O adeus ao musicista piracicabano Antônio Arzolla

Com seu talento, Arzolla elevou o nome de Piracicaba no cenário mundial da música | Foto: Arquivo Pessoal

A música erudita perdeu no último dia 24 de janeiro um dos filhos pródigos de Piracicaba, Antônio Arzolla, ex-aluno da Empem (Escola de Música de Piracicaba), professor da Unirio e membro da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na sexta-feira (5), foi homenageado pelos amigos músicos e família em missa na Igreja dos Frades, num momento em que celebram a genialidade do exímio contrabaixista e um homem de sensibilidade ímpar.

O contrabaixista deixou a esposa Kátya Silveira, também musicista, e o filho Matteo.

André Michelleti, diretor artístico associado da OSP (Orquestra Sinfônica de Piracicaba), rememora Arzolla. Conta que o conheceu na adolescência. “Mas ele já estava no Rio de Janeiro, então nosso contato foi mínimo”.

Apesar da pouca proximidade, fala com expertise do currículo do influente contrabaixista. “Professor da UFRJ, primeiro contrabaixo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi um super professor, dedicado aos alunos e um baita pesquisador. Uma pessoal plural em qualidades, seja com músico ou indivíduo, de caráter irretocável”.

Outro músico da OSP com uma relação ainda mais profunda com Arzolla é Fábio Belluco, violoncelista da orquestra. “Conheci o Beto na casa dos meus pais, pois ele estuda piano com minha mãe. Fizemos amizade lá. Daí por diante tocamos nas orquestras da escola de música juntos (orquestra juvenil e sinfônica). Além disso, estudávamos na mesma classe no colegial do CLQ”. Mesmo após a distância, quando Arzolla foi estuda no Rio, Belluco afirma que os laços para sempre. “Certamente fará muita falta em nosso meio, não só como músico, mas como pessoa”.

O contrabaixista Alvaro Damazo também guarda muitas recordações de décadas de Arzolla. O conheceu em Tatuí, lembra o integrante do Ternamente Eclético, mas o primeiro contato foi na Empem (Escola de Música de Piracicaba), por intermédio de Cidinha Mahle. “Arzolla me aceitou como aluno especial na UniRio. Foram três anos ininterruptos e ele me recepcionava em sua casa. Além de professor, acabou virando um amigo”.

Damazo aponta o mestre amigo Arzola como “uma pessoa de sensibilidade incrível” e generoso com todos. “Falar do Arzolla como músico excepcional é também falar do Arzolla amigo de praticamente todos alunos. Uma perda irreparável para quem viveu com ele”.

A irmã, Maria Cristina Arzolla, lembra que Antônio elevou o nome da cidade de Piracicaba no cenário mundial da música. ¨Deu graça e popularizou de modo clássico o contrabaixo, dando destaque a posição do instrumento dentro da orquestra. Fez despertar a empatia por um instrumento que até então era distante e desconhecido do público, conquistando simpatizantes, como inúmeros alunos que formou durante 30 anos de docência na universidade”.

José Antonio Carlos David Chagas é ex-professor e amigo de Arzolla. “Adolescente, já sabia observar o quanto ‘a alma da música nasce do espírito e sua mensagem brota do coração. Não houve uma só pessoa que não reconhecesse sua grandeza moral, seu senso ético, sua formação impecável e, principalmente, a grandeza de músico que era’”, reporta.

Erick Tedesco | [email protected]

Leia mais

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

5 × cinco =