No mês da conscientização de doação de órgãos, transplantados contam suas histórias de superação. (foto: Arquivo pessoal)

No dia 10 de maio de 2006, o metalúrgico Dinael Wolf, foi informado pelo médico de que seus rins não funcionavam mais. Ele conseguiu receber um transplante de rim doado por seu irmão, Dirceu Wolf, no entanto essa não é a realidade de milhares de brasileiros que estão na fila a espera de um órgão.

Dados divulgados em março deste ano pelo RBT (Registro Brasileiro de Transplantes) revelam que 33.984 pessoas adultas aguardam na fila do transplante a espera de um órgão; 15.701 deles só no Estado de São Paulo. Em números gerais, a maior espera é pelo rim, com 22.616 pacientes.

Para mobilizar a população quanto à importância de ser um doador de órgãos e a fim de diminuir a lista de espera de pessoas que aguardam pelo transplante, em todo país é celebrado o “Setembro Verde” como forma de conscientização. Alguns locais em Piracicaba, como o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), por exemplo, estão com o prédio iluminado de verde para incentivar e homenagear a campanha.

O transplante de órgãos tem sido feito no Brasil desde 1968 e as campanhas e mobilizações têm surtido efeito, pois o número de doadores aumenta a cada ano. Em 2008 foram realizados 5.421 transplantes de órgãos, já em 2018, foram 8.729, um aumento de 61%, mas que ainda é insuficientes devido a demanda. Segundo o RBT, São Paulo é o estado que mais possui doadores e também o que tem maior demanda, e Piracicaba representa parte desse número. Em 2018, a Santa Casa de Piracicaba recebeu o prêmio por ser a cidade com maior número de doações de córneas. De acordo com a Secretária de Saúde, em 2018 a cidade recebeu 12 doações de órgãos, o que pode refletir em até 120 pacientes recebendo essas doações. O

Edson Arakaki nos Jogos Mundiais para Transplantados

TRANSPLANTE

O processo da espera de um transplante é algo relatado pelos pacientes como sofrido. Dinael, após ser diagnosticado, foi encaminhado para a internação. “Foi quando iniciou mais um desafio na minha vida com sessões de hemodiálise e exames. Graças a Deus não faltou suporte dos médicos, amigos e familiares”, relata. Seu problema somente foi solucionado ao realizar o transplante. “Conseguir um órgão doado por um familiar é algo raro, se for contar os órgãos vitais, é impossível”.

O médico Edson Arakaki, presidente da ABT (Associação Brasileira de Transplantados), também passou por um processo similar ao receber um rim de sua irmã, porém 16 anos depois do início de sua doença. “Nenhum transplante é feito se não for um caso extremo, no meu caso foi o falecimento dos rins,” explica Arakaki. Assim como Dinael, Edson comentou da importância do apoio de amigos e familiares no momento da recuperação.

CAPTAÇÃO

Doar órgãos não é uma atitude fácil, pois como afirmou Jacqueline Defavari, enfermeira coordenadora da CIHDOTT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) da Santa Casa de Piracicaba, “é um momento sensível para os familiares, estão de luto com a perda, mas encontram uma forma de ajudar o próximo permitindo a doação”.

De acordo ela, iniciar a abordagem com uma família que acabou de receber a notícia da morte de um ente querido e perguntar se ela autoriza a doação dos órgãos da pessoa não é uma tarefa fácil. “Por isso, a necessidade de contarmos com uma equipe multiprofissional qualificada e capacitada para realizar todo o procedimento de abordagem. É um momento delicado em que o familiar recebe a notícia e tudo precisa ser realizado de maneira ágil, pois após a família aceitar o fato se inicia o processo de exames clínicos para o diagnóstico de morte encefálica. Com o diagnóstico em mãos é preciso que a equipe ofereça à família a oportunidade de ser ou não doadora de órgãos”, disse à enfermeira que reforçou a “importância de a pessoa manifestar em vida quando deseja ser doadora e informar à família, pois numa situação delicada como esta faz toda diferença”.

Segundo Jacqueline, o processo de captação é feito com dinâmica e cuidado por se tratar de um assunto sensível sendo um tabu para algumas religiões.

A captação de órgãos não é fácil, pois é necessário que o doador (com exceção dos de rim e medula) tenha tido uma morte cerebral ou cardíaca, no caso de doação de córneas. “É importante salientar que um doador pode ajudar até dez pacientes” afirma Jacqueline.

Larissa Anunciato
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