Nos últimos dias, a cidade tem confirmado casos sempre acima de dois dígitos (Foto: Fotos: Amanda Vieira/JP)

Os diagnósticos de novo coronavírus tem aumentado em pessoas com idade abaixo de 60 anos em Piracicaba. Nos 15 casos confirmados da doença anunciados ontem pela prefeitura, apenas um paciente (78 anos) tem idade acima da faixa etária mais afetada pelos sintomas da doença.

Segundo os dados da Secretaria de Saúde do município, os casos confirmados ontem são de nove mulheres com idades entre 8 e 60 anos e de seis homens de 18 a 53 anos de idade.

Já nos 22 casos confirmados anteontem pela pasta, 13 mulheres têm idades entre 23 a 51 anos e nove homens estão entre 31 e 59 anos, sendo um idoso de 89 anos.

Em uma rede social, o prefeito Barjas Negri (PSDB), disse ontem que ‘é muito preocupante o avanço de casos confirmados na cidade’. Piracicaba conta com 258 casos positivos e 17 mortes pela covid-19.

MORTES NO ESTADO
O Estado de São Paulo registrou nesta quinta-feira a segunda morte de criança infectada pelo novo coronavírus na semana. A vítima infantil residia na Capital, tinha apenas um ano e comorbidades.

Outras quatro crianças já faleceram com covid-19 no Estado, todas na Grande São Paulo. A primeira era uma bebê de sete meses da cidade de São Paulo, conforme divulgado em 25 de abril. A segunda, de um ano, também na cidade de São Paulo. A terceira era de Penápolis, com nove anos. A quarta foi confirmada na segunda-feira, tinha quatro anos e morava em Francisco Morato.

A letalidade entre crianças, hoje, é de 0,8%, quase oito pontos percentuais a menos que entre idosos, faixa em que o índice é de 8,5%, segundo informou o Estado.

No total, hoje são 4.315 mortes relacionadas à covid-19, com 197 confirmações nas últimas 24 horas.

Já são 54.286 casos confirmados da doença, com uma ou mais pessoas infectadas em 443 municípios, o que representa 68% do território estadual. Em 196 das cidades uma ou mais vítimas fatais. Entre o total de casos, 589 tinham menos de dez anos.

Até ontem, havia 9,9 mil pacientes internados em São Paulo, sendo 3.884 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 6.110 em enfermaria.

A taxa de ocupação dos leitos de UTI reservados para atendimento a Covid-19 é de 69% no Estado de São Paulo e 85,5% na Grande São Paulo. 

VAQUINHA
O chefe do Executivo piracicabano participou ontem de uma ‘live’ da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), envolvendo 60 prefeitos, que debateu o avanço da doença nos municípios e as ações nessa “guerra”.

Barjas falou que há uma ausência de orientações técnicas e coordenação dos trabalhos em nível federal, sobrando para os estados e municípios sozinhos essa responsabilidade.

Por isso, para esclarecer a população em nível nacional sobre a importância do isolamento social, da higienização e das medidas protetivas, Barjas pediu ao presidente da FNP, Jonas Donizete – prefeito de Campinas -, que articule com os governadores e prefeitos uma ‘vaquinha’ para arrecadar fundos para uma grande campanha educativa nacional, inclusive pedindo às principais emissoras que abram espaço para as veiculações, porque é uma questão de saúde pública emergencial.

Barjas falou que os estados e municípios têm enormes dificuldades para convencer a população da necessidade do isolamento social, porque a doença se espalha do contato de pessoa para pessoa. “Sem uma campanha forte em nível nacional nos jornais, rádios, TVs e na mídia social, fica mais difícil para os municípios sozinhos convencerem as pessoas”, explicou o prefeito, pedindo que nessa discussão seja envolvido também o Conselho Nacional de Saúde.

DÚVIDAS
Barjas disse que a ação deveria ser coordenada pelo Ministério da Saúde. Mas, segundo o tucano, o que se vê são declarações do Governo Federal que têm atrapalhado e levado desinformação ou dúvidas às pessoas, como comentários de que a covid – 19 é “uma gripinha”.

A população, afirmou o prefeito, acaba não sendo convencida da gravidade da doença, principalmente aquela que teme perder o emprego no pós-quarentena. O ministério tem em sua agenda anual as campanhas publicitárias contra dengue, DST/Aids, várias vacinas, sarampo, febre amarela, HPV entre outras.

A Frente Nacional de Prefeitos, segundo Barjas, poderia estimular as grandes agências de propaganda a desenvolverem peças publicitárias orientando toda a população, inclusive buscando apoio de reconhecidos artistas nacionais para levar essa mensagem ao País. Ele lembrou, também, que grandes empresas estão doando recursos para estados e municípios no enfrentamento à covid-19, e uma parte desse dinheiro poderia ser usado nas campanhas educativas, cobrindo o que deveria ser de responsabilidade do Ministério da Saúde.

CALAMIDADE PÚBLICA
Em decorrência da pandemia do coronavírus, 477 dos 645 municípios paulistas já decretaram estado de calamidade pública. A confirmação é do deputado Edmir Chedid (DEM).

De acordo com o parlamentar, a decretação do estado de calamidade pública, adotada justamente quando ocorre algum desastre, natural ou não, permite que o poder público municipal realize compras emergenciais sem licitações, podendo ultrapassar metas fiscais previstas para custear atividades de combate ao problema. “Não significa, no entanto, que não tenha que prestar contas”, garantiu.

Neste sentido, Chedid afirmou que a prestação de contas continuará sendo uma obrigação do poder público municipal com a sociedade, cabendo ao Ministério Público e aos membros do Poder Legislativo a fiscalização das atividades de combate ao problema.

Beto Silva

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