Cometa foi registrado essa semana em Altinópolis, interior de SP | Foto: Reprodução

Piracicaba e demais regiões do interior de São Paulo está na rota do cometa Neowise, um astro classificado como não periódico, que como explica Nelson Travnik, diretor do Observatório Astronômico da cidade, “vem dos confins do sistema solar e pode demorar centenas de anos para voltar”. A passagem do corpo celeste em Piracicaba, segundo a astrônomo, está prevista para este fim de semana, e pode ser visto a olho nu, mas com auxílio de binóculo o telescópio, por volta das 18h, quando o sol do por. “Tem que esperar ficar escuro”.

Imagens de uma suposta passagem do Neowise por volta das 18h de quinta-feira (23) foram registradas por Sueli Hoffman, na região da Nova Piracicaba. Nas fotos enviadas ao Jornal de Piracicaba, um ponto branco cruza o céu, mas segundo Travnik, que analisou o material, o mais provável é que não se trata do cometa. “Não tem calda, diferente da imagem registrada no mês dia em Altinópolis, também no interior de São Paulo”, fala o astrônomo sobre a foto que ilustra essa matéria.

A primeira aparição do Neowise foi no Hemisfério Norte da Terra, há cerca de uma semana. No dia 21, última terça-feira, o cometa foi avistado no Hemisfério Sul, como conta Travnik, inclusive no Brasil, segundo relatos de pessoas que residem no Pará e Amapá. “Já passou também pelo Centro-Oeste. Pessoas de Goiás viram”, ele comenta. Para tentar ver o cometa em Piracicaba nos próximos dias, Travnik sugere que as pessoas se desloquem para planaltos, regiões de maior altitude. A serra de São Pedro, aponta o astrônomo, é o local ideal. “Passará baixo, por volta das 18h, mas nesta época do ano, devido ao clima seco e a camada de poeira que plaina no horizonte, pode dificultar a visibilidade”.

O ineditismo da passagem do Neowise, ele destaca, é a oportunidade para grupos de estudo ligado ao Observatório de Piracicaba conhecer melhor o cometa. O assunto, aliás, é uma das especialidades de Travnik, que em 1985 lançou, via editora Papirus, uma obra que é considerada pioneira no Brasil, “Os Cometas”. “Cometas são formados por água na forma de gelo, poeira e detritos (rochas, pedregulhos). Quanto mais perto do sol, o gelo, em estado sólido, passa direto para o estado gasoso, o que na física chamamos de sublimação”.

Apesar de despertar curiosidade na população e entusiasmar os astrônomos para acompanhar esta passagem, Travnik que não será um “espetáculo no céu”. “Acreditamos que não será como a passagem do cometa Hyacutaki, em 1996, quando o fotografamos e fomos até mesmo premiados por este registro’.

Erick Tedesco ([email protected])

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