O desenvolvimento da cidade nos arredores da Bom Jesus

Histórias de famílias que chegaram na cidade, fincaram raízes e contribuíram para seu desenvolvimento. (Foto: Marco Casale)

A igreja centenária Bom Jesus do Monte, localizada no Bairro Alto, é um dos pontos mais conhecidos entre os piracicabanos. É palco de muitas histórias vividas e contadas, não somente em suas estruturas antigas de pedra e madeira, mas por famílias que ainda moram e trabalham em seu entorno.

Uma dessas histórias é da família Kraide que, embora de origem libanesa, fincou suas raízes no Bairro Alto, nas proximidades da Igreja do Bom Jesus para formar sua família e, futuramente, levantar um comércio. Foi da união de Miguel e Mariana que vieram os filhos Fuedo, Raul, Nagib, Salim, Nair, Diva, Aparecida e Ivone. A maioria constituiu família e ficou pelo bairro e pela cidade, mas alguns mudaram- -se para Barra Bonita, como a Ivone, por exemplo.

A ideia do comércio veio do filho mais velho, Fuedo Helou Kraide, que após passar pela experiência de balconista e revendedor de artigos masculinos como lenços e gravatas, tomou gosto pela coisa e decidiu montar seu próprio negócio de confecção masculina. O trabalho deu tão certo que precisou abrir mais lojas e as sua primeira foi na Rua Moraes de Barros, onde hoje está localizado o Banco Santander. Mas não ficou só por lá, a loja passeou pelo Centro, foi para a rua Governador 900; depois na Moraes; então se estabeleceu na São José com a Praça José Bonifácio, nas instalações abaixo do clube Coronel Barbosa; mudou-se, por fim, na Prudente de Moraes, entre Tiradentes e Rosário.

A história que essa loja deixou em Piracicaba, ainda hoje, está pintada nos bancos da praça da Igreja Bom Jesus.

Miguel, filho de Feud, acredita que o sucesso da loja é devido “à religiosidade da família, sua presença no Bairro Alto, foi decisiva para que tivéssemos apoiado, lá nos anos de 1950/60, a construção e implantação destes bancos, que ainda hoje mantêm a nossa marca viva por lá.” E arrisca um palpite de que a ação tenha sido comandada pelo Monsenhor Martinho Salgot, pároco do Bom Jesus naqueles dias.

Outro comércio histórico na cidade foi a casa Rosenthal, uma loja de móveis e roupas feitas, localizada da rua Governador Pedro de Toledo, bem ao lado da Igreja Metodista.

A história se inicia em 1945 por Pedro Rosenthal, negociante e vendedor ambulante que chegou em Piracicaba em 1941. Pedro, assim como a família Kraide, não tinha origens piracicabanas, mas do povoado da Bessarábia, na Rumania (atual Moldávia). “Ouvia dizer por outros imigrantes europeus da comunidade judaica que no Brasil haviam boas condições para estabelecer uma família em ambiente pacífico e com oportunidades de trabalho, criar os filhos etc”, comentou Daniel e Marcelo Rosenthal, netos de Pedro.

Além da Casa Rosenthal, outras famílias tradicionais da comunidade judaica se estabeleceram na cidade como os Becker, Mitelman, Kramer, Svartsi e Polacow, que tiveram os tradicionais comércios Casa Inglesa (que vendia móveis de estilo, tapetes, colchões e fazendas), Casa New York, Casa Liberdade e Casa Polacow (conhecida como uma das principais casas comerciais da cidade, no ramo de modas e confecções para senhoras e cavalheiros, dentre outras).

Apesar já ter encerrado seus serviços em 1975 devido à falência de Pedro, os bancos do Bom Jesus continuam a registrar sua existência, mas talvez a maior marca seja uma rua do bairro Santa Teresinha levar o nome de Pedro Rosenthal, uma homenagem por todo o esforço e como esse senhor marcou a história do comércio piracicabano.

Larissa Anunciato
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