O clarim e a pomba

Foto: Pexels

Adolpho Queiroz é Secretário Municipal de Cultura

Couberam-me, no último final de semana, dois eventos públicos, com as salvaguardas dos protocolos de saúde ainda em vigor. Só não houve salvaguardas para as emoções neles contidas.

Na sexta, 9 de julho, cerca de 50 pessoas acompanharam, sob o vigor nacionalista dos paulistas, as discretas, mas sinceras, homenagens que prestamos aos 17 piracicabanos mortos em combate no confronto em que São Paulo insurgiu-se contra a ditadura de Getúlio Vargas, culminando com a revolução constitucionalista que marca a data na qual centenas de piracicabanos a ela se juntaram. E 17 não voltaram e tem seus nomes inscritos no Monumento ao Soldado Constitucionalista, instalado na praça José Bonifácio, entre eles o do primo Silvio Cervelini.

Ao lado de representantes da sociedade civil, vice prefeito, vice-presidente da Câmara, filhos de ex combatentes, representantes do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba e autoridades militares, acompanharam as homenagens. De minha parte, tarefa extra, para destacar o nome do farmacêutico Artur Maurano, também combatente, que quase perdeu a vida em combate, num acidente com o caminhão que transportava soldados a serem medicados. Ele é pai do nosso presidente do IHGP, dr. Pedro Maurano. E fiquei honrado ao incluir seu nome no rol dos ex combatentes, ele que se casou com uma filha da cidade de Piracicaba e teve outros dois filhos, além do nosso presidente do IHGP.

A deposição da coroa de flores e, em especial, o toque do silencio, me emocionaram profundamente, e certamente, deixou a todos os presentes com um travo na garganta de saudades, de vigor cívico e, em especial, de destemor de nós paulistas diante dos desafios democráticos que enfrentamos outrora e temos enfrentado no presente, para manter a democracia viva neste país, como destacou o nosso vice-prefeito Gabriel Ferrato. E a importância de datas e festividades, para a construção das nossas crenças, como bem nos lembrou o vice-presidente da Câmara, vereador Acácio de Godoy, “precisamos nos valer delas para educar aos nossos filhos”. No mesmo dia e horário, nosso prefeito Luciano Almeida era condecorado publicamente no Monumento aos Soldados de 32 em São Paulo.

E com o coração em disparada, desci no sábado para participar na Irmandade do Divino, da missa solene do encontro das barcas, celebrada pelo nosso bispo Dom Devair Fonseca, um dos raros representantes do alto clero a frequentar a festa, que chegou aos seus 195 anos neste ano. Segredou-me ele ao final da missa, “que podem contar comigo a partir de hoje para as futuras festas”, contrariando a postura de bispos anteriores que a negaram.

Em sua homilia, destacou a necessidade da fé, em dias de tantas dificuldades e de como o povo piracicabano é solidário e sensível ao Espírito Santo, representante de Deus entre nós. E eu, que não tinha ido mais a uma missa, há um ano e meio, por conta da pandemia, me emocionei novamente ao receber a comunhão, enchendo d´água a minha máscara vermelha, bordada com a imagem do Divino, fazendo me lembrar de período importante de minha vida em que me socorria das orações a ele, para dificuldades pessoais. Superadas com dedicação e fé.

E na união dos cânticos em louvor ao Divino, percebendo que, aos poucos, vamos retomando a normalidade às nossas vidas. E como é bom um abraço, um aperto de mão, um toque de clarim, uma pomba da paz que nos inspire e nos traga a confiança para dias melhores. Que o segundo semestre deste ano nos traga harmonia e paz, sob as bençãos do Divino.

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