Neurose de repetição

Por Júnior Ometto

Por que algumas pessoas fazem sempre a mesma coisa e depois dizem que não queriam ter feito? Por que provocam dores que não querem sentir? Até parece que gostam de sofrer, que preferem o caminho errado… Os relacionamentos amorosos estão longe de ser o que gostariam que fossem, mas procuram sempre os mesmos! Por que insistem no que não é o melhor para elas? Por que se colocam novamente (e sempre) na mesma posição, da mesma cena? Trocam até os personagens (marido, namorado, esposa, trabalho, casa, bens), mas estão sempre do mesmo jeito… Vamos entender isso?
Neurose é ter que repetir continuamente uma situação mal elaborada, ou, não resolvida. Um “buraco” onde você entrou (e normalmente já entrou há um bom tempo) e não consegue resolver, sair. Ou nem sabe que entrou.
A maneira como o ser humano se relaciona afetivamente já é construída desde o início da sua vida e a tendência é repetirmos situações emocionais que vivemos no passado que, de alguma maneira, não foram totalmente resolvidas pelo nosso psíquico. Numa analogia ao aparelho digestivo, podemos dizer que, como uma comida “pesada” tende a voltar para ser digerida, o psíquico muitas vezes tende a reproduzir a mesma situação para “digeri-la” melhor e isso acontece em vários segmentos de nossa vida, o que, não tratado, traz muito desconforto, problemas emocionais, má qualidade de vida, além de muitas doenças.
“Tenho visto as pessoas tornarem-se frequentemente neuróticas quando se contentam com respostas erradas ou inadequadas para as questões da vida. Elas buscam posição, casamento, reputação, sucesso externo ou dinheiro, e continuam infelizes e neuróticas mesmo depois de terem alcançado aquilo que tinham buscado. Essas pessoas encontram-se em geral confinadas a horizontes espirituais muito limitados. A vida não tem conteúdo ou significado suficientes. Se têm condições para ampliar e desenvolver personalidades mais abrangentes, a neurose costuma desaparecer”. (Jung).
Para sair dessa situação, é preciso mudar a percepção sobre si mesmo e sobre o mundo, através do autoconhecimento. Na Terapia, o Psicanalista facilita a abertura, o desabafo e, de forma eficaz, conhece melhor o paciente. Bons profissionais conseguem esta abertura e utilizam as melhores técnicas para as devidas transformações, pois agem como um diretor de filmagem, que vai mostrando ao ator – de forma consciente e inconsciente – o que foi esquecido e não podia ter sido, o que precisa ser alterado, elaborado ou resolvido, o que se evitou enfrentar e o que o está prejudicando, mas o paciente não tem consciência ou tem, mas não consegue resolver sozinho.
Com relação a isso, vale aqui lembrar que, quando recorremos a amigos, colegas ou familiares para desabafar ou tentar resolver algo, temos que ficar medindo as palavras, filtrando informações, por mais que a pessoa seja próxima. Você não pode falar com as pessoas algo que de alguma maneira pode te prejudicar, ou prejudicar sua família, mesmo porque, segredos dificilmente alguém guarda, além do mais, nunca se sabe o futuro e a amplitude/consequência do que falamos. Além disso, quem está escutando pode não ter a proficiência necessária para conhecer o que realmente precisa ser conhecido, falar o que precisa ser falado ou agir tecnicamente e eficazmente nisso.
Enfim, culpar-se, culpar o destino, reclamar, vitimizar-se, terceirizar responsabilidades, procrastinar ou não buscar a solução correta e dentro de nós, apenas alimenta nossas neuroses e nos prejudica cada vez mais.
Quanto mais nos organizamos do lado de dentro, mais a vida se organiza do lado de fora!

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