com pessoas que te fazem bem, defender seus pontos de vista, gastar dinheiro com experiências e não com coisas, alimentar-se bem, receber e dar carinho, sorrir, guardar boas memórias, cuidar de si, viajar muito e estar aberto a novas experiências”.

Nani Camargo
Especial para o JP

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