Novos desafios para a Cultura

Foto: Pexels

Adolpho Queiroz, é Secretário Municipal de ação Cultural

Devemos todos nós ao bom entendimento que a Câmara Municipal de Piracicaba teve, ao votar na semana passada o projeto do Executivo, que propôs a separação entre as pastas da cultura e turismo. Tratava-se de demanda que não tinha sido bem recebida na cidade anteriormente, que ganhou força no período eleitoral do ano passado entre os partidos que apresentaram, em formatos diferentes, demandas específicas para o campo cultural da cidade, todos divergentes da convivência anterior com o turismo.

Ao grupo vencedor do processo eleitoral, coube então a prerrogativa de apresentar, já nos primeiros dias de janeiro, a separação das duas secretarias, entendendo, não só pela demanda eleitoral, mas por novos conceitos que gostaria de implantar na cidade, olhares diferentes e independentes para os dois campos. A cultura, com suas demandas específicas para as múltiplas linguagens que abraça e o turismo, com um olhar mais técnico, voltado para o empreendedorismo e novos negócios.

Do lado direito do nosso velho rio, a fortaleza da cultura estampada no Engenho Central, do lado esquerdo do rio, o turismo incentivado pelos restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis. E seus desafios. Por ser mais ativa e combativa, a área da cultura é frequentada por olhares igualmente múltiplos de pensadores, fazeres e, especialmente, de execuções poéticas, plásticas, filosóficas, musicais,teatrais sobre as demandas da vida contemporânea. Mais pragmático, a partir de agora, ao turismo caberão novos desafios locais e regionais,com vistas a empreendimentos e o convite permanente para que Piracicaba e cidades de região façam daquela margem do rio, um celeiro permanente de eventos e negócios.

À cultura caberá daqui por diante alguns grandes desafios, o planejamento e execução das ocupações diversas a serem promovidas no Engenho da Cultura; a criação do corredor metropolitano da cultura, para interagir com 24 cidades; a atualização do projeto Movimentação Cultural, após pesquisa sobre novas demandas e a ampliação das suas atividades para os 234 bairros da cidade e da zona rural, onde sua participação é modesta. A partir das reuniões do orçamento participativo, das quais participei ao lado de vários dos integrantes da nossa equipe, começam a vir demandas para a construção de novos centros culturais, ocupação de centros sociais, comunitários, varejões ,entre outros.

A realização de audiência pública na Câmara Municipal foi um dos instrumentos de difusão aos vereadores e aos espectadores da TV Câmara, para uma melhor compreensão de onde pretendemos chegar ao final deste mandato. Com as diretrizes dadas, orçamentos refeitos e, agora a aprovação formal do Poder Legislativo, entraremos neste segundo semestre de atividades com um olhar ainda mais claro e objetivo sobre o que e como fazer.

Vale ainda destacar que a formação de uma Frente Popular de Apoio a Cultura, foi outro elemento importante nascido deste processo de discussão entre Executivo e Legislativo, que poderá dar ainda melhores contornos ao caminho que pretendemos seguir daqui por diante. Trata-se de novidade a ser construída e respeitada por ambas as partes doravante. O Executivo com as suas iniciativas pertinentes e o Legislativo, com o olhar colaborativo e fiscalizador que lhe cabe.

“Ideias e seus custos respectivos”, essa tem sido a máxima difundida pelo nosso prefeito Luciano Almeida, na gestão do governo local. Não se viabilizam boas ideias sem os recursos necessários e pertinentes. E o poder público, infelizmente, não consegue “poder tudo” do que dele se desejaria. Por isso, a necessária compreensão de todos de que parcerias público-privadas sempre serão bem-vindas no âmbito da cultura. Que o turismo prospere com seus novos desafios; que a cultura continue a ser acolhedora das diversidades que a permeiam; e que, juntos, possamos celebrar novos tempos e desafios.

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