Nossa percepção sobre os outros revela muito sobre nós

“Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra”. Pois bem, quanta sabedoria (não explorada) há por trás deste episódio onde Jesus defende uma pecadora das pessoas que a estavam condenando, as quais, depois de ouvirem esta frase, foram se retiraram do local, uma a uma, sem atirar as pedras (a frase e o episódio completo estão no capítulo 8, versículos 1 a 11 do Evangelho de João).

Independente de crenças ou religiões, convido meu leitor hoje a refletir sobre o homem Jesus. Que Ele existiu não há dúvidas, pois fé e ciência já se “entenderam” nisso.

Jesus, como era regra na época, seguia a profissão do pai (carpinteiro), portanto, desde muito cedo já utilizava em seu trabalho as ferramentas (prego, martelo) que iriam crucificá-lo anos mais tarde. E de forma consciente! Como homem que era, deveria então ser o mais depressivo, ansioso ou estressado da época! Mas, paradoxalmente, um de seus grandes legados foi praticar (e ensinar) o genuíno poder da inteligência emocional e seus benefícios.

Temos a chance de aprender muito com Jesus. Terapeuticamente, “viajaremos” agora em sua sabedoria, através de uma dessas oportunidades de aprendizado que Ele nos oferece.

Julgar alguém é colocar pedras no próprio caminho. Pedras em forma de fardos, crenças limitantes, mágoas, raiva, passado mal resolvido, lixos emocionais que diariamente são “atirados nos outros” para tentar aliviar estes conflitos internos. Portanto, veja a magnitude do grande convite de Jesus neste episódio! Na verdade, Ele faz aquelas pessoas refletirem não só no fato de não terem o poder de condenar alguém, mas Ele quer que esta reflexão vá além: só não atira pedras nos outros quem não as tem! Isso é resolver na raiz…

Empatia. Palavra libertadora. A vida é dinâmica, tudo passa e devemos entender que cada um tem sua história, estrutura, limites e: pedras. Ninguém é igual a ninguém e a pergunta que precisa ser respondida por cada um: se eu critico, por que não elogio? As pessoas só têm defeitos? Por coerência (comigo mesmo), devo entender que há algo errado, não há?

Cada ser humano está num estágio de evolução e a inteligência ensina que devemos respeitar essa dinâmica, ou seja, não exigir que o outro esteja no mesmo estágio que eu e ir além, ou seja, se eu estiver num estágio superior, que eu o ajude a melhorar. Isso é viver com sabedoria, ou seja, evoluir, sermos melhores hoje do que fomos ontem e não melhores que os outros. Lembrando que ajudar nada tem a ver com jogar pedras, se vingar, julgar ou condenar, pois essas são atitudes que, além de não resolverem nada, apenas desperdiçam nossa energia emocional e tempo, nos sufocando e prejudicando.

Quando olhamos para as nossas pedras, temos condições de fazer o que está ao nosso alcance, ou seja, retirá-las do nosso caminho e nos desenvolver como pessoas. Quando focamos nas pedras dos outros, estamos gastando energia com o que não está no nosso controle, pois não são nossas pedras, não é nosso caminho e ninguém muda ninguém. É a pessoa que decide o que mudar e quando mudar. Desista do que não é teu.

Quem você tem sido?