No Estado de São Paulo, 87 pessoas morreram de covid-19 em um dia

Até ontem, o Brasil registrava 25.262 casos positivos e 1.532 mortes por Covid-19 (Foto: Amanda Vieira/JP)

O Estado de São Paulo bateu ontem um novo recorde de mortes por coronavírus. Com 87 novas vítimas fatais nas últimas 24 horas, o Estado chega a 695 óbitos.

Além disso, ontem foi registrado o pico de internações de confirmados para Covid-19, com mais de 2 mil pacientes assistidos em hospitais. São 1.111 em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 1.042 em enfermarias. A letalidade da doença, no Estado, atinge os 7,42%.

Alguns dos hospitais com maior percentual de uso da capacidade de leitos de Terapia Intensiva destinados especificamente para a doença, são: Hospital Sancta Maggiore Higienópolis (83%), Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (77%), Hospital Municipal do Tatuapé (77%), Conjunto Hospitalar do Mandaqui (76%) e Santa Casa de São Paulo (71%).

Também são 9.371 casos confirmados do novo coronavírus, 476 a mais, em comparação a anteontem.

Já são 183 cidades com pelo menos um caso e 73 municípios com, no mínimo, um óbito. Em Piracicaba, a Secretaria de Saúde informou ontem 29 casos positivos de coronavírus. A cidade segue com uma morte registrada até o momento.

BRASIL
O número de mortes decorrentes do novo coronavírus subiu para 1.532 no país. A nova totalização foi divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. O resultado marca um aumento de 15% em relação a anteontem, quando foram registrados 1.328 óbitos.

O número de casos somou 25.262, o que representa um crescimento de 8% em relação a segunda-feira, quando o balanço do Ministério da Saúde registrou 23.430.

No comparativo com domingo (12), quando foram identificadas 22.169 pessoas infectadas, o aumento significou 14%.

A taxa de letalidade do país está em 6,1%, maior do que a registrada ontem, quando o índice foi de 5,7%.

O Brasil bateu o recorte de mortes em 24 horas: 204. Ontem, haviam sido contabilizados 105 óbitos e, no domingo, 99. 

TRIAGEM
Desde o dia 1º até anteontem, 1.035 pessoas procuraram atendimento médico no Centro de Triagem do Coronavírus, na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Piracicamirim.

Do total, 35 precisaram de encaminhamento hospitalar e 16 foram classificadas como casos de urgência, porque apresentavam SRAG (síndrome respiratória aguda grave ).

De acordo com a superintendente das Urgências e Emergências, Flávia Sá, os casos que exigem atenção especial são encaminhadas aos hospitais e assim que recebem alta passam a ser monitorados em suas respectivas casas, via telefone, por profissionais da Vigilância Epidemiológica.

Os casos de síndrome respiratórias, que não exigem hospitalização, também são medicados e encaminhados para acompanhamento dos profissionais da Atenção Básica.

Já os casos leves, que são a maioria, são medicados e orientados para que fiquem em casa. 

Dos atendidos no Centro de Triagem do Coronavírus, 85 são crianças (menores de 12 anos), 786 adultos (entre 12 e 60 anos) e 155 idosos (acima de 60 anos). A maior procura tem sido durante o dia, das 6h e 18 horas (725) e o menor fluxo, durante a madrugada (38). Das 18h às 24 horas foram atendidos 271 pessoas. 

De acordo com o secretário de Saúde, dr. Pedro Mello, a estrutura de atendimento para o combate ao coronavírus está bem organizada em Piracicaba e o cenário, até o momento, é de estabilidade.

“Precisamos manter este cenário para que não haja pico acentuado ao longo dos próximos meses. Isso significará uma vitória da cidade contra a pandemia. O que requer a continuidade do isolamento social”, enfatizou.

CAMPANHA HRP
Devido pandemia do novo coronavírus, a comissão de humanização do Hospital Regional de Piracicaba “Dra. Zilda Arns” criou a campanha “Você Não Está Sozinho”. O objetivo é que os pacientes recebem cartas de familiares, mensagens de carinho no momento das refeições e desenhos dos filhos dos colaboradores.

A proposta surgiu da necessidade de trazer mais conforto aos pacientes internados que não podem receber visitas nem ter acompanhante por conta da pandemia.

“Além de trazer conforto para o paciente, nosso objetivo é motivá-lo a ter uma boa recuperação, sabendo que tem alguém esperando por ele em casa. Nós queremos enfatizar também aos colaboradores, de como o trabalho deles é importante no processo de melhora dos enfermos”, comentou Lenara Barbieri, presidente da comissão.

Diante de um cenário de isolamento, pacientes estão reaprendendo a conviver consigo mesmo e a proposta provoca um grande impacto, principalmente no paciente que se encontra com a saúde vulnerável.

Os desenhos com o tema da campanha são feitos pelas crianças das famílias dos colaboradores do HRP. A intenção de envolver a juventude nessa ação é de conscientizá-la através da brincadeira. “Queremos que essa atitude desperte empatia nas crianças, para que elas entendam o quão importante é se colocar no lugar do outro. Pensamos que nesse momento de isolamento os pais devem conversar com os filhos sobre a importância de ajudar o próximo e sobre o momento em que estamos vivendo”, explicou Lenara.

Tanto as cartas como os desenhos são recebidos pela comissão, que faz uma triagem para saber se o paciente ainda está internado na unidade. Depois são escaneados, impressos e entregue às enfermeiras que entregam ao paciente.

“Os pacientes que recebem as cartas estão ficando comovidos, pude notar a reação deles ao receber, é emocionante. Para aqueles que estão debilitados, as enfermeiras leem e deixam a carta no leito para que saibam que está ali. Elas mesmas acabam se emocionando. Os desenhos que as crianças estão fazendo são lindos, os pacientes ficam surpresos ao receber e muito felizes quando veem, é gratificante”, conta Jacqueline.

A campanha envolve a todos, mas o principal é fazer com que o paciente se sinta bem dentro de um hospital e os detalhes fazem toda a diferença, como uma simples frase na sua refeição. Já os colaboradores, mesmo vendo toda situação, não deixam de sorrir e cuidar do próximo, por isso é importante valorizar o trabalho desses profissionais. “Se nos colocarmos no lugar do outro, é o que gostaríamos de receber. É maravilhoso tudo isso, até para nós, porque é muito bom você dar amor. É um sentimento de realização”, diz Jacqueline.

COMO FUNCIONA

A comissão entrega um termo de responsabilidades aos familiares que acompanham o paciente quando serão internados. O termo de responsabilidade informa que os familiares não podem ir ao hospital e que o boletim médico será via telefone.

Em seguida, são orientados para que enviem cartas escritas de próprio punho para o e-mail específico da instituição que fará os procedimentos definidos e em seguida entregue ao paciente no mesmo dia.

DESINFECÇÃO
Mais de 120 mil litros de água clorada já foram utilizados na desinfecção dos locais considerados prioritários no combate ao Covid-19, nas ações iniciadas pela Prefeitura de Piracicaba. Do último sábado até ontem, os postos de saúde dos bairros Algodoal, Jardim Primavera, Vila Fátima, Mário Dedini, Vila Industrial, Jardim Gilda, além do CRAB (Centro de Referência da Atenção Básica da Vila Rezende e pronto-socorro do Piracicamirim, entre outras unidades, foram desinfetados pelas equipes da prefeitura.

Segundo a Sedema (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente, o entorno de aproximadamente 20 equipamentos públicos recebeu as ações.
Cada caminhão tem capacidade para 12 mil litros de água clorada, após cada desinfecção, os veículos retornam para reabastecimento, o que demanda tempo entre uma ação e outra.

O Centro Cívico (prédio da Prefeitura) também passou pelo trabalho de desinfecção. Foram higienizados os dois pisos, a rampa principal, escadarias, os bolsões de estacionamento externo e a garagem do prédio.

Também passaram por desinfecção as inspetorias da Guarda Civil Municipal, do Ipasp (Instituto de Previdência e Assistência Social dos Funcionários Municipais de Piracicaba) e das áreas externas e pátios de secretarias municipais.

Os trabalhos de desinfecção no município também incluem terminais de ônibus, hospitais, cemitérios, ruas e praças de grande movimento e outros locais de grande concentração de pessoas.

Beto Silva