NATAL

Menino, peço-te a graça / de não fazer mais poema / de Natal. / Um dois ou três, inda passa… / Industrializar o tema, / eis o mal”. (Carlos Drumomond de Andrade)

O Natal significa a celebração do nascimento de Jesus Cristo. Todos os agrupamentos ou sociedades humanas tiveram suas datas festivas, suas celebrações religiosas ou cívicas. Mesmo em nossa vida pessoal não dispensamos comemorações e rituais: batizados, casamentos, funerais, inaugurações, lançamento de pedra fundamental, entrada em uma Universidade, formatura, defesa de tese, posse em cargos públicos ou privados, em suma, pontilhar nossas vidas de datas comemorativas e de encenações teatralizadas mostra ser uma necessidade humana. É a busca da agregação, a necessidade de se mostrar e de ver. É o amor às festividades que mantém o congraçamento social.

O Natal é uma destas comemorações praticamente de caráter universal. Ela já foi celebrada em seis de janeiro como em 25 de março. O papa Júlio I, no século IV a fixou em 25 de dezembro.

No Brasil esta data religiosa está incluída no chamado Ciclo Natalino, com presépios, árvores de natal, cânticos votivos, a Missa do Galo e a Ceia de Natal. No Norte e Nordeste, os festejos incluem os tradicionais Pastores ou Pastorinhas, Reisados, Folias de Rei, Cheganças.

Papai Noel, figura lendária, vulgarizou-se no Brasil após 1930. Atualmente é personagem de obrigação formal, de iniciativa oficial e letrada, não popular. Foi, por força da mídia, se impondo, mesmo sem ter nenhuma ligação com o ciclo do Natal cristão.

O nascimento de Cristo marcou a morte de um grande número de deuses pagãos. Trouxe a expectativa de outra eternidade e o ensinamento de que todos nasceram para morrer e que morremos para ressuscitar.

Os festejos natalinos possuem a magia de alegrar as pessoas. É uma festa luminosa e melodiosa, induz-nos à filantropia, ao congraçamento à reconciliação.

Leopardi, em um de seus ataques de profundo pessimismo, versejou: “Talvez em qualquer / forma, estado que seja, num covil, ou num berço, / o dia de Natal seja funesto a quem nasce. A primeira e a pior de todas as desgraças”.

Cristo, o enviado para redimir a humanidade, deixou-nos ensinamentos de extrema doçura, de amor incondicional ao próximo e de paz. Condenou com veemência a corrupção, a cobiça e a violência. Infelizmente, seus ensinamentos, ao serem muitos distorcidos, serviram para praticar inomináveis violências: Cruzadas, Inquisição, guerras de Religião, discriminações, como, já afirmava Maquiavel: “desde o estabelecimento do cristianismo, não se viu um único Estado que realmente seguiu uma política cristã”.

Nosso país, batizado em seu descobrimento como Terra de Santa Cruz, jamais foi um país cristão seguidor dos ensinamentos do Mestre. Corrupção em todos os setores, injustiças hediondas, desigualdades indefensáveis atestam nossas apostas.

Que neste Natal possa ser o início de nossa real cristianização, com a união de todos para tornar este país desenvolvido o suficiente para dar sustento a seus habitantes; estripar a corrupção, diminuir as desigualdades, fazer do brasileiro um cidadão feliz e solidário com seu próximo.

Pilatos tentou salvar Cristo, o povo, que o havia aclamado dias antes, se deixou induzir contra ele. Que o mesmo não aconteça aqui, a não ser que esse nosso novo governante não cumpra com suas promessas de reais mudanças.

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